sábado, 5 de março de 2016

O Pelotão de Elite “Newton José de Moura”

Newton Moura
A Escola Baltazar de Godoy Moreira foi o berço da educação de muitos amigos e foi também uma escola modelo; desde as instalações modernas e confortáveis, a quadra coberta que propiciava a prática de esportes em dias de chuva e também para as apresentações artísticas, os laboratórios, com aquelas bancadas brancas enormes, o material para experiências nas aulas de ciências e a limpeza.
Para completar a estrutura física ganhamos um time de professores de primeira:  Sirui, Tamie (matemática), Miguelzinho (ciências), Ernesta Panetini (história), João de Deus(português) Amadeu, Rene Paschoalichi (desenho), prof. Edson (educação física), entre outros, sempre muito lembrados com carinho de todos.
Foi nesta época que conhecemos  o Sr. Newton Moura, inspetor de alunos que chegou para ajudar a equipe que já tomava conta da meninada . Chamou a atenção pelo porte físico, usava sempre um boné verde no estilo militar, postura física invariavelmente ereta, e a voz de comando sempre firme. Chegou e botou ordem no pedaço, se impôs com o devido respeito e aos poucos foi ganhando nossa amizade.
Ao chegarmos na escola ele batia continência para os alunos e nós respondíamos  no mesmo gesto. Ficou nosso amigo e ganhou o apelido carinhoso de “sargento Nilton”, isto porque no Tiro-de-Guerra havia na mesma época o sargento  Raul conhecido pela sua rigidez na formação dos soldados. 
O nosso sargento era firme também, mas era um contador nato de boas histórias, nos ganhou pelo coração e foi assim que nasceu o pelotão Newton Moura.
Durante anos  vimos este senhor andar pelos corredores  fazendo o seu trabalho disciplinador e, ao mesmo tempo, sendo nosso professor fora da sala de aula. Por meio das suas histórias ele nos ensinava o respeito ao próximo, o respeito à bandeira nacional e às autoridades constituídas, o amor para com a escola que nos acolheu e aos mestres. Quando por algum motivo era preciso levar algum aluno na presença da diretora ele era o condutor. Nós tínhamos mais receio do “pito” dele no caminho do que propriamente da conversa na diretoria.
Como os bons educadores  sabem fazer, eles sempre nos ensinam que a escola é o segundo lar, um templo sagrado de conhecimento e de oportunidades, lugar para fazer amizades que vão perdurar por toda a vida. Seu Newton  tinha o dom para exercer a função de inspetor de alunos e se tornou um ícone de admiração. Ser amigo do Niltão era um privilégio.  
Mais adiante na vida conheci Welington Moura, soldado  Boina Azul que serviu nas Forças Especiais de Manutenção da Paz  das Nações Unidas, filho de Newton. No início eu não associei os sobrenomes, mas o jeitão da madeira é o mesmo e a nova amizade me resgatou boas recordações. Quando descobri o parentesco fiquei mais feliz porque passei a compartilhar a simpatia do filho de um grande amigo da minha infância.
Hoje eu recebi a notícia que o Sr. Newton Moura faleceu, aos 91 anos de idade.
Sargento – peço sua permissão para me despedir, em nome dos colegas e de todos que partilharam sua amizade.
Sargento – o senhor foi um exemplo de vida para toda esta garotada, obrigado; missão cumprida sargento. Foi uma honra fazer parte do seu batalhão de amigos.
Sentido! - Permissão para descansar concedida pelo Alto. 
Sargento, siga em paz!

Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão de Registros Históricos de Marília,

e alunos da Escola Estadual Professor Baltazar de Godoy Moreira e do pelotão de elite “Newton José de Moura”.

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