quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Meu grito de alerta

Respeito e pioneirismo na aviação - acervo Registros Históricos

A letra da música diz: "Primeiro você me azucrina, me entorta a cabeça, me bota na boca um gosto amargo de fel. Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo, querendo ganhar um bocado de mel".
Mas, neste caso, o assunto não é música e nem poesia. O problema é serio e antigo.

Falo e grito sobre as questões que envolvem o nosso aeroporto "Frank Miloye Milenkovich", como já o fiz em outras oportunidades, sempre buscando o melhor para a nossa cidade. Notas da imprensa dão conta de que não houve interessados em apresentar propostas para o edital de licitação do DAESP, modalidade concorrência pública, tendo como objeto principal a concessão de uso de área aeroportuária externa a título oneroso, destinada à construção de edificação (lote15) para desenvolvimento de atividades aeronáuticas, no aeroporto estadual de Marília.
Leigo em editais e concorrências, porém muito interessado no assunto, afinal, sou morador e cidadão mariliense, também cliente dos serviços do aeroporto da cidade que manteve a 7ª posição no mapa de desenvolvimento da FIRJAN. Ou seja, estamos sim entre as 10 melhores do estado de São Paulo e não posso ficar aqui parado, “esperando a morte chegar”, como diria outra letra de música.
Vimos e ouvimos que o crescimento do movimento de passageiros no terminal aeroportuário local foi de 700%. Isto significa mais renda para a operadora do trecho, mais clientes, maior fortalecimento da marca da companhia e mais desenvolvimento. Ou não?
Pois, então, parece que a resposta é não mesmo, porque contrariando todos os indicadores econômicos e dados já largamente mencionados, a opção foi fechar a linha Marília - São Paulo. Não há machado que me faça entrar na cabeça as últimas decisões tomadas, pois todas elas contrariam o bom senso. A não ser que tenha cabeça de burro enterrada na pista... aí, só pai de santo para resolver a questão.
Notícias anteriores também deram conta de que as companhias Trip e Azul estavam se unindo, só que a cidade beneficiada foi Araraquara. A Trip opera 430 voos diários no país, enquanto a Azul, cerca de 400. O acordo de "code share", ou compartilhamento de voos, autorizado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), permitirá que os clientes comprem bilhetes para trechos operados pela Trip nos canais de venda já utilizados pela Azul.
O executivo e fundador da Trip, José Mário Caprioli, diz que a decisão ocorreu após a realização de pesquisas com consumidores, que indicaram maior conhecimento da marca Azul. Afirmou que a companhia está pedindo a ampliação do número de “slots” (autorização para pousos e decolagens) no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A Trip detém, hoje, 23 “slots” no aeroporto paulista.
Caprioli diz que pediu mais 20 “slots” diários à autoridade aeroportuária (Infraero). Segundo ele, há oportunidades em horários fora do pico de pousos e decolagens, que ocorrem até as 10h30 e após as 16h. Há um ‘vale' que pode ser aproveitado pela união das duas companhias.
Bom, pelo andar da carruagem, acima descrito, fica claro que estamos literalmente fora do mapa destas duas companhias e de quem tem "mão pesada" no controle da situação.
Que mão pesada é esta? Talvez, a falta de interesse da companhia que detém pela ANAC a autorização de operação do trecho Marília - São Paulo. Ou abrimos uma linha de diálogo com ela, ou estaremos fora da linha de desenvolvimento, como estiveram as cidades que não foram contempladas com o traçado da linha férrea no passado.
Pense em organizar um evento de grande porte na cidade, pense na logística de trazer pessoas dos mais diferentes pontos deste Brasil e, de cara, o problema maior será o transporte. Quem decide, quem é contratado e tem tempo pago por grandes companhias e empresas, quem tem agenda apertada  pensa muito antes de assumir um compromisso em cidades que não tenham bons serviços e linhas aeroportuárias condizentes. “Time is money”, já diz a velha máxima.
Vale o mesmo para as universidades, mestrados e cursos de pós-graduação, entre outros, que necessitam contar em seus quadros com docentes convidados vindos da capital e de outras cidades mais distantes. O convite, geralmente, é aceito de imediato. Mas, ao verificar a logística de locomoção, o ânimo diminui e o custo sobe. O tempo "parado" em terra é cobrado pelo contratado, com toda razão, ainda que os recursos de Internet e da telefonia o mantenham conectado com o mundo.
Só por estes dois exemplos, vemos que a falta de um transporte aéreo condizente com a onda de crescimento em que surfamos vai apertando a garganta de muitos projetos que podem alavancar o turismo de negócios e de eventos, ou seja, podem colocar um freio na nossa decolagem.
A pergunta é: a quem interessa este cenário de falta de decisões e de interesse?
Quero entender melhor. Como é que mesmo estando entre as 10 melhores do estado de São Paulo, não conseguimos atrair o interesse, ou movimentar forças, para conseguir que uma companhia sequer se atreva a apresentar proposta no edital do DAESP?
Não tenho dúvidas de que, além da caixa preta dos aviões, neste caso, há muitas outras caixas pretas que precisamos encontrar e abrir.
Marilenses, avante! Organizações e entidadess de representação, avante! Prefeitura e Câmara Municipal de Marília, avante, pelo amor e por respeito aos cidadãos. Não tenho dúvidas de que, juntos, podemos fazer muito por Marília. Não resta dúvidas, também, que a iniciativa privada, representada pelo CIESP, pela FIESP, com o apoio incondicional da Associação Comercial e Industrial de Marília, do Sebrae, do Senac, do Sesi, do Sest Senat, do Marília Convention Bureau, da Secretaria de Desenvolvimento e Turismo, das universidades e faculdades, e de mais uma lista infindável de lideranças reconhecidas e respeitadas, juntos, podemos fazer muito pela cidade.
A hora é agora, dezembro já está acontecendo, depois vêm as festas, as férias, o Carnaval e, se não abrirmos os olhos, vamos continuar embarcando em Bauru, ou, quem sabe, em Araraquara.
Temos brio, temos que nos fazer respeitados e respeitar, temos que ouvir, dialogar e abrir negociações. Clamo aos marilienses para se movimentarem e fico ao dispor para dar minha colaboração.
Uma grande campanha nos sites das empresas da cidade seria um bom começo. O mesmo vale para os jornais, para as empresas de outdoor e de comunicação em geral.
Marília é uma cidade linda e promissora e queremos voar cada vez mais alto. Junte-se a nós.
E, já que começamos com música: "Veja bem, nosso caso é uma porta entreaberta. Eu busquei a palavra mais certa, vê se entende o meu grito de alerta. Veja bem, é o amor agitando meu coração".
Ivan Evangelista Jr, Chefe de Gabinete e gerente de marketing do Univem, membro da Comissão de Registros Históricos e apaixonado por Marília.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Histórias do Morro Redondo

O morro redondo segundo informações dos moradores

Nossa região tem belezas naturais que os próprios marilienses desconhecem. É só andar pela zona rural para descobrir cenários encantadores, vales e montes que se integram na mais perfeita harmonia. Algumas paisagens até lembram as famosas savanas africanas.
No fundo dos vales, são comuns duas espécies mais frequentes de árvores: a Farinha Seca e o Pau Ferro, este último já em menor número. A primeira tem este nome porque, apesar de contar com bom porte e bela copa, formada pelas folhas estreitas, é uma árvore frágil, com galhos ‘ocados’, que se quebram com facilidade e, quando cortados, soltam um pó que lembra a farinha.
O "Vale da Flor Roxa", por exemplo, é marcado por estas paisagens, tendo este nome em razão da famosa fazenda que fica logo atrás das encostas de outro ponto geográfico de grande beleza, a Serra de Avencas. Fiz uma foto deste vale durante o período de um dos invernos mais rigorosos que já passamos e o resultado foi surpreendente. Sempre me perguntam se é mesmo aqui na região, tamanha a beleza.
Outra região que merece uma visita são os vales localizados entre os distritos de Padre Nóbrega e Rosália. No passado, foi centro de produção de muito algodão, de arroz e de grãos em geral, culturas que gostam dos climas de pé de serra. Foi assim na região do Macuco e do Macuquinho, nomes de pequenos povoados que estão nos registros da história da nossa cidade e que tiveram grande importância econômica para o município.É nesta mesma região que está a famosa Serra das 7 Curvas, o grande desafio das carroças, dos ‘fordinhos’ e das jardineiras que transportavam produtos agrícolas e passageiros entre os distritos. Tem este nome pelo conjunto sinuoso, coberto de pedras e paralelepípedos que formam o leito da estrada, percurso este que segue o espigão dos grandes montes. No alto, facões e gaviões, aproveitando as grandes correntes de ventos, vigiam seus territórios em voos solitários na espreita de um calango ou de pequenos roedores.
De gente que morou nesta região, fiquei sabendo também de histórias sobre o "Morro Redondo". Falam que, devido à qualidade produtiva das terras desta região, o número de sitiantes era grande e a produção agrícola também. O morro era ponto de referência para as glebas que se distribuíam entre os caboclos brasileiros, os imigrantes japoneses e os portugueses, conhecidos por suas habilidades na lavra das toras para as construções das primeiras moradas e das instalações rurais para a lida com o gado leiteiro.
Mas, segundo consta, foi ali também que um surto de febre tifoide, nos idos de 1940 e 1950, levou à morte boa parte da população rural. A epidemia foi tamanha que só se salvou quem abandonou tudo e mudou de local, de residência e de lavoura. Dizem que aqueles que insistiram em ficar, mesmo tomando muito quinino, curtido no conhaque ou no vinho branco, foram a óbito e depois carregados pelo caminhão que percorria as propriedades para recolher os corpos.
O Tifo foi uma das piores doenças na época, tudo devido à grande quantidade de lagos e rios, onde os insetos transmissores da doença viviam e se multiplicavam com facilidade. É fato que esta história de doenças originárias de águas empossadas, como a dengue, já vem de longe na história.
E foi em uma das reuniões do CONTUR - Conselho Municipal de Turismo, realizada na Fazenda Suíssa, escrita com duplo "s" mesmo, conforme consta na placa à beira da rodovia da região de Guaimbé, que eu tive a oportunidade de registrar a imagem do "Morro Redondo".
Fica a sugestão de que, no próximo feriado prolongado, ou mesmo no final de semana, junte os amigos e programe uma incursão pela geografia privilegiada da nossa região. Leve água fresca e frutas... e não esqueça a máquina fotográfica para trazer lindas imagens.
Ivan Evangelista Jr.,
É membro da Comissão de Registros Históricos de Marília,
Chefe de Gabinete e Gerente de Marketing do Univem.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

No meio do caminho tem um pé de abricó


Escadaria de acesso à residência

O destino era a agência bancária bem próxima do local onde consegui vaga de estacionamento. Cartela da zona azul no painel, alarme ligado, papelada na mão, uma última conferida se o alarme está ligado e a vista se deparou com algo diferente na paisagem urbana.
Que árvore estranha esta, cheia de pequenos frutos, em pleno centro da cidade? Diz o velho ditado que árvore que não dá frutos ninguém joga pedra, mas esta aqui está cheia de frutos e, ainda por cima, com uma cara muito boa, embora verdes.
Bem, primeiro a obrigação, vamos ao banco. E lá na fila, sempre as filas, a cabeça não para. ...Conheço bem a cidade, ou pelo menos parte dela e de seus encantos. Como é que nunca reparei nesta árvore, e se são frutos comestíveis, como é que ainda não foram derrubados?
Contas pagas, hora de descobrir o mistério. Eu conheço o dono da residência onde a árvore foi plantada na calçada... então, era só investigar o assunto. Pelas características, é certo que alguém muito caprichoso providenciou a muda e ali plantou com todo carinho.
Fui atendido de pronto. Relatei minha curiosidade e ele me disse: "Foi meu pai que plantou e isso faz muito tempo. Para ter uma ideia, faz mais de 22 anos que meu pai se foi e, naquele tempo, ele já cuidava desta árvore com todo carinho. Todo caminhão que ia encostar por aqui para descarregar a mercadoria, ele corria dizer ao motorista para ter cuidado com os galhos e, nisso, acabava sempre fazendo novas amizades."
Questionei: “E ninguém come os frutos por que?”
“Acho que ninguém come porque não sabe o que é. Quando maduros, eles ficam amarelos e caem dos galhos, aí sim estão no ponto para o consumo”, me disse o morador.
Um inquilino de loja próxima ouviu nossa conversa e entrou no assunto: - "Meu irmão comeu um outro dia, disse que é assim, digamos, gostoso, vá, diferente."
Apanhei um fruto verde e apertei a casca firme para ver o conteúdo. Uma polpa branca se mostrou, alguns caroços escuros e um líquido gosmento correu pelas mãos. Na comparação, fiquei entre o aspecto do jambo, da gabiroba (que é bem menor) e da goiaba.
E o nome da fruta, gente, qual é, perguntei ao meu amigo.
- Aprico.
Como é?
-Abrico ?.
O outro conhecido nos corrige: - “Não, é Abricô", escrito aqui com o assento porque ele fechou a fonética da palavra.
Finalmente, descobri que se trata de um pé de Abricó, isto mesmo, aquele do famoso licor de Abricó, servido nas novelas temáticas.
Quem diria hein! Em Marília tem um pé de Abricó bem no centrão da cidade e tanta gente passa por ali sem se dar conta da sua história e da sua importância.
Meu querido informante foi o Bicudinho, o engenheiro Roberto Bicudo, morador da rua Armando Sales de Oliveira, 32,no centro.
Ah, sim, além da árvore toda coberta de frutos, não deixe de apreciar a arquitetura da casa também, construção original, dos tempos da antiga rodoviária de Marília e do Supermercado Pastorinho.Mas vá logo antes que a temporada acabe.
Esta é a nossa querida Marília, símbolo de amor e liberdade e cheia de curiosidades.
 
Ivan Evangelista Jr
Membro da Comissão de Registros Históricos,
Chefe de Gabinete e gerente de marketing do Univem.
*Publicado no Jornal Correio Mariliense,  Caderno Variedades, edição de 20.10.12

A fruta Abricó

domingo, 14 de outubro de 2012

A procissão de Nossa Senhora no Distrito de Padre Nobrega

A chuva que caiu na sexta-feira atrapalhou um pouco os planos que já estavam traçados durante a semana onde o objetivo era limpar o mato do terreno das colméias.

No tempo da estiagem foi refresco, nada de capina, apenas mato rasteiro, sem comprometer a área, mas assim que as primeiras chuvas chegaram, a baquearia veio com toda a força.

Male má deu para pegar no cabo da enxada e os primeiros pingos da chuva se debruçaram sobre a terra. Até aí, tudo bem, nada que uma capa improvisada nas costa não possa remediar, o problema veio quando o primeiro trovão rasgou o céu e um clarão denunciou que o raio havia caído bem próximo dali, ou melhor, bem próximo de onde eu estava. Contra fatos, não há argumentos, pé na estrada porque quem gosta de choque é tomada.

Almoço com a família, dois aniversários comemorados na mesma data, bolo, velinha e o parabéns a você com a molecada em volta da mesa. Depois do almoço, assistir ao filme dos pingüins que o SBT passou em comemoração ao dia das crianças.

Não tinha visto o filme ainda, tem mensagem bem legal sobre a necessidade de o homem cuidar melhor do meio ambiente.

Perto das 17 horas a paciência do “ficar parado” já estava se esgotando quando surgiu o convite do amigo que tem simpatia e generosidade até no nome – o Generoso. “Vamos na procissão de Nossa Senhora !” – Procissão ? Onde? Em Padre Nóbrega, na verdade vai ser uma carreata procissão em homenagem a Santa.

Eu estava traiado para a lida no mato. Bota de borracha nos pés e vestes de trabalho, mas foi assim mesmo que nos dirigimos para a pequena capela que fica na av. Sampaio Vidal. Fazia muito tempo que não acompanhava uma carreata procissão e a experiência fotográfica foi tão boa que resolvei enviar ao Jornal Correio Mariliense algumas fotos, e eles publicaram a matéria na edição deste domingo e estou compartilhando com os amigos aqui. 
Um detalhe importante a ser registrado: a capela ainda não recebeu a nova bandeira de Marília e a que a aparece na foto ainda está na cor azul. 



Distrito de Padre Nobrega realiza grande carreata
Publicado no Jornal Correio Mariliense, edição de 14 de outbro, pág. A5



Os preparativos para a saída da carreata
 

A mudança de clima provocada pela chuva não afastou
os devotos do Distrito de Padre Nobrega. 
A-/ A+
Na tarde da última sexta-feira (12), uma grande carreata em homenagem à Nossa Senhora Aparecida aconteceu às 17 horas defronte
à capela e seguiu até o bairro Santa Antonieta, na zona Norte de Marília. A carreata passou em frente de várias igrejas e capelas,
atraindo um número expressivo de moradores que saíram de suas casas para apreciar o movimento e render suas homenagens à santa.



Fieis aguardam a chegada da carreata
Durante todo o percurso, muitos fogos de artifício. Um carro de som foi executando
músicas em homenagem à santa. A carreata retornou ao distrito de Nóbrega por volta
das 20 horas, onde a imagem foi recebida por um grande número de fiéis e em seguida
aconteceu à missa solene. Em sinal de fé, vários moradores carregavam nos braços
a imagem da santa pedindo orações por seus lares e familiares.
Por conta da chuva fina que caia na tarde, a imagem ganhou uma proteção de papel
celofane. Foi interessante observar que no momento do início da carreata a chuva cessou
e assim permaneceu até o horário da missa, apenas o vento mais frio obrigou as
pessoas a vestirem agasalhos.


A História da Santa
A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada por dois pescadores do Rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, estado
de São Paulo, por volta do ano de 1717. Os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso já pescavam há bastante
tempo, sem que conseguissem tirar peixe algum das águas do rio. Foi quando João trouxe em sua rede a parte correspondente ao corpo
da imagem e, depois, lançando a rede um pouco mais distante, trouxe nela a cabeça da Senhora. Dali por diante, a pescaria tornou-se
copiosa e, receosos de que a quantidade de peixe trazida para os barcos ocasionasse um naufrágio, os três amigos voltaram para casa,
 trazendo a imagem e contando a todos o prodígio que haviam vivido.

Fé na padroeira do Brasil
O culto à Senhora não tardou a tomar vulto. À imagem, que representa Nossa Senhora
da Conceição, logo foi dado o nome de Aparecida, por ter aparecido do meio das águas
nas mãos dos pescadores. Inicialmente instalada em uma capela na vila dos pescadores,
já por volta do ano de 1745 teve sua primeira igreja oficial, em torno da qual viria
a nascer o povoado e o santuário de Aparecida.
A consagração de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil ocorreu em
31 de maio de 1931, em uma celebração que reuniu, já naquela época, um milhão
de pessoas. Os padres redentoristas, responsáveis pelo Santuário Nacional de Aparecida,
foram os grandes animadores da construção da Basílica que hoje abriga a
imagem da Senhora.
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Um projeto de muitas vidas para a represa Cascata



           Notícias dão conta de que haverá nova ação de limpeza da nossa bela represa Cascata, prevista para o fim de semana. A atividade faz parte do 3º Evento Mundial de Limpeza dos Rios e Praias. Além de promover a higienização ambiental, tem o objetivo de conscientizar a população sobre a necessidade de cuidar das fontes de vida, neste caso, em especial, da água que chega até as nossas torneiras.
Espero que, neste ano, a quantidade de lixo seja bem menor. Como medida de segurança e preservação, a represa ganhou cerca e vigilância. Isso, certamente, impede as pessoas de usufruírem de um espaço tão especial, mas, ao mesmo tempo, evita acidentes e, também, o acúmulo de lixo em suas margens.
O problema não está no uso do espaço e, sim, no saber utilizar o meio ambiente, seguindo os princípios básicos de sustentabilidade, para não degradar. Após a proibição do acesso, seria o caso de pensarmos em criar um programa de preservação ambiental permanente e de visitas monitoradas. Isso pode ser feito via Secretaria Municipal do Meio Ambiente, com o apoio e a parceria das universidades, das ONGS e das entidades ligadas ao meio ambiente em geral.
Podemos começar contemplando um circuito de caminhada ao ar livre, com acesso pela Avenida Cascata, ou pela Avenida das Esmeraldas. Para quem ainda não teve o prazer de sentir a brisa, curtir a paisagem e ouvir o canto dos pássaros, entre outras opções sensoriais, saiba que este trecho é dos mais convidativos e pode agregar outras atividades ao longo do percurso.
Na cabeceira da represa, que é toda asfaltada e tem pista dupla, no período das manhãs, por exemplo, é possível promover atividades de exercício e alongamento, meditação e Tai Chi Chuan. Após as sessões, que podem ter duração de uma hora, das 6h às 7h, uma xícara de chá verde ou um café quentinho, levado na térmica, água fresca ou suco natural, cada com sua preferência. Mais alguns minutos para recuperar o fôlego e encher os pulmões com o ar puro e renovado pela brisa do vale e você estará pronto para encarar mais um dia de atividades intensas.
Um viveiro de mudas poderia ser instalado no local, ponto de informação e inspiração aos iniciantes na arte do cultivo de plantas ornamentais, medicinais, ou mesmo para aqueles que gostariam de recuperar a tradição das pequenas hortas caseiras. Orquídeas, antúrios e samambaias, alecrins e poejos, cebolinhas e salsas, misturando cores e aromas, criando um clima de prazer e bem-estar que, geralmente, as plantas trazem.
Sem comércio no local, pois não seria adequado. Apenas orientação técnica sobre manejo da terra, dicas de preparação do terreno para canteiros, adubação orgânica, compostagem do resto de cascas de legumes e hortaliças, além da irrigação. Coisas simples, mas que preencham as horas com novos conhecimentos, que ajudem a criar um ambiente de interação das pessoas, de contato e de tato, de trocas de receitas e de chás da vovó, entre outras artimanhas que podem ajudar a tirar os ser humano dos seus pequenos castelos. Coisas que sejam mais do presencial e menos do virtual.
Continuando com o projeto, a exemplo do que já ocorreu no bosque municipal, em outra área anexa, instalar algumas colmeias de abelhas sem ferrão (ASF), espécies nativas das nossas matas que desempenham o importante papel de agentes polinizadoras. Seria este mais um espaço pedagógico e cultural, que poderia contar com o apoio da Associação dos Apicultores de Marília e Região, levando conhecimento e oficinas sobre as técnicas simples de criação de enxames caseiros. 
            Para os finais de semana, poderia haver uma programação cultural mensal, como acontece hoje com as tardes de lazer no bosque. Além das atividades físicas, contando com o apoio e monitores das academias de ginástica de Marília, é possível desenvolver uma série de outras ações que envolvam pais, filhos, avós e os amigos em geral.
Pipas coloridas podem enfeitar o Vale da Cascata, empinadas longe das fiações elétricas e sem o uso do perigoso cerol nas linhas; aulas de caiaque, com uso adequado de equipamento de segurança; pesca esportiva, no estilo pega e solta; campeonatos  e exibições de modelos de rádio-controle; aeromodelismo e nautimodelismo; passeios de bicicleta; oficinas de ikebana; oficinas de separação, classificação e destino do lixo doméstico; e até, quem sabe, uma pequena feirinha para troca de livros, revistas, selos, numismática e coleções diversas. Tudo muito bem organizado.
Na casa de máquinas, instalada logo abaixo da cabeceira, encontros e bate papo sobre a importância da preservação das nascentes e sobre o funcionamento da captação de água natural para transformar em água potável.
Alguns banheiros químicos instalados em pontos estratégicos, uma boa sinalização sobre preservação do meio ambiente, sobre segurança e trânsito na área de uso comum. Nada de instalar aparelhos sonoros ou ligar o som do carro nas alturas. Agora é hora de treinar os ouvidos para captar a batida do coração da natureza, entrar na sintonia das ondas rebatidas nas pedras, dançar os olhos no bailado das asas das andorinhas caçadoras de insetos, ouvir o zunido do vento nas folhas, sentir o cheiro da terra com gosto de chuva e curtir as crianças e os adultos sorrindo gostoso, sentindo-se livres, como se nunca tivessem experimentado a vida ao ar livre. Simples assim.   

Ivan Evangelista Jr, afotoquefala

terça-feira, 24 de julho de 2012

A arte e a sustentabilidade andam de mãos dadas



A treliça de metal estava em casa há algum tempo e não tinha destino certo, ainda. Encontrei o material em uma caçamba, destas que se aluga para fazer descartes de material de construção ou mesmo para reformas em geral. Achei bonita e trouxe para casa, sabendo que um dia acharia uma boa destinação para ela.

Esta mania de arrastar para o quintal coisas que outras pessoas descartaram não é de hoje não, vem de longe, desde os tempos da infância. Não vejo apenas o objeto em si, mas o que se pode fazer com ele aproveitando suas formas, cores ou o próprio material do que é feito. Acho que é isto que hoje chamam de sustentabilidade.

O difícil é conciliar o ajuntamento com o destino final. Até que se encontre a finalidade futura a peça fica ali, num canto qualquer, e a isto, a querida esposa e companheira chama de bagunça, de tranqueira e outros nomes.  

Eu explico dizendo que a inspiração não vem assim, num estalo de dedos, que a peça deve ficar lá até que a mente se abra para o novo, para a criação e a criatividade. Mas de pouco adiantam as explicações porque a necessidade da ordem e da limpeza fala mais alto. Se deixar por minha conta, o depósito seria bem maior.

Nestes poucos dias de férias dei destino para uma pilha de madeiras. Fiz caixas iscas para recolher novos enxames de abelhas e já espalhei em vários locais. Agora é só esperar a primavera chegar para observar a movimentação e com um pouco de sorte, novas capturas.

Mas voltando a treliça de metal, mostro aqui o resultado da arte. Fixei a peça na parede de uma clarabóia, entre o escritório e a sala de visitas e o visual ficou bem legal. Optei por mesclar diversas espécies de ornamentais, uma composição de orquídeas, flores de maio e leguminosas.

As próximas da lista serão quatro peças de venezianas de madeira, daquelas bem antigas, também encontradas em uma caçamba. Após pesquisar sobre as possibilidades de reutilização das peças, descobri que posso raspar a tinta e deixar na madeira natural.

Depois, é passar uma ou duas mãos de impermeabilizante ou verniz e temos quatro molduras para fins variados.

Pode ser para enfeitar um canto próximo da churrasqueira, com fotos de família e momentos felizes, pode ser para o jardim, com fotos de plantas floridas ou de pássaros, criando uma composição bem harmônica ou mesmo para sustentar pequenos vasos com flores coloridas.

Foi assim que duas janelas antigas de madeira ganharam fotos ampliadas de imagens que fiz no bosque municipal. Onde havia uma parede na área de serviço de casa, agora, tenho uma janela para o tempo.

O que importa é não ficar parado, mais o prazer de utilizar as próprias fotos em peças decorativas e o dia ta ganho.

Ivan Evangelista Jr.

domingo, 1 de julho de 2012

Mudei de postura e ganhei muito com isto.

Foto: Ivan Evangelista Jr
Apiário na Varpa - SP






Isto mesmo, antes eu “escondia” que mantenho um pequeno apiário na região da minha propriedade. Apenas algumas pessoas sabiam e o objetivo era proteger de possíveis invasores indesejados.
Depois dos fatos veiculados, sobre a aplicação de agrotóxicos e outros venenos nas lavouras que podem levar ao extermínio das colméias, adotei outra política. Visito meus vizinhos, próximos e até o mais distantes com certa regularidade.

Além de ampliar meu circulo de amizade, descobri que posso comprar vários produtos ali da região. Descobri um bom fornecedor de queijo fresco, de coelho, já abatido e limpo para consumo e do mesmo fornecedor de carne de coelho estou comprando a “cama” de esterco, já triturada e mistura com terra, pronta para adubar as plantas.

Ontem eu comprei ontem um quartinho de leitoa caipira que já fez a alegria do almoço hoje aqui em casa. Descobri também, a menos de 200 metros da minha chácara, um fornecedor de verduras frescas, um outro amigo que me vende galinhas caipiras ou frango caipira (R$17,00) , na mesma rua, mais adiante, me deparei com um fornecedor de ovos de pata e de mudas frutíferas.

Em cada visita vou fazendo novas amizades porque sempre o vizinho acaba indicando  outro vizinho que vende alguma coisa da sua produção. Nos contatos, também vendo o mel e o  própolis da minha produção e aproveito para pedir que quando forem utilizar “venenos” que cuidem da própria segurança e evitem os regentes ou reagentes. A compra de produtos, ali mesmo da região, acaba fortalecendo laços de amizade e até lembra um pouco aquele período do escambo.
Nas conversas, sempre muito boas, aproveito para explicar que os regentes matam sim as Arapuás, mas matam também as abelhas produtoras do mel saboroso, matam as abelhas sem ferrão que ajudam na polinização das frutas, porque quando elas voltam para casa contaminam a colméia toda.
Explico que o mel que estão consumindo é de boa qualidade porque o apiário está localizado em área próxima de mata nativa, mas nem por isso as abelhas deixam de visitar seus sítios e chácaras, os canteiros, os coqueiros e onde mais tenham flores.
Tenho feito amigos e aproveitado para disseminar conhecimentos básicos sobre a importância de proteção ao meio ambiente. Para completar, distribuo um pouco do regente natural que produzo e dou a receita para que eles também possam fazer em casa. Comprei na feira livre um grande galão de plástico que já foi embalagem para sabão líquido (R$ 10,00) com capacidade para 50 litros. Fiz uma mistura de água, pimenta vermelha dedo de moça (1Kg +-) , 6 pacotes de fumo Juriti (R$ 2,00 cada), comprei restos de alho de uma outra banca, esmaguei tudo e juntei com um pouco de detergente líquido, joguei tudo no galão. A pimenta, assim como o alho, pode ser aquele de “fim de feira”, o descarte que vai para o lixo, por isso mesmo sempre baratinho, ou com um pouco de sorte os feirantes até fazem a doação.  Lembrei que em certas regiões do Brasil, na Bahia principalmente, ainda tem as latas de fumo que no final do rolo sempre tem aquela calda e os fiapos.
Depois uns 10 dias a mistura está pronta para aplicar. Basta coar em uma meia fina.
A aplicação pode ser com pulverizador de mão, estes baratinhos, ou com os pulverizadores costais. Serve para flores, para verduras e outras culturas e tem a vantagem de ser ecologicamente correto.  
Em pouco tempo estou com a região praticamente mapeada e sei que poderei contar com a colaboração de alguns novos amigos e vizinhos. Já é um passo.
*Se você tem um tempinho e gosta de ouvir rádio, aproveite e visite o site abaixo e confira a entrevista que a minha amiga Beth Begonha, da rádio Nacional da Amazônia fez sobre o assunto.
 http://beijaflordaamazonia54406.podomatic.com/player/web/2012-07-01T07_32_57-07_00
Ivan Evangelista Jr

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sobre a chuva, tábuas e taubinhas


Entrar no clima do feriado não é fácil.

Como de costume, acordei por volta das 6h30, passeio café, li o jornal, ouvi as notícias do rádio, me atualizei.

Olho na janela e água batendo; minha nossa, não para mais?!

Reina aqui, reina ali, vou para os fundos da casa onde tenho uma pequena área/oficina. Ainda bem que sempre arrasto tábuas e taubinhas para casa, nestas ocasiões são perfeitas para entreter e preencher o tempo. Rec, rec, rec, corta, bate, prega, cola, ajeita e mais duas caixas iscas para acomodar novos enxames ficaram prontas. A primeira, antes do almoço, esta  para abelhas Européias, a segunda, após o almoço e depois do cochilo sagrado,para abelhas Jataís, sem ferrão. E a  chuva não parou o dia todo.
Limpeza na oficina para não arrumar encrenca com a dona da pensão e o improviso de um ventilador para ajudar a secar as roupas no varal que insistiam em dividir o espaço o tempo todo.
Se o sábado virar em chuva já deixei as coisas ajeitadas para fazer pelo menos mais duas caixas iscas e, logo que o sol abrir, vou levá-las para instalar na mata. O período não é o mais propício, a enxameação deve começar com a primavera, mas já vou deixar no jeito. Depois, dou uma manutenção e pronto. Vai que alguma abelhuda resolve se mudar antes da temporada.
A foto mostra várias caixas de abelhas sem ferrão, lá na casa do Dirceu. Notem que fica uma pertinho da outra, mas cada abelha sabe direitinho qual casa é a sua morada, se orientam pelo cheiro da rainha (feromônio) para a localização do grupo.
(07 de junho/2012)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

As fotos que falam



Ola pessoal.

Assunto 1
Eu postei no Face estes dias sobre uma menina que fotografa a merenda da escola diariamente (na Escócia) e posta em seu blog as fotos e as críticas sobre a qualidade da mesma. Mandou tão bem que ganhou a atenção e o apoio de um importante chefe de cozinha. Foi interessante também ler que ela fez isto para explicar ao pai, o porque de chegar em casa com "tanta fome", já que na escola servem merenda. A qualidade é péssima e a variedade deixam sempre a desejar, segundo seus apontamentos.

Depois da divulgação, e do envolvimento do chefe de cozinha, a escola "melhorou por um período" a qualidade da merenda, mas ao que parece já voltou ao que era antes.
 Mas ela continua fazendo seus comentários e registros. (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/05/120524_menina_blog_comida_cc.shtml)

Assunto 2
Outro caso em que a fotografia serve como instrumento de pesquisa.
Esta moça resolveu saber até quando um lanche pode durar. Ela acompanha e fotografa diariamente a "vida longa" de um lanche do Mac Donalds, comprado a mais de dois ano, e se espanta com o que vê todos os dias.(http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tema-livre/um-espanto-fotografa-documenta-que-um-lanche-do-mcdonalds-751-dias-depois-de-comprado-nao-se-deteriorou/)
Mas há outros exemplos em que fotografia nos enleva e nos leva para mesas alheias.
No Face, por exemplo, a Celia Ribeiro, jornalista, sempre posta o resultado de suas investidas na gastronomia, nos dando colheradas de suas artes, onde a comida ganha molduras em pratos simétricos e coloridos, com arranjos e detalhes,  status de requinte que reforçam a teoria do "comer com os olhos primeiro". (ontem foi strogonofe, mas tem aquele pão caseiro que vai para a casa da tia ou a dobradinha que já ganhou fama de televisão)
Também no Face, a Bagueteria Orly, diariamente, e bem naquela hora em que a fome começa a apertar (entre 10h30 e 11h da manhã), posta o cardápio do dia e fotos ilustrativas dos pratos que serão parte da mesa apetitosa. Tem fotos que dá para sentir  o cheiro, mesmo estando na tela do computador, coisa que invade os sentidos.
É o neuromarketing, onde são associados uma série de fatores que ajudam na promoção da ideia ou do assunto. Alias, alguém já disse para nunca irmos ao supermercado com fome; alimente-se sempre antes, caso contrário tudo vai lhe parecer mais gostoso do que o normal e a conta sobe.
E tem a TatiSantafé, que nos brinda com as delícias da culinária japonesa e mais recente com fotos de Suhis e de camarões empanados. Orra meu !
Não esquecendo do Alfio, nosso amigo italiano que morou um tempo em Marília, voltou para a Itália e montou seu sonhado restaurante em Siracuza . É de lá que nos envia fotos dos quadros que pinta, quer dizer, dos pratos que ganham vida em sua cozinha, obras de arte . http://afotoquefala.blogspot.com.br/2012/02/uma-historia-um-amigo-especial.html
A partir destes exemplos dá para a gente pensar numa série de situações ou de assuntos que podem ser alvo de estudos e acompanhamento diário, tudo com foto . Assuntos da cidade, do local de trabalho, dos restaurantes ou dos barzinhos que frequentamos, da mesa de casa mesmo, ou do carrinho de lanche. Mas tem também aquela outra sacada legal que é escolher um determinado local da sua casa e registrar por um período o nascer e o por do sol.
Se você mora em uma chácara, como é o caso de meu amigo Cícero, da CM Consultoria, dá até para escolher um ponto onde o horizonte sirva de referência e fazer estes registros nas 4 estações do ano.Difícil?- Nem tanto assim.
Ontem, após o almoço, eu procurava pelos raios de sol que costumeiramente entram pela janela do meu quarto. Não os encontrei.
Com a mudança da estação, os raios de luz  também se mudaram. Pensei em por a câmera sobre um tripé e fazer o registro, de dentro para fora, até a nova estação chegar.
Coisas de louco? - Não, não, são coisas de quem gosta de fotografia mesmo. São fotos que falam.

Por Ivan Evangelista Jr

domingo, 20 de maio de 2012

CERCADOS DE BELEZAS NATURAIS, BAIRROS DA ZONA LESTE DE MARÍLIA QUEREM LAZER E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL


Por Célia Ribeiro

Moradores dos bairros da zona leste de Marília vivem o paradoxo de terem, ao alcance dos olhos, um cenário digno de cartão postal enquanto sofrem com a falta de opções de lazer . Os itambés, com suas cachoeiras e quedas d’água brotando da imensa área verde, são um espetáculo à parte que poucos têm aproveitado, como por exemplo, para a prática de esportes radicais. O que se vê, por outro lado, é o descaso com o acúmulo de lixo e entulho da construção civil que a Associação de Moradores do Jardim Aeroporto luta para combater.


Prática de parapente no Jardim Lavínia, captada por Ivan Evangelista
Formada por 15 bairros e condomínios, a entidade representativa de cerca de 10 mil habitantes, perdeu as contas das vezes que reivindicou melhorias para a região. Segundo a presidente, Waldivia Maria de Oliveira, uma das últimas mobilizações reuniu 631 assinaturas num abaixo-assinado entregue, no ano passado, ao ex-prefeito Mário Bulgareli.


Por incrível que pareça, carente de áreas públicas de lazer, a região possui um terreno com quase 10 mil metros quadrados, localizado no fim da Rua Shinji Kuroki, que reúne todas as condições para ser revitalizado. Os moradores sonham com a construção da praça que tem até nome: “Praça Pôr-do-sol”, cujo projeto foi elaborado pela arquiteta Angela Torres, gratuitamente.

Projeto da praça está só no papel
Na praça dos sonhos, estão previstos: ciclovia, academia ao ar livre, bancos para leitura, playground, jardim, mesas para xadrez e gamão, relógio solar além de teatro de arena. O ator principal, que aparece na maior parte do ano, promete um espetáculo sem cobrança de ingresso: o pôr-do-sol que se descortina no vale!
VIGILÂNCIA
Segundo a presidente da Associação de Moradores, a Prefeitura de Marília deveria investir naquelas áreas de preservação permanente, realizando limpeza periódica, bem como intensa fiscalização para coibir e, em caso de flagrante, punir com multas pesadas quem joga lixo ou descarrega caçambas de entulho da construção civil nos itambés que margeiam os bairros.
Sempre que ela recebe denúncia de moradores, Waldivia Maria recorre aos órgãos públicos na tentativa de resolver o problema. No entanto, é um trabalho de formiguinha que nem sempre é reconhecido, assinalou a líder comunitária. Sem sede própria (a entidade funciona na sua residência), a Associação também não tem renda, o que dificulta a atuação. Mesmo diante das dificuldades, a presidente está sempre batendo à porta da Câmara Municipal e da Prefeitura levando as reivindicações da população.
Itambés: grande potencial turístico inexplorado
(Foto: Ivan Evangelista)
Segundo a presidente, com poucos investimentos a administração municipal poderia fazer muito pela zona leste. Waldivia Maria citou o campo de futebol do Cecap Aeroporto: sem vestiários ou bebedouros de água, até os campeonatos esportivos promovidos anteriormente no local ficaram comprometidos: “Conseguimos que um projeto das melhorias fosse elaborado na Secretaria de Obras e levamos ao prefeito. Mas, por infeliz coincidência, recebemos a resposta negativa justamente no dia que o prefeito renunciou, cinco de março”.

Waldívia, presidene da Associação

Finalizando, a presidente da Associação do Jardim Aeroporto destacou que o Plano Diretor do Município previu “a criação do Parque dos Itambés, através de lei específica. Mas, nada foi feito. O que se vê é sujeira, entulho, lixo de construção que jogam dentro dos itambés. Não há nenhuma proteção ou recuperação ambiental”.
PREFEITURA

Através de nota da assessoria de Imprensa, a Prefeitura informou que adotou providências para solucionar os problemas citados pela líder comunitária: a Secretaria de Serviços Urbanos reuniu caçambeiros para orientação sobre descarte de entulho, promoveu a limpeza nas margens dos itambés, e realizou o plantio de 150 mudas de árvores no terreno destinado à praça.


Imagem de satélite mostra a vasta área verde e o terreno de
10.000 m2 destinado à Praça Pôr-do-Sol, no fim da Rua Shinji Kuroki
A nota acrescenta que está prevista a revisão do Plano Diretor e que, através de financiamentos habitacionais do governo federal, “promoverá a saída das famílias que moram em submoradias em áreas irregulares, como a dos itambés, para que estes espaços sejam mantidos com as características primitivas”.

Sem especificar qualquer previsão de construção da praça reinvindicada, a Prefeitura informa que “pela Lei Municipal 3600/1990 há a possibilidade de as praças municipais serem adotadas por Associações de Moradores, Comércio Local, e demais cidadãos na oportunidade de revitalização e ocupação do espaço público com suporte paisagístico e orientação técnica da Secretaria”.
A população pode denunciar o uso incorreto da área pelo telefone da SMA (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) 3401-2000.
Publicado no Jornal Correio Mariliense, edição de 20.05.12 - Marília Sustentável  

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ela voltou


Garça na espreita de boa pesca

Siriema






















Notamos hoje a presença dela novamente, lá no mesmo lugar de costume, no cantinho da cobertura metálica como se fosse um ornamento. A coruja da cara branca vai passar m bom tempo por aqui, é sempre assim, mas nunca notamos se ela, ou quem sabe ele, teria uma companhia.
Aparece assim do nada, parece que migra para outra região por um período longo de tempo e depois volta para o mesmo cantinho. Sabemos que faz poucos dias que voltou porque no chão, no local onde caem as cácas da dona coruja, tem pouca sujeira. Eu vi duas pelotas, sinal de que ela já encontrou alguns ratinhos nos seus vôos e caçadas noturnas.
Não sabia bem o que eram aquelas bolas e fui pesquisar. Descobri que depois de comer pequenos ratinhos ou outros animais que tenham couro, no processo digestivo a carne e os ossos são absorvidos, já o couro é expelido em forma de pelotas.
A coruja da cara branca completa bem a fauna que habita a Fundação Eurípides – Univem – tem as Seriemas que se reproduzem bem por lá e andam livres pelo estacionamento, tem os Teiús, alguns enormes e atrevidos a ponto de ameaçar dar carrerão nos alunos, têm os Sabiás que sempre voltam aos ninhos antigos para novas chocadas, os Quatis que se alimentam das frutas na área dos fundos, as Capivaras que tomam banho na represa e ficam de olho miúdo pro sol, a Garça branca, pescadora de Tilápias, teve a Jibóia que virou notícia na televisão e nos jornais, os Quero-Quero que se sentem dono do pedaço e ao menor sinal de invasão do território voam pra cima do inimigo com suas asas pontudas e ainda uma quantidade infinita de pássaros, de cores e cantos variados.
Na verdade, o que atrai esta fauna rica e diversa é um conjunto de fatores que trabalham aliados em prol do meio ambiente: a decisão acertada de se reflorestar a área, isto lá por volta de 1998, quando a maior parte do terreno era colonião e pasto. Foram plantadas mais de 3.000 mudas, de plantas nativas e de outras espécies variadas que dão frutos o ano todo, goiabeiras, pitangas, mangas, acerola, jambolão, pinha, calabura, bananeiras e paineiras, entre outras; a preservação das nascentes e a canalização das águas de chuva, formando um pequeno lago que ganhou alevinos e hoje fornece alimento para um monte de bichos.
Ao descer o terreno a gente sente o vento no rosto que sopra do vale, se é dia de chuva, o cheiro do Pau D´Alho enche as narinas, misturado ao aroma doce da trepadeira vermelha que cobre o caramanchão. Lá no alto, um canto trinado avisa que a área tem dono. É o gavião que mora no alto do eucalipto seco, de onde tudo vê, saltando livre no espaço para dar voltas e rasantes com as asas abertas quase que paradas.
Natureza livre em harmonia, paz de espírito e sintonia com Deus.
Ivan Evangelista Jr       

domingo, 29 de abril de 2012

Entreposto do Mel “José Teixeira” é inaugurado com certificado do SIF



Matéria publicada no Jornal Correio Mariliense, ediçãode 29/04/2012



ACONTECEU ontem pela manhã na zona norte da cidade a inauguração no Entreposto do Mel “José Teixeira”. 29/04/2012
O espaço, que fica na rua Eugênio Coneglian, n.º 2.558 vai servir de entreposto para a certificação e garantia da qualidade do produto, de acordo com as normas exigidas pelo SIF- Serviço de Inspeção Federal. O evento aconteceu na presença de autoridades e representantes do Estado.
Com a inauguração da “Casa do Mel e do Apicultor”, o registro do SIF - Serviço de Inspeção Federal foi oficialmente adquirido e permitirá que o mel processado, envasado e expedido pelo órgão, seja comercializado e futuramente exportado para países da América do Sul.
De acordo com o coordenador regional do SIF, Waldir Brandão esse novo empreendimento dará uma valorização para a região. “O prédio tem todas as condições técnicas para a partir de hoje receber nosso certificado, e isso, quem ganha é a região que não contava com esse prédio”. Brandão destaca ainda que esse é o primeiro passo para a exportação do mel da região.
Para o zootecnista Valter Eugênio Saia, é muito gratificante essa conquista, segundo ele, os apicultores terão um local para se encontrar e discutir sobre o mel da região. “Vamos poder nos reunir mais e trazer tecnologia para os produtores, o prédio está todo equipado com aparelhos de última geração”. Saia ainda fala que esse acontecimento é uma conquista não só para os apicultores da cidade e região, como também para a população que terá um mel com qualidade produzido em nossa região.
Alcindo Alves é o presidente FAMESP- Federação de Apicultura e Meliponicultura do Estado de São Paulo e fala sobre a inauguração do entreposto. “Marília foi a pioneira a fortalecer a federação, sou muito grato a todos desta cidade que fizeram do nosso sonho realidade”. Alves destacou que Marília é a 6º cidade em todo o Estado a ter um complexo com esta estrutura.
Para o produtor João Rodrigues esse entreposto será bem vindo para a nossa classe, pois vamos passar a existir para a sociedade. “Agente só existe quando tem um registro, agora com o entreposto e com o SIF vamos passar a existir” Rodrigues que é produtor a 20 anos produz cerca de 2 mil quilos de mel por ano e garante que o mel é um dos melhores da região.
O secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Paulo Roberto Oliveira Júnior, destacou a importância desta unidade para a apicultura da cidade e região. “Temos 180 associados e a tendência natural é que este número se eleve cada vez mais a partir de agora, com o entreposto. Nosso mel (mil flores), é muito nutritivo”, frisou.
O presidente da Amar - Associação de Apicultores de Marília e Região, Antonio Fernando Scalco, concorda e acrescenta que o fato de o Brasil ser um país com diversidade floral, ajuda no aumento da produção.“A genética brasileira nesta área de apicultura é muito eficaz, mas necessitamos melhorar a competividade. Desta forma, seremos um grande exportador”, comentou Scalco.
Junto com a Casa do Mel irá funcionar a sede da Associação de Apicultores que está localizada em uma área de 12 mil metros quadrados. No local, foi implantado um laboratório de análises do produto, escritório para o SIF, área de recepção do mel, sala de descristalização, áreas para envasamento, rotulagem, expedição e armazenamento, bem como de desinfecção. O nome do entreposto foi uma homenagem ao Sr. José Teixeira que foi um grande pioneiro de mel na região de Marília.
 No nível estadual, Marília ocupa hoje o quarto lugar na produção, com aproximadamente 180 toneladas/ano de mel, porém o potencial do sindicato é atingir 500 toneladas nos próximos três anos. Com a inauguração da Casa do Mel, a expectativa da Prefeitura e Amar é conseguir tirar da informalidade fiscal e sanitária cerca de 300 famílias, dando segurança alimentar à população da região bem como fornecer maior lucratividade às famílias produtoras.

sábado, 28 de abril de 2012

Casa do Mel é realidade


Olha so que notícia legal.
Foi inauguada hoje a Casa do Mel de Marília, pela Associação dos Apicultores de Marilia e Região.
Na pratica isto significa maior qualidade na produção e comecialização do mel aqui produzido, por sinal, estamos em terceiro lugar na produção do estado. Nosso mel agora tem SIF (Inspeção Federal), tem laboratório de avaliação das qualidades físico químicas, tem envazamento ...com tecnologia, temos orientação e acompanhamento de todo o processo produtivo e temos as condições necessárias para começar a exportar nos próximos anos.
A Casa do Mel é modelo para outros estados e motivo de orgulho para todos nós. O design do rotulo foi desenvolvido por alunos do curso de Design Gráfico do Univem.
Foi lá que também pudemos experimentar o saboroso mel produzido por colmeias próximas as plantaçõesde mandioca, arte do Massa, apicultor experiente e que tem várias colmeias em nossa região.
Mel é saúde, mel é sustentabilidade consciente.
Parabéns a todos que se empenharam nesta empreitada.
Rotulo tem informações nutricionais e origem do produto

 
Vista parcial da entrada principal

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Nos jardins das amizades


Deomar e a Crista de Galo, no jardim das amizades
Eu estava na tradicional feira do domingo, entre as tangerinas, também conhecidas como bergamotas, entre os caquis e as laranjas limas da vida, quando o telefone celular tocou. Do outro lado, uma voz amiga me saudou, fez algumas brincadeiras e, mesmo assim, não foi o suficiente para identificar quem estava na outra ponta da linha, se é que ainda podemos usar esta expressão. Entrosamos num bom bate papo e logo identifiquei o amigo.
E, já que a conversa estava bem descontraída, eu o convidei para saborear umas frutas. Levar para casa é bom, mas é difícil dizer se tem melancia mais gostosa do que aquela que a gente compra na barraca, já fatiada e come ali mesmo, lambuzando o beiço, escorrendo o caldo pelo queixo, molhando até o pescoço. Mais uns passos adiante e vem o vendedor de abacaxi, segurando a fruta pelo talo, já descascada, gritando em alto e bom som que é mais doce do que mel, fruta de Minas Gerais, “coisa boa, freguesia, pode provar que você nunca viu nada igual”.
O meu interlocutor aceita de bom grado a brincadeira e me pede uma fatia de melancia embrulhada para presente. Era o Deomar Brigantini, gente fina como ele só, morador do bairro Cecap Aeroporto. Foi meu colega de trabalho por muitos anos, secretário da diretoria da Fundação Eurípides, daqueles profissionais que quase não se encontra hoje em dia. Organização e presteza são sua marca registrada, isso sem contar que sempre tinha, e ainda tem, uma boa anedota ou um causo dos bons para contar.
Ele me fez o convite para ir até a sua casa fotografar a Crista de Galo que estava no jardim. Já deu para perceber que o Deomar é daquele tempo em que casa boa de morar tem que ter jardim bonito na frente, com pé de rosas, de diferentes cores, com dálias enormes, daquele vermelho encarnado, com pé de arnica, mato besta que ele só, mas que sempre ajuda a tirar a dor quando de molho no álcool, e ainda uns tomateiros perdidos entre as folhagens, de onde ele diz que já colheu mais de três quilos e fez boas saladas.
Fazia um bom tempo que a gente não se encontrava e achei o convite uma boa oportunidade de colocar a conversa em dia e apertar a sua mão. Surpreendi-me assim que cheguei ao endereço; impressão das melhores não poderia ter. Tudo arrumadinho, chão varrido, paredes bem pintadas, detalhes de harmonia aqui e ali, e o jardim, que logo percebi ser o cartão de visita da casa. A Crista de Galo, enorme, estava lá, soberana entre as ramagens, e mereceu boas fotos.
Depois, aceitei outro convite e fui até os fundos do terreno conhecer o quintal. Terreno bem cuidado, com pé de laranja lima da Pérsia, de acerola, de boldo, de banana nanica, de mamão macho, que dá flores em pêndulos e que são ótimas para se ferver com água, mais um pouco de mel ou açúcar e pronto, não há xarope para tosse melhor do que este preparado. Senti-me em casa, tamanha a simpatia e acolhida, dele e de toda a família, que já estava nos preparativos do almoço.
No chão de terra, uma rolinha Fogo-Pago, solitária, ciscava entre os gravetos e andava de um lado para outro, despreocupada. Mal sabia ela que, em tempos no passado, este amigo visitante andava de calças curtas e não se separava do estilingue feito com tripa de mico e do bornal com bolinhas de gude. Haja pecado pra se pagar.
Lá na cozinha, assim que o alho caiu no azeite quente, o aroma invadiu o ar e denunciou que era hora da visita acabar. Hora da fome.
Nas despedidas, ganhei um saco de acerolas para fazer suco, ganhei lima e a recomendação para fazer uma boa caipirinha com a fruta, ganhei também a oportunidade de rever um amigo querido e sua família, ganhei o domingo.
Tudo porque a Crista de Galo cresceu mais do que o comum.
Ivan Evangelista Jr
É membro a Comissão de Registros Históricos de Marília

quarta-feira, 14 de março de 2012

Armadilha para atrair enxames em caixa de papelão

Enxame capturado na caixa de papelão 

Preparando  a caixa para atrair novo enxame

Funciona assim:
Pegue uma caixa de papelão de tamanho médio, faça uma armação de madeira que se encaixa nas medidas da caixa, faça alguns caixilhos (5 ou 6) para servir de estrutura para os futuros favos.
Propolise a caixa ou esfregue erva-cidreira e abra um orifício por onde as abelhas possam entrar. Pronto, esta feita a armadilha.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Um dedo de prosa, um café e várias histórias



Fachada do Educandário Bento de Abreu onde
 raio destruiu ornamento na parte mais alta do prédio


Na esquina da Rio Branco com a Sampaio Vidal, sobre o telhado da antiga residência dos Montolar, armação de antena de rádio dos anos 60.

Rádio valvulado e ferramentas de trabalho diário
No bailado do rodamoinho, o prenúncio da mudança de tempo
A prosa na varanda seguia morna, no mesmo ritmo da água esquentando sobre a boca do fogão para mais tarde o café. O assunto, hora passava pela fase da lua boa para plantar milho e mandioca, hora sobre o capim na roça, que nesta época do ano, de chuva pouca e sol abundante, cresce viçoso e solta a sementeira, sem dó do lavrador já atarefado.
Um vento besta começou a soprar no terreiro de secar o café e as folhas secas entraram no bailado do rodamoinho que, geralmente, acompanha a brisa que anuncia uma mudança de tempo. Da ponta das árvores mais próximas do quintal, os Anus brancos são surpreendidos também pela corrente traiçoeira e saltam dos galhos num voo todo desengonçado, coisa de rabo muito comprido virando pra cima do corpo, apressados para encontrar um local onde possam se abrigar da chuva.
A carijó, toda cuidadosa com seus pintinhos, cacareja num tom parecido com a telegrafia, e eles entendem, vão saindo debaixo das saias do café, das moitas e montes de folha seca, onde ciscam os bichinhos preferidos, e correm pra mais perto da mãe. A cadela de cor quase cinza, de tetas sempre gordas porque tem uma cria atrás da outra, que descansava no cimento quentinho, de barriga para cima e olhos bem amiudados, sai da pasmaceira típica de cachorro vira lata, que mais late do que morde, e corre pra debaixo da mesa e das pernas do dono.
Todos estes sinais se juntam a um relâmpago rápido, seguido de forte estrondo que arrebenta no céu, e as nuvens vão virando umas sobre as outras, em cores escuras e disformes. Vem chuva forte por aí... "corre recolher uns paus de lenha", diz alguém lá na cozinha.
Outro relâmpago e um raio cheio de pontas cruza o céu rumo ao horizonte, segue mais um trovão e outro. Dona Joana, a dona da casa, já procura com os olhos ligeiros um canto para se esconder. É pânico de temporal, tem medo, muito medo mesmo, e isso vem desde criança quando perdeu a mãe, vitimada por uma descarga elétrica.
Ela nos conta que estavam todos na casa e o tempo virou pra chuva. Moravam na roça, lá no estado da Bahia, um lugar de poucas casas e muito chão batido. A faísca foi certeira, descarregou na ponta cumeeira e correu pelos paus do telhado, até descer pelo batente da porta, onde a mãe se recostava, sentada nos degraus da pequena escada. Ali ficou, foi fatal.
Casou-se com o Paulino e foi morar na região de Avencas, onde também naquela época ficava o bairro Catequese, ou Catiqueis, como era chamado pelos caboclos. Casa de taipa, chão batido e parede feita de casca de coqueiro do mato, completando a trama com barro vermelho alisado com as próprias mãos, depois uma caiação pra deixar mais bonita e afastar o bicho barbeiro.
Sem eletricidade, o rádio era tocado com aquelas pilhas enormes, muitas delas feitas pelo Sr. Aurélio, um curioso da eletrônica que, mais tarde, veio a ser funcionário da CPFL de Marília. As condições de recepção eram precárias e o conjunto exigia: além do rádio ABC Canarinho, A Voz De Ouro, o fio terra, geralmente feito de arame grosso, enrolado várias voltas em um lima de amolar enxada, velha e enferrujada, depois enfiado num buraco do lado de fora da parede e perto do local onde o rádio ia ser instalado. Um outro fio subia parede acima e atravessava o telhado, até alcançar a ponta de um outro arame, ou fio desencapado, estendido entre dois bambus, geralmente no cumprimento de 10 a 20 metros. Esta era a antena de rádio típica de sítio, também considerada a melhor arapuca para atrair raios e faíscas.
Nuvem preta dava sinal no horizonte e dona Joana corria cobrir o espelho da penteadeira com a toalha da mesa ou a colcha da cama, porque aprendeu desde criança que espelho também atrai raios. O mesmo se fazia com as tesouras de costura, que estavam sempre ali, ao alcance das mãos, mas nestas ocasiões ganhavam o lugar mais fundo das gavetas. Faca não ficava sobre a mesa da cozinha nem pensar. E quem tivesse lidando com metal, enxada, facão ou enxadão, que tratasse de largar rapidinho.
Voltando à cena da varanda, dona Joana serviu o café, que passou, com o coração apertado de medo, pelo coador de pano. Um gole esquenta a goela e seu Generoso entra na prosa contando que raio gosta é mesmo de Perobeira alta. “E tem mais viu”, dizia ele, “naquele tempo, eu vi o raio bater na ponta da Peróba e abrir a árvore no meio, até embaixo na raiz. Depois da chuva, a gente correu lá para ver se achava a ponta do raio no chão”.
- “Como assim Generoso?”
“Pois é. O povo daquele tempo dizia que quando o raio descarregava na árvore, podia procurar a ponta lá embaixo que virava uma pedra preta e comprida, parecida com uma cunha grande, isto sem falar do cheiro forte de enxofre que ficava no derredor.”
E fora esta, eu e você, amigo leitor, já ouvimos outras tantas boas histórias, de gente que morou em sítio ou fazenda e confirma tudo que aqui está contado, “tar e quar” o Guinete Grassi, leitor assíduo da coluna. Teve gente que já viu amigo cavar buraco feito Tatu Peba pra ver se encontrava a tal da pedra.
De minha parte, brinquei com eles: “nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.”
Povo bom de se conviver, prosa boa de se ter e café bom de se beber.
Ivan Evangelista Jr
Membro da Comissão de Registros Históricos de Marília e Chefe de Gabinete do Univem
Publicado no JornalDiário de Marília, edição de 11/03/12