sábado, 27 de maio de 2023
Spielberg da paleontologia visita Marília
Prof. Anelli está realizando o projeto “Na trilha dos Dinossauros” No mês de
maio a cidade de Marília recebeu a visita do profº Luiz Eduardo Anelli, do
Instituto de Geociências da USP, considerado um dos mais renomados pesquisadores
do mundo da paleontologia. Ele foi idealizador e curador da exposição “Dinos na
Oca e Outros Animais Pré-Históricos, no Parque do Ibirapuera, chegando ao
impressionante número de 550 mil visitantes, é autor de vários livros:
Pterossauros Brasileiros, Dinossauros e outros monstros – Uma viagem à
pré-história do Brasil, Novos Dinos no Brasil, Novo Guia Completo dos
Dinossauros do Brasil, Evolução dos Bichos, dentre outros. Por estas razões e
muitas outras de natureza científica e cultural o prof. Anelli pode ser
considerado o “Spielberg” dos dinos no Brasil. Seu nome está presente nos
maiores trabalhos ligados a paleontologia e seus projetos culturais e pesquisas
são apoiados por importantes universidades e apoiadores. E o motivo da sua
visita em Marília foi a realização de mais um projeto científico que objetiva
mostrar a trilha dos dinossauros. Ele está percorrendo cidades que possuem
museus paleontológicos e faz registros fotográficos e vídeos, mostrando as
instalações e o acervo de cada um desses equipamentos turísticos. Foi uma visita
rápida na aqui na cidade, porém muito produtiva e rica culturalmente falando.
Extremamente focado e objetivo o professor aproveitou cada minuto para extrair o
máximo de informações e conteúdo nas conversas com o coordenador e pesquisador
Willian Nava. Ficou muito claro que na conclusão do projeto das trilhas e na
revelação deste roteiro para o mundo, a cidade de Marília vai ganhar maior
visibilidade como destino turístico. Na manhã do dia 22 de maio, acompanhado do
Willian Nava, ele visitou e se encantou com a Serra de Avencas. E por estes
acasos que só destino pode explicar, no momento da visita dos pesquisadores foi
localizado mais um fragmento de fóssil. Em suas palavras sobre a experiência da
visita na Serra de Avencas o prof. Anelli mandou um recado para a comunidade
mariliense: “Qualquer país do mundo que hoje prioriza a educação, transforma
aquele lugar num lugar de parada, para se observar rochas, para se observar a
paisagem, e para ler em algum tipo de totem as informações sobre o que aquilo
representa porque há 70 milhões de anos, quando a América do Sul havia acabado
de se descolar da África, quando o clima era outro, quando a biologia era outra.
Aprender sobre aquele lugar é aprender sobre o mundo”, e completou – “nós
precisamos aprender a tirar proveito desta riqueza e patrimônio cultural que nós
temos aqui.” Em seguida ele foi recepcionado no Museu de Paleontologia de
Marília e se mostrou bastante entusiasmado com tudo que viu e não escondeu
momentos de grande surpresa e encantamento. Sobre o museu ele comentou: “O museu
é um depósito de tesouros culturais que nos ajudam a compreender o mundo. Se
quando criança, se existisse um museu desse na minha cidade, acredite, eu iria
todos os dias olhar todas as coisas.” Para o pesquisador mariliense Willian Nava
esta visita e a oportunidade de participar de tão importante projeto é mais um
marco histórico em sua carreira científica. Ter o seu trabalho reconhecido por
cientistas e pesquisadores deste nível internacional é muito gratificante e
reforça a sua valorosa contribuição ao turismo receptivo em Marília. Seu
trabalho e sua história já foram tema de novela na Morde e Assopra na Rede
Globo, no ano de 2011, proporcionando aos espectadores 179 capítulos de
histórias e aventuras. Agora é esperar para ver e conferir o impacto desta mais
nova proposta de trilhas e caminhadas seguindo as pegadas dos Dinos. Todos os
projetos sobre o Museu de Paleontologia e das trilhas na região de Marília
contam com o apoio do Comtur, em trabalho conjunto com a Secretaria do Trabalho,
Turismo e Desenvolvimento Econômico de Marília. Os investimentos necessários são
oriundos do governo estadual, por meio do Departamento de Apoio ao
Desenvolvimento dos Municípios Turísticos – DADETUR, e repasses do programa MIT
– Municípios de Interesse Turísticos e Estâncias. Ivan Evangelista Jr, é
presidente do Comtur Marília e membro da Comissão dos Registros Históricos da
Câmara Municipal de Marília
sábado, 25 de fevereiro de 2023
Destino: Distrito de Padre Nóbrega
Criação da Estação de Estudos Ambientais e de sustentabilidade
Este projeto nasceu a partir de visita na praça localizada ao lado e aos fundos da igreja Nossa Senhora Aparecida, localizada na Av. Sampaio Vidal, 379, distrito de Padre Nóbrega, oportunidade em que constatamos as belezas naturais e o consequente insight para a presente proposta.
Justificativa e fatores favoráveis:
O distrito de Padre Nóbrega faz parte do desenvolvimento socioeconômico de Marília, tem histórias e raízes culturais relevantes que merecem ser preservadas, conta com moradores que são pioneiros da sua criação, é ponto de encontro e de passagem de praticantes dos esportes do ciclismo, do moto Trail, das trilhas e caminhadas e se constitui em âncora de serviços e atendimento comercial para novas comunidades que se instalaram nos novos loteamentos em seu redor.
Os comércios estão modernizando suas instalações, novos empreendimentos, novas atividades culturais e maior movimento na praça da igreja, ponto de encontro dos moradores e visitantes.
Porém, próximo dali, existe um ponto de risco ambiental que merece atenção das nossas autoridades e secretarias municipais. Em terreno próximo ao cruzamento da linha férrea, pegando sentido Rosália, lado direito, área sofre com constante despejo de lixo e material inservível. No mesmo local já se observou uma “lagoa” que não se tem informações se foi formada por fonte de água ou por escoamento do esgoto. Hoje a lagoa está encoberta por plantas, mas devido ao despejo de lixo o ponto se tornou opção de “garimpo de reciclados” por populares que ficam vulneráveis a várias doenças e riscos.
A estrada em questão é caminho para condomínios residenciais, chácaras e produtores rurais que dependem da sua conservação para escoamento de produtos agrícolas e transporte de gado, mais outro empreendimento de turismo rural que já conta com vários anos de funcionamento.
Por iniciativa do executivo e da Secretaria do Meio Ambiente, em parceria com outras secretarias municipais é possível reverter esta situação. Educação Ambiental seria a resposta mais assertiva para a solução dos problemas vividos. Trabalho que envolve a comunidade, as escolas municipais, professores e alunos, e os proprietários rurais da região.
A criação do Parque de Estudos Ambientais e de sustentabilidade envolve ações básicas e que não vão requerer grandes investimentos. Vejamos:
a) Mutirão de limpeza da região impactada, retirada de material inservível e cercamento da área para proteção de invasões e despejos irregulares;
b) Plantio de mudas de espécies arbóreas que respeitem o contexto da flora nativa e a integração com o meio urbano;
c) Implantar uma estação de coleta seletiva de lixo, também conhecida como Ecoponto, com o detalhe da rigorosidade no cronograma de coletas evitando o acúmulo e o garimpo reciclável irregular,
d) Criação de um projeto de “Adoção do espaço ambiental” por crianças e comunidade, trabalho que será desenvolvido com as escolas do distrito;
e) Sinalização turística com vistas a orientação dos praticantes de esportes no meio rural, bem como, maior conscientização das riquezas naturais por meio de ações educativas continuadas;
f) Fiscalização e monitoramento continuado por parte do poder público na preservação das melhorias, o que certamente vai encorajar a própria população a assumir o papel de vigilante e a consequente redução das ações irregulares.
Quais equipamentos já existentes podem ser incorporados a esta proposta?
A praça da igreja é ponto de encontro da comunidade e dos esportistas que aproveitam a sombra para o refazimento das energias. A praça conta com várias espécies já catalogadas, árvores enormes que chama a atenção pelo porte e, também, pela beleza das formas das raízes. Encontramos neste espaço o Araxixá e o Jequitibá, mas há outras que já foram igualmente catalogadas e tombadas na condição de “Imunes ao Corte” e “Sementeiras”.
O pequeno jardim é muito agradável e por falta de uma maior atenção de nossa parte passa despercebido. Temos ali um conjunto de fatores e recursos naturais que podem sugerir a criação de um Parque de estudos ambientais que vai dar suporte na formação na educação de jovens e adolescentes, na integração com grupos de pesquisa de universidades. Está praticamente encaminhado o processo de criação de um espaço comunitário para a educação ambiental da comunidade local e dos visitantes, para tornar mais visível a riqueza da fauna e da flora e se constituir em um dos pontos turísticos de grande visitação na região.
As espécies arbóreas mencionadas, a praça, os estabelecimentos comerciais em frente ao espaço, somam outros fatores favoráveis:
a) O conjunto de construções já existentes no local, sendo salão da comunidade religiosa que pode ser compartilhado com os organizadores e executores dos projetos ambientais, possui quadra de esportes, possui sanitários e lanchonete que atende diariamente, tem postinho de saúde anexo à praça, tem serviço de transporte urbano e outras facilidades;b) O jardim está localizado em região estratégica do distrito e conta com significativo movimento diário de pessoas e veículos que utilizam as vias de Padre Nóbrega e o acesso ao novos bairros do outro lado da pista(Montana, Cavichiolli);
c) O distrito é regularmente freqüentado por grupos de ciclistas (bikers) que fazem o circuito Marilia- Nóbrega-Oriente- Avencas – Pompéia em vários dias da semana e com maior intensidade nos finais de semana;
d) A região é rica em recursos naturais e biodiversidade, também é acesso para o distrito de Rosália por estrada de chão, tem pesqueiros que recebem visitantes com regularidade, é caminho de passagem para o empreendimento conhecido como Fazendinha, conhecido pelas atividades de educação ambiental e lazer familiar, é caminho de passagem para sítios e pequenas propriedades que atuam na produção de hortaliças e legumes e outras já capacitadas para a atividade do Turismo Rural.
A criação do Parque de Estudos Ambientais pode envolver os seguintes atores:: Comissão de Registros Históricos da Câmara Municipal de Marília; Secretaria de Turismo, Secretaria do Meio Ambiente e Limpeza Pública, Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria da Educação, Secretaria da Cultura, Secretaria e Esportes e Lazer e Juventude, em parceria com o Comtur e com as universidades interessadas na firmação de convênios para estágios e realização de trabalhos comunitários integrados.
Benefícios diretos e indiretos para a comunidade local:
a) Melhor utilização de espaço comunitário com a conseqüente sensação de maior segurança, proteção e pertencimento;
b) Com a intensificação de novas atividades, com a presença de grupos de estudos, pesquisadores, esportistas e visitantes em geral o comércio local terá impacto positivo no aumento das vendas e vai descobrir novas oportunidades de negócios que podem ser benéficas para novos empreendedores. O Sebrae, o Senac, o Senar, a Fatec , entre outras instituições e as universidades podem oferecer cursos de capacitação;
c) A coletividade ganha um centro de estudos que tem perfeita sintonia com a sua proposta e o meio em que está inserido e, assim poderá ser indutor natural de novos empreendimentos no segmento do turismo e do lazer. Por conseqüência o meio ambiente é mais valorizado e as ações de preservação serão intensificadas;
d) Com o desenvolvimento das atividades propostas os jovens estudantes da localidade poderão ser capacitados para atuarem como guias de turismo ambiental, vão conhecer melhor a história do seu distrito e dos pioneiros, das primeiras fazendas e famílias que contribuíram para a formação do patrimônio;
e) A visitação em propriedades rurais e locais abertos será uma oferta a mais nas opções de lazer e cultura para Marília e região. Registro que no caminho de Nóbrega a Rosália tem a Serra das Sete Curvas que é um local de extrema beleza e muito agradável para passeios;
f) Em questão de tempo a criação de novos roteiros turísticos será incrementada de forma natural podendo contemplar atividades de visita em propriedades de produção de estufa e colheita direto da roça para a mesa da cozinha;
g) E para incentivar proprietários rurais e donas de casa podemos oferecer curso de manipulação de alimentos, produção de queijos e derivados de leite, artesanato e outros que poderão ter espaço na praça para comercialização a exemplo do que já acontece com a feira do produtor rural. Com todo este movimento de pessoas as vendas terão maior sucesso e a fixação do produtor rural no seu meio (e dos familiares) será outro benefício relevante.
h) O espaço revitalizado seria um ponto de referência de ações positivas protetivas ao meio ambiente. No geral a ideia é que o Parque de Estudos Ambientais seja mais abrangente, incorporando a praça da igreja, o novo espaço arborizado, as propriedades rurais, a Fazendinha, o Sítio Olho D’agua e outras propriedades.
O Distrito de Padre Nóbrega possui inúmeras condições favoráveis para se tornar modelo de turismo sustentável. Todos os recursos necessários estão disponíveis e a presente proposta é plenamente viável. Um olhar especial para a educação infantil e dos jovens e o desejo de despertar nessas gerações o olhar protetivo, o sentimento do pertencer ao meio e do comprometimento com causas sociais relevantes.
O COMTUR se apresenta como indutor e integrante do conjunto de entidades e órgãos colaborativos na implementação do presente projeto. E assim que tivermos a adesão da Prefeitura Municipal e das Secretarias, dos parceiros mencionados e outros que são sempre bem vindos, podemos organizar um grande encontro com a comunidade local e convidados para apresentação da proposta.
Ivan Evangelista Jr, é o presidente do Conselho Municipal de Turismo de Marília, membro da Comissão de Registros Históricos da Câmara Municipal de Marília, fotógrafo e autor do livro Guia Prático do Turismo Rural.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
O macarrão de São Francisco
Algumas pessoas me perguntam vez ou outra por que eu gosto tanto da vida e do contexto rural. O caminho mais curto para a resposta seria dizer que estar junto ou próximo da natureza já é uma benção, porém não se trata somente de estar lá, o gostos é estar lá, de corpo e alma, para poder sentir e fazer parte.
Quem sabe essa pequena historinha que vivi possa nos ajudar a fazer este caminho.
No domingo acabou o macarrão lá em casa. A venda mais próxima fica a uns 4 km e a estradinha para Padre Nobrega tá sofrida com as águas fortes das chuvas. A solução foi bater na porteira do vizinho na ponta da rua e ver se tinha um pacotinho de macarrão para emprestar.
E não é que tinha! Não apenas um, a moça dona da casa trouxe 5 ou 6 pacotes para eu escolher. Furadinho, sem furo, mais grosso, mais fino, enroladinho, tinha macarrão pra tudo quanto é gosto. Mas ela não veio suzinha não, a mãe dela que a gente adotou como vó, também veio dá bom dia enquanto tratava os canarinhos.
Não demorou nadinha e o cachorrinho Luck pulo na mureta na área pra chegar mais perto e fazer festa. Vendo tudo acontecer lá de longe a Cacau, a cabritinha mini que anda solta pelo terreiro logo se achegou e igualmente pulou sobre a mureta para participar do grupo. Foi quando o Tinoco, o bezerro manhoso criado na mão e que se sente filho da família humana se encostou e botou a fuça na conversa.
Tinoco tava com a beiça sapecada porque um pouquinho antes foi lá onde a mãe (a Lena) tava fazendo doce de abóbora no fogão de lenha e, para não deixar de ser Tinoco, meteu o focinho no braseiro. Eu penso que ele como bezerro mimado que é, pensa que tudo ao seu redor seja ou tenha leite prontinho para beber.
E foi assim que uma visita rápida para pedir macarrão emprestado se tornou pretexto para a bicharada se juntar na conversa. Tudo junto e misturado ali na área da casa, e todos os bichos mencionados são do tipo que se não fizer um agrado não tá bom. Agradeci a atenção e fiquei comprometido de devolver o pacote assim que repor os mantimentos na dispensa de casa.
E num daqueles raros relances da vida em que o universo nos abre a terceira visão, voltando o olhar para me despedir do grupo eu vi o Chiquinho. Tava lá, com sorriso largo no rosto e só apreciando a resenha.
Será que agora eu consegui explicar melhor porque a vida na roça é tão boa?
(*) Olha só a imagem do Chiquinho com o Tinoco assuntando o que ele tem nas mãos. Ô bezerrinho mimado sô!
quinta-feira, 10 de novembro de 2022
Piraju, viva esta experiência!
No dia 5 de novembro tive a honra e alegria de retornar a Piraju após longos anos sem visitar a cidade. Minha agenda se deu por conta de convite do Sebrae/Ourinhos, em parceria com a Diretoria Municipal de Turismo de Piraju e o Conselho Municipal de Turismo, para palestra sobre "Negócios do Turismo - Investimentos e Oportunidades".
O evento aconteceu no recinto de exposições da FECAPI e me surpreendeu de forma muito positiva em todos os sentidos.
Meu primeiro contato nesta oportunidade foi com a equipe da Tirolesa das Corredeiras, local que alia aventura com a beleza das paisagens naturais, vistas de um ângulo muito especial, afinal, são 500 metros de pura adrenalina.
A primeira impressão é sempre a melhor de todas as oportunidades de mostrar o acolhimento da cidade e, neste caso, os anfitriões Gilberto e Rogério fizeram as honras da casa de forma espetacular.
No recinto de exposições encontramos as opções regionais para o turismo receptivo e o destaque ficou por conta da energia dos organizadores e dos expositores. Caiaques, canoas, aeromodelos, equipamentos de esportes de aventura, artesanato regional, bebidas e cachaças produzidas por pequenos empreendedores, mudas de frutíferas e de espécies nativas, estandes com oferta de passeios turísticos e de experiências singulares, como por exemplo, o Caminho das Águas e Roteiro da Fé, a visita na aldeia indígena, as visitas monitoradas em cachoeiras da região, boia cross, entre outros, formaram um mix de produtos e serviços que literalmente impressionou a todos.
Na fala de abertura o Renato(Comtur) e a Malu (Detur), enfatizaram a importância de os primeiros roteiros turísticos estarem prontos. Trabalho de fôlego com os players do turismo regional que aporta Piraju e região num seleto grupo de cidades que já podem dizer que contam com este diferencial. No geral as ofertas de passeios, hospedagens e aventuras são feitas de forma isolada e desta forma fica muito mais difícil para o pretenso visitante tomar decisões.
Quando o trade local oferece pacotes e rotas que preencham o tempo do visitante, com opções para grupos e pessoas de idades diferentes, tudo se torna mais fácil e mais convidativo.
A sintonia entre o poder público e as entidades de apoio ao turismo foi notória, a presença de representantes do executivo e do legislativo no evento, junto aos empreendedores e órgãos de apoio (Sebrae, Comtur, Enel Green Power) mostra que o “tecido sociocultural” está bem estruturado e com visão de futuro muito bem organizada e compartilhada.
Não tenho dúvidas de que Piraju, a exemplo de outras cidades do estado de São Paulo, como é o caso de Brotas, se tornará um dos grandes destinos do turismo paulista. A cidade está avançando com passos firmes neste sentido, em breve poderá instalar outdoors com fotos ilustrativas e chamadas para passeios e novas experiências.
Deixei com o público presente algumas provocações, como por exemplo: criar roteiros de barcos de passeio, como há em Barra Bonita, percorrendo trechos do límpido e convidativo Paranapanema, com paradas estratégicas em pontos de visita, com degustação e compra de doces e artesanatos, almoço e apresentações culturais durante a navegação.
Tivemos no evento a rica sugestão de um dos participantes que contempla a imersão de um vagão de bonde teleférico nas águas da represa, no local dos trilhos já existentes, proporcionando a experiência de mergulhos contemplativos nas águas doces do Panema.
Neste contexto vamos somar fatores culturais relevantes e que ainda não são tão explorados, como por exemplo, a condição de ser a primeira cidade e comunidade abolicionista do Brasil, igualmente, o fato histórico de contar com a iluminação e energia elétrica, antes mesmo do Rio de Janeiro. Numa pesquisa mais aprofundada encontramos registros de Piraju estar na história entre os municípios em que cidadãos se envolveram com causas de sustentabilidade e mobilização ambiental (1947) quando este assunto não ocupava a agenda global.
Podemos introduzir neste cenário de oportunidades, muito convidativo e rico em informações, o tradicional peixe na telha e outras receitas que podem ser resgatadas e incorporadas aos cardápios dos restaurantes.
No ano de 1924 foi publicado livro com receitas de doces com nomes bem atípicos e curiosos. Podemos encontrar, dentre tantas outras guloseimas, o sorvete de café, o pudim a Floriano Peixoto, o bolo republicano, o bolo de São João, e por aí vai a criatividade da sua autora que utilizou o pseudônimo de “uma dona de casa”.
Esse resgate culinário pode resultar numa cafeteria muito convidativa, com fotos históricas decorando as paredes, servindo bebidas de cafés produzidos na cidade e região.
Retornei para Marília já com a certeza de breve visita e percorrer cada uma das trilhas e caminhos, conhecer o deck sobre as corredeiras, conhecer o museu, de poder sentar ao final do dia no barzinho da tirolesa e deitar meus olhos junto como sol no horizonte, sentindo a brisa fresca e conversando com esta moçada alto astral, de fazer o caminho da fé, de navegar de veleiro e tudo mais que aqui tem-se a oferecer.
Parabéns a todos os envolvidos, esta cidade fez história e tem muitas histórias para contar, tem povo receptivo que sabe acolher seus visitantes, tem belezas naturais que correm não somente entre as pedras do rio, correm também nas veias dos seus entusiastas. Eu percebi isso pelo brilho nos olhos dos participantes e dos expositores deste evento: o orgulho de ser Piraju e região.
Ivan Evangelista Jr, consultor e palestrante, pesquisador, fotógrafo e autor do Manual Prático do Turismo Rural – Um Guia para empreendedores. É presidente do Comtur Marília e membro colaborador da Região Turística do Alto Cafezal.
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
Marília - Capital Nacional do Alimento
Você sabe quando e onde surgiu este slogan?
Foi no final da década de 90 e foi lançado no dia do aniversário da cidade de Marília, salvo engano, em abril de 97. Joãozinho Barion era o presidente do CIESP/Marília e contava com o apoio e participação de vários empresários..
Juntaram alguns números bem interessantes relativos a produção industrial de alimentos e perceberam o impacto do setor no PIB local.
Reuniram informações que poucos conheciam, como por exemplo: A frota de caminhões responsáveis pela logística de distribuição dos produtos Made in Marília, se colocados em fila indiana, daria uma extensão de mais de 18 km; por meio da análise do volume de vendas registraram que a cada minuto 3 embalagens de produtos marilienses eram abertas e consumidas em várias partes do mundo e mais outras tantas curiosidades.
Daí nasceu a ADIMA - Associação das Indústrias de Alimentos de Marília e o slogan da Capital Nacional do Alimento.
Digamos que este movimento consolidou a primeira etapa do movimento.
E depois, o que veio?
Mais recente um grupo de empresários e empreendedores organizou o APL (Arranjo Produtivo Local) de Alimentos. Novamente o CIESP tomou a iniciativa, desta vez, sob o comando Shikao Nishimura, então presidente da instituição. Indústria, mais o conhecimento e expertise dos pesquisadores ligados a universidades e neste contexto de esforços e propósitos coletivos se concretiza a ADIPA Associação de Desenvolvimento da Indústria de Produção de Alimentos.
Mais abrangente e sem limites de território a ADIPA tem 3 pilares como Norte dos trabalhos:
1) Propósito: Construir um mundo melhor por meio da integração, cooperação e desenvolvimento da indústria de alimentos.
2) Visão: Ser referência para a cadeia produtiva de alimentos na integração com empresas, governo, academia e sociedade civil, e no fomento da inovação e da sustentabilidade, gerando assim valor para o mundo.
3) Valores:
- Transparência: Colaboração, Comprometimento, Inovação, Excelência, Imparcialidade.
E já estão dando passos largos nesta visão de futuro.
Recebi a informação da minha amiga Sandra Yamashita Matunoshita de que estivemos representados no maior evento de alimentos que acabou de acontecer na França.
Mais de 100 empresários brasileiros desembarcaram em Paris para a Missão Comercial SIAL Paris 2022. O ponto alto deste evento são as Rodadas de Negócios entre brasileiros e compradores internacionais . Além de ser uma grande vitrine é um "treino" para entender e conhecer melhor o mercado europeu que é muito exigente.
E Marília, esteve lá?
Sim, nosso "embaixador" foi o Edivaldo Colombo, profissional de larga experiência no setor de alimentos e com vivência internacional muito bem consolidada em seu currículo.
Concluindo esta longa postagem podemos dizer que a consolidação de uma proposta de posicionamento comercial é a soma de fatores que ocorrem em cadeia temporal, mais a visão inovadora e o comprometimento de muitos profissionais com a causa. Marília ganha, o PIB brasileiro ganha.
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