quinta-feira, 15 de junho de 2023
Caminho da Fé - Uma possibilidade regional
A construção de um destino turístico passa por etapas que contemplam desde os recursos naturais disponíveis na região, devendo-se considerar e respeitar a cultura e as tradições locais, a acessibilidade e a segurança dos turistas.
Organizados estes primeiros itens os colaboradores envolvidos na construção do novo projeto precisam encontrar resposta para a pergunta que vai determinar o sucesso da nova rota e fazer com que ela se torne objeto de desejo: Qual será a experiência que vamos oferecer aos visitantes?
Neste novo conceito de consumo em que vivemos, deixamos de comprar produtos e serviços e valorizamos mais a experiência que nos será proporcionada após o processo decisório da compra. Passamos da fase do Ter para o Ser.
Usamos determina marca de roupa, compramos produtos e alimentos naturais, substituímos o carro pela bicicleta ou pelo coletivo, optamos pelo café descafeinado, alimentos sem gordura, fazemos caminhadas, entre outras atitudes, porque elas nos inserem em um contexto sustentável que gostamos de pertencer e nos faz bem.
Assim é o “Caminho da Fé, tradicional roteiro turístico brasileiro inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela. Foi idealizado e desenvolvido para dar estrutura às pessoas que por motivos diversos e, não somente por questões religiosas. Partindo de pontos diferentes pessoas fazem a peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes experiências incríveis, pontos de apoio e infraestrutura em mais de 300 km de trilhas.
E aqui na região de Marília algo semelhante começa a ser estruturado. Num futuro não muito distante poderá se constituir na mais nova opção de turismo. Tudo começou com a atividades dos bikers, essa turma cheia de vitalidade que nos finais de semana e feriados vão para as estradas e deixam a adrenalina fazer o seu trabalho de gerar endorfina.
Talvez você não saiba que em Marília existem vários grupos de bikers e que cada time tem sua própria marca estampadas nas camisetas e acessórios coloridos. As bicicletas variam de preços que começam na casa dos R$ 3000 reais e podem chegar a mais de R$ 70.000, levando-se em conta o material de sua fabricação, o sistema de freios, os acessórios e toda a tecnologia embarcada.
As aventuras e desafios vencidos são registrados no Strava, um site global disponível na internet e que guarda as informações de cada atleta, caminhos percorridos e detalhes sobre do percurso. Um dos usuários é o advogado e professor universitário Danilo Pieroti, biker que tem no seu currículo a façanha de sair de Marília com destino a Rio de Contas, na Bahia, junto com o amigo Formiga que é escalador profissional e foi companheiro nesta aventura.
A Rota das Capelas está em fase de organização e marcação dos pontos. Tem como ponto de partida a Catedral de São Bento, segue para zona sul sentido Serra do Rio do Peixe, passa pela Serra da Torre, em seguida Ocauçu, distrito de São Benedito, segue sentido distrito de Amadeu Amaral, passa pelo Caminho da Roça (antigo Boteco da Luzia), Avencas, sobre a serra mirante de Avencas e finaliza no Mosteiro da Divina Misericórdia.
As trilhas ganharam nome de batismo dados pelos esportistas e se popularizam pelo mundo digital. Foi destas aventuras que observaram as capelas existentes nos trechos e daí surgiu a “Rota das Capelas”.
O percurso total bate perto de 70 km de estradas vicinais e entrega aos aventureiros paisagens deslumbrantes com passagem por rios e riachos, água de mina de beber na palma da mão, ouvir canto de pássaros e encontros inusitados com os habitantes da natureza e muito suor. A vantagem das trilhas e caminhadas é que são atividades mais silenciosas e a conexão com o meio se torna mais fácil. Mais adiante nesta jornada de planejamento das trilhas a proposta inclui novos pontos de apoio aos caminheiros com a recepção em chácaras e sítios que estão no trajeto, assim como acontece na Rota da Fé que leva a cidade de Aparecida do Norte.
Marília no site estadual do cicloturismo (https://www.turismo.sp.gov.br/guia-tematico-cicloturismo)
Nesta proposta inicial o percurso poderá ser feito em dois dias de caminhada, vivendo a imersão das emoções, o contato com as pessoas e suas culturas, a degustação de comidas típicas, de beber o café passado no coador de pano, o chá de cidreira no bule do fogão a lenha. As orações, a introspecção dos sentidos e a renovação interior e dos sentimentos completam a experiência.
Podemos dizer que estamos literalmente a poucos passos de tudo isso se tornar realidade porque muitas pessoas congregam e fortalecem esta iniciativa que tem o apoio do governo do estado de São Paulo, da administração municipal por meio da Secretaria de Turismo e dos voluntários do Comtur – Conselho Municipal de Turismo.
Serviço e contatos:
Nelson Mora, Secretário Municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico – (14) 3422-3605
Fernanda Monteiro Violante, Secretária Adjunta da Sectur (14) 3422-3605
Ivan Evangelista Jr, presidente do Comtur e Membro da Comissão dos Registros Históricos de Marília (14) 998641555
segunda-feira, 5 de junho de 2023
Beleza se põe na mesa
2º Concurso de gastronomia PANC movimenta a região
Neste sábado 03/06, aconteceu na Estância Vale da Graça a 2ª edição do Concurso de receitas elaboradas com PANC – Plantas Alimentícias não convencionais. O concurso integra ações comemorativas ao Dia Internacional do Meio Ambiente que tem como data 5 de junho.
O organizador do evento André Yoshimoto, arquiteto de formação, é um entusiasta do tema e também empreendedor do circuito de turismo rural na região de Marília. O sítio Vale da Graça é uma propriedade que se encontra entre as serras da cidade de Vera Cruz (16 Km de Marília).
Com várias cachoeiras,piscinas de água natural, balanços e recantos o sítio é um dos destinos preferidos de quem curte ficar junto a natureza e desfrutar de momentos de tranquilidade. Para quem prefere mais conforto o sítio tem chalé, e para os que gostam de estar bem mais próximos do meio natural há cabanas e mini chalés e você pode optar por armar sua própria barraca.
A ideia de promover o concurso de receitas Panc surgiu após participar do curso de Turismo Rural promovido pelo Senar com a instrutora Graziela Grecco. O curso é bem abrangente e um dos módulos é sobre gastronomia típica rural e resgate de culturas e sabores. As Panc são parte da nossa história de vida, antecedem em muito os canteiros de alfaces, almeirões, rúculas e outras espécies.
Na lida das lavouras os trabalhadores rurais já colhiam seu alimento durante o trabalho da colheita, nos embornais pendurados no pescoço guardavam a beldroega, o caruru, o maxixe, a pimenta comari, o almeirão bravo, a serralha e outras espécies naturais. Era chegar em casa e preparar a salada ou o refogado e acrescentar ao prato.
No primeiro concurso realizado em setembro de 2022 participaram 9 pratos concorrentes com receitas próprias. O vencedor trouxe a receita de ravioli com Ora Pro Nobis, recheado com cogumelos, decorado com brotos de alfafa e ragu de ossobuco.
Nesta edição o número de inscritos teve um crescimento de 150% em relação ao evento anterior e os pratos, tanto na composição das receitas, como na apresentação final, surpreenderam a banca julgadora. O principal motor destes concursos é a valorização da cultura cabocla e o resgate de receitas que fizeram parte de histórias e culturas das famílias do meio rural no interior paulista.
A banca julgadora foi composta por quem entende do assunto e após a degustação de todos os pratos tiveram a difícil missão de eleger o melhor, segundo os critérios: Melhor prato; Melhor apresentação visual; Melhor sabor e Originalidade.
Um grupo de avaliadores com alto conhecimento sobre gastronomia compôs a banca: Sthefanos Gallos, chefe de cozinha grego, proprietário do restaurante Villa Aratoca; Juliana Gianoni, professora de Alimentos da Fatec Marília e pesquisadora das PANC; Julia Bastos, nutricionista pela Universidade Federal de São Paulo e especialista pela USP; Renata Diniz Chaves, professora de confeitaria e formadora de novos talentos na gastronomia; Glays Regine, trade marketing da Life Tecnologia.
O evento com a presença a presença de Cristiane Tinetti, primeira da dama do município de Vera Cruz e membro do Comtur daquela cidade, e Ivan Evangelista, presidente do Comtur de Marília.
O evento fortalece as ações de incremento das rotas turísticas da nossa região que tem por nome RT Alto Cafezal, e reúne propriedades que já atuam no turismo rural, atrativos históricos e culturais, festas típicas e pontos turísticos naturais.
No mês de maio o governo estadual instalou totens que indicam as cidades da região como destino. O de Marília está em frente ao Museu de Paleontologia.
E para completar o conjunto de ações pró turismo regional a Concessionária Eixo está elaborando um APP com destinos turísticos da região. O aplicativo está em fase de coleta de informações.
Fotos: Ivan Evangelista Jr
quinta-feira, 1 de junho de 2023
E a roça foi parar na av. Rio Branco
Esta história começa com resgate de uma outra história que tem até filme no
youtube e que aconteceu bem antes da pandemia. Eu estava ministrando aulas em um
curso de pós-graduação e levei um sorveteiro para dentro da sala de aula. Isto
mesmo, um sorveteiro e todo seu equipamento de trabalho. Não era um carrinho de
sorvete qualquer, tinha uma bicicleta acoplada e isto lhe dava maior mobilidade,
ele criou um cardápio, igual ao dos restaurantes, só que neste caso feito com
embalagens dos vários tipos de picolés que vendia. Desta forma ele evitava ter
que abrir a tampa a todo momento para os clientes poderem ver o que tem lá
dentro, e mais, perdendo a refrigeração interna que mantinha os picolés em bom
estado de consumo. E o que mais? – Limpeza, muita limpeza com álcool, a todo
instante pois sabe que os clientes observam a aparência do carrinho. Tem mais.
Ele raspava os pelos do braço para evitar qualquer situação embaraçosa quando
servia os produtos e tinha uma agenda que fazia escala, em horários diferentes e
em pontos diferentes. Da porta do cemitério onde era sua primeira parada ele
seguia para as portas das fábricas seguindo o horário de intervalo das turmas, e
no final do roteiro parava na porta de uma escola. Por estas e por outras tantas
razões ele se tornou um case de sucesso e foi parar na universidade. Deu show,
respondeu perguntas sobre planejamento e gestão do negócio com a maior
facilidade e ainda falou sobre gestão financeira. O tempo passou e vi que o
sorveteiro sumiu do ponto em frente à entrada do cemitério. Pensei que tivesse
mudado de cidade ou se aposentado. Por isso os textos acima estão no passado.
Mas olha só que surpresa boa, reencontrei o Esteves no primeiro dia de junho
deste ano. Ele mudou de ramo de negócio. Agora vende Coisas da Roça na baixada
da av. Rio Branco, bem na esquina com a rua Bororós. O carrinho é outro, se
assemelha a uma pequena vitrine onde deixa expostos seus produtos. Tem pães
caseiros, queijo fresco, beliscão, bolo de fubá, bolo de milho, doce de Jaca,
doce de chuchu e outras variedades. Tudo feito pelo Esteves e sua esposa. No
nosso diálogo, perguntas e respostas: - E o carrinho de sorvete antigo? R: “Fiz
melhorias, coloquei motor de moto, dei uma ajeitada no design, incrementei sabe,
e ficou tão bom que apareceu um comprador e pagou o preço que pedi.” - E este
novo ponto? R: Escolhi porque tem movimento bom, muitos clientes aposentados
passam por aqui e eles gostam de comer produtos de boa qualidade. E tem a
farmácia aqui na frente, a Unimed do outro da rua, sabe como é, uma coisa puxa a
outra.” - E mais o que seu esteves? R:” Inventei de fazer uma feijoada a pedido
de alguns clientes. Vendeu tudo rapidinho, entreguei as encomendas em embalagens
especiais, coisa de primeira, carne seca que eu mesmo faço, bastante
ingredientes e feita no fogão a lenha. O capricho ajuda a vender.” Foi um
reencontro daqueles que a gente nunca espera. E ainda ouvi dele a seguinte
frase: “Eu fico feliz quando o senhor aparece, gosto de conversar sobre estas
coisas professor.” Eu igualmente feliz caro Esteves. Suas histórias e sua
capacidade de reinventar-se, sua perspicácia nos negócios me são fontes de
inspiração. Eu lhe desejo muita saúde, bons negócios e que continue sua
trajetória empreendedora. Ivan Evangelista Jr, é membro da Comissão dos
Registros de Marília e presidente do Comtur
sábado, 27 de maio de 2023
Spielberg da paleontologia visita Marília
Prof. Anelli está realizando o projeto “Na trilha dos Dinossauros” No mês de
maio a cidade de Marília recebeu a visita do profº Luiz Eduardo Anelli, do
Instituto de Geociências da USP, considerado um dos mais renomados pesquisadores
do mundo da paleontologia. Ele foi idealizador e curador da exposição “Dinos na
Oca e Outros Animais Pré-Históricos, no Parque do Ibirapuera, chegando ao
impressionante número de 550 mil visitantes, é autor de vários livros:
Pterossauros Brasileiros, Dinossauros e outros monstros – Uma viagem à
pré-história do Brasil, Novos Dinos no Brasil, Novo Guia Completo dos
Dinossauros do Brasil, Evolução dos Bichos, dentre outros. Por estas razões e
muitas outras de natureza científica e cultural o prof. Anelli pode ser
considerado o “Spielberg” dos dinos no Brasil. Seu nome está presente nos
maiores trabalhos ligados a paleontologia e seus projetos culturais e pesquisas
são apoiados por importantes universidades e apoiadores. E o motivo da sua
visita em Marília foi a realização de mais um projeto científico que objetiva
mostrar a trilha dos dinossauros. Ele está percorrendo cidades que possuem
museus paleontológicos e faz registros fotográficos e vídeos, mostrando as
instalações e o acervo de cada um desses equipamentos turísticos. Foi uma visita
rápida na aqui na cidade, porém muito produtiva e rica culturalmente falando.
Extremamente focado e objetivo o professor aproveitou cada minuto para extrair o
máximo de informações e conteúdo nas conversas com o coordenador e pesquisador
Willian Nava. Ficou muito claro que na conclusão do projeto das trilhas e na
revelação deste roteiro para o mundo, a cidade de Marília vai ganhar maior
visibilidade como destino turístico. Na manhã do dia 22 de maio, acompanhado do
Willian Nava, ele visitou e se encantou com a Serra de Avencas. E por estes
acasos que só destino pode explicar, no momento da visita dos pesquisadores foi
localizado mais um fragmento de fóssil. Em suas palavras sobre a experiência da
visita na Serra de Avencas o prof. Anelli mandou um recado para a comunidade
mariliense: “Qualquer país do mundo que hoje prioriza a educação, transforma
aquele lugar num lugar de parada, para se observar rochas, para se observar a
paisagem, e para ler em algum tipo de totem as informações sobre o que aquilo
representa porque há 70 milhões de anos, quando a América do Sul havia acabado
de se descolar da África, quando o clima era outro, quando a biologia era outra.
Aprender sobre aquele lugar é aprender sobre o mundo”, e completou – “nós
precisamos aprender a tirar proveito desta riqueza e patrimônio cultural que nós
temos aqui.” Em seguida ele foi recepcionado no Museu de Paleontologia de
Marília e se mostrou bastante entusiasmado com tudo que viu e não escondeu
momentos de grande surpresa e encantamento. Sobre o museu ele comentou: “O museu
é um depósito de tesouros culturais que nos ajudam a compreender o mundo. Se
quando criança, se existisse um museu desse na minha cidade, acredite, eu iria
todos os dias olhar todas as coisas.” Para o pesquisador mariliense Willian Nava
esta visita e a oportunidade de participar de tão importante projeto é mais um
marco histórico em sua carreira científica. Ter o seu trabalho reconhecido por
cientistas e pesquisadores deste nível internacional é muito gratificante e
reforça a sua valorosa contribuição ao turismo receptivo em Marília. Seu
trabalho e sua história já foram tema de novela na Morde e Assopra na Rede
Globo, no ano de 2011, proporcionando aos espectadores 179 capítulos de
histórias e aventuras. Agora é esperar para ver e conferir o impacto desta mais
nova proposta de trilhas e caminhadas seguindo as pegadas dos Dinos. Todos os
projetos sobre o Museu de Paleontologia e das trilhas na região de Marília
contam com o apoio do Comtur, em trabalho conjunto com a Secretaria do Trabalho,
Turismo e Desenvolvimento Econômico de Marília. Os investimentos necessários são
oriundos do governo estadual, por meio do Departamento de Apoio ao
Desenvolvimento dos Municípios Turísticos – DADETUR, e repasses do programa MIT
– Municípios de Interesse Turísticos e Estâncias. Ivan Evangelista Jr, é
presidente do Comtur Marília e membro da Comissão dos Registros Históricos da
Câmara Municipal de Marília
sábado, 25 de fevereiro de 2023
Destino: Distrito de Padre Nóbrega
Criação da Estação de Estudos Ambientais e de sustentabilidade
Este projeto nasceu a partir de visita na praça localizada ao lado e aos fundos da igreja Nossa Senhora Aparecida, localizada na Av. Sampaio Vidal, 379, distrito de Padre Nóbrega, oportunidade em que constatamos as belezas naturais e o consequente insight para a presente proposta.
Justificativa e fatores favoráveis:
O distrito de Padre Nóbrega faz parte do desenvolvimento socioeconômico de Marília, tem histórias e raízes culturais relevantes que merecem ser preservadas, conta com moradores que são pioneiros da sua criação, é ponto de encontro e de passagem de praticantes dos esportes do ciclismo, do moto Trail, das trilhas e caminhadas e se constitui em âncora de serviços e atendimento comercial para novas comunidades que se instalaram nos novos loteamentos em seu redor.
Os comércios estão modernizando suas instalações, novos empreendimentos, novas atividades culturais e maior movimento na praça da igreja, ponto de encontro dos moradores e visitantes.
Porém, próximo dali, existe um ponto de risco ambiental que merece atenção das nossas autoridades e secretarias municipais. Em terreno próximo ao cruzamento da linha férrea, pegando sentido Rosália, lado direito, área sofre com constante despejo de lixo e material inservível. No mesmo local já se observou uma “lagoa” que não se tem informações se foi formada por fonte de água ou por escoamento do esgoto. Hoje a lagoa está encoberta por plantas, mas devido ao despejo de lixo o ponto se tornou opção de “garimpo de reciclados” por populares que ficam vulneráveis a várias doenças e riscos.
A estrada em questão é caminho para condomínios residenciais, chácaras e produtores rurais que dependem da sua conservação para escoamento de produtos agrícolas e transporte de gado, mais outro empreendimento de turismo rural que já conta com vários anos de funcionamento.
Por iniciativa do executivo e da Secretaria do Meio Ambiente, em parceria com outras secretarias municipais é possível reverter esta situação. Educação Ambiental seria a resposta mais assertiva para a solução dos problemas vividos. Trabalho que envolve a comunidade, as escolas municipais, professores e alunos, e os proprietários rurais da região.
A criação do Parque de Estudos Ambientais e de sustentabilidade envolve ações básicas e que não vão requerer grandes investimentos. Vejamos:
a) Mutirão de limpeza da região impactada, retirada de material inservível e cercamento da área para proteção de invasões e despejos irregulares;
b) Plantio de mudas de espécies arbóreas que respeitem o contexto da flora nativa e a integração com o meio urbano;
c) Implantar uma estação de coleta seletiva de lixo, também conhecida como Ecoponto, com o detalhe da rigorosidade no cronograma de coletas evitando o acúmulo e o garimpo reciclável irregular,
d) Criação de um projeto de “Adoção do espaço ambiental” por crianças e comunidade, trabalho que será desenvolvido com as escolas do distrito;
e) Sinalização turística com vistas a orientação dos praticantes de esportes no meio rural, bem como, maior conscientização das riquezas naturais por meio de ações educativas continuadas;
f) Fiscalização e monitoramento continuado por parte do poder público na preservação das melhorias, o que certamente vai encorajar a própria população a assumir o papel de vigilante e a consequente redução das ações irregulares.
Quais equipamentos já existentes podem ser incorporados a esta proposta?
A praça da igreja é ponto de encontro da comunidade e dos esportistas que aproveitam a sombra para o refazimento das energias. A praça conta com várias espécies já catalogadas, árvores enormes que chama a atenção pelo porte e, também, pela beleza das formas das raízes. Encontramos neste espaço o Araxixá e o Jequitibá, mas há outras que já foram igualmente catalogadas e tombadas na condição de “Imunes ao Corte” e “Sementeiras”.
O pequeno jardim é muito agradável e por falta de uma maior atenção de nossa parte passa despercebido. Temos ali um conjunto de fatores e recursos naturais que podem sugerir a criação de um Parque de estudos ambientais que vai dar suporte na formação na educação de jovens e adolescentes, na integração com grupos de pesquisa de universidades. Está praticamente encaminhado o processo de criação de um espaço comunitário para a educação ambiental da comunidade local e dos visitantes, para tornar mais visível a riqueza da fauna e da flora e se constituir em um dos pontos turísticos de grande visitação na região.
As espécies arbóreas mencionadas, a praça, os estabelecimentos comerciais em frente ao espaço, somam outros fatores favoráveis:
a) O conjunto de construções já existentes no local, sendo salão da comunidade religiosa que pode ser compartilhado com os organizadores e executores dos projetos ambientais, possui quadra de esportes, possui sanitários e lanchonete que atende diariamente, tem postinho de saúde anexo à praça, tem serviço de transporte urbano e outras facilidades;b) O jardim está localizado em região estratégica do distrito e conta com significativo movimento diário de pessoas e veículos que utilizam as vias de Padre Nóbrega e o acesso ao novos bairros do outro lado da pista(Montana, Cavichiolli);
c) O distrito é regularmente freqüentado por grupos de ciclistas (bikers) que fazem o circuito Marilia- Nóbrega-Oriente- Avencas – Pompéia em vários dias da semana e com maior intensidade nos finais de semana;
d) A região é rica em recursos naturais e biodiversidade, também é acesso para o distrito de Rosália por estrada de chão, tem pesqueiros que recebem visitantes com regularidade, é caminho de passagem para o empreendimento conhecido como Fazendinha, conhecido pelas atividades de educação ambiental e lazer familiar, é caminho de passagem para sítios e pequenas propriedades que atuam na produção de hortaliças e legumes e outras já capacitadas para a atividade do Turismo Rural.
A criação do Parque de Estudos Ambientais pode envolver os seguintes atores:: Comissão de Registros Históricos da Câmara Municipal de Marília; Secretaria de Turismo, Secretaria do Meio Ambiente e Limpeza Pública, Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria da Educação, Secretaria da Cultura, Secretaria e Esportes e Lazer e Juventude, em parceria com o Comtur e com as universidades interessadas na firmação de convênios para estágios e realização de trabalhos comunitários integrados.
Benefícios diretos e indiretos para a comunidade local:
a) Melhor utilização de espaço comunitário com a conseqüente sensação de maior segurança, proteção e pertencimento;
b) Com a intensificação de novas atividades, com a presença de grupos de estudos, pesquisadores, esportistas e visitantes em geral o comércio local terá impacto positivo no aumento das vendas e vai descobrir novas oportunidades de negócios que podem ser benéficas para novos empreendedores. O Sebrae, o Senac, o Senar, a Fatec , entre outras instituições e as universidades podem oferecer cursos de capacitação;
c) A coletividade ganha um centro de estudos que tem perfeita sintonia com a sua proposta e o meio em que está inserido e, assim poderá ser indutor natural de novos empreendimentos no segmento do turismo e do lazer. Por conseqüência o meio ambiente é mais valorizado e as ações de preservação serão intensificadas;
d) Com o desenvolvimento das atividades propostas os jovens estudantes da localidade poderão ser capacitados para atuarem como guias de turismo ambiental, vão conhecer melhor a história do seu distrito e dos pioneiros, das primeiras fazendas e famílias que contribuíram para a formação do patrimônio;
e) A visitação em propriedades rurais e locais abertos será uma oferta a mais nas opções de lazer e cultura para Marília e região. Registro que no caminho de Nóbrega a Rosália tem a Serra das Sete Curvas que é um local de extrema beleza e muito agradável para passeios;
f) Em questão de tempo a criação de novos roteiros turísticos será incrementada de forma natural podendo contemplar atividades de visita em propriedades de produção de estufa e colheita direto da roça para a mesa da cozinha;
g) E para incentivar proprietários rurais e donas de casa podemos oferecer curso de manipulação de alimentos, produção de queijos e derivados de leite, artesanato e outros que poderão ter espaço na praça para comercialização a exemplo do que já acontece com a feira do produtor rural. Com todo este movimento de pessoas as vendas terão maior sucesso e a fixação do produtor rural no seu meio (e dos familiares) será outro benefício relevante.
h) O espaço revitalizado seria um ponto de referência de ações positivas protetivas ao meio ambiente. No geral a ideia é que o Parque de Estudos Ambientais seja mais abrangente, incorporando a praça da igreja, o novo espaço arborizado, as propriedades rurais, a Fazendinha, o Sítio Olho D’agua e outras propriedades.
O Distrito de Padre Nóbrega possui inúmeras condições favoráveis para se tornar modelo de turismo sustentável. Todos os recursos necessários estão disponíveis e a presente proposta é plenamente viável. Um olhar especial para a educação infantil e dos jovens e o desejo de despertar nessas gerações o olhar protetivo, o sentimento do pertencer ao meio e do comprometimento com causas sociais relevantes.
O COMTUR se apresenta como indutor e integrante do conjunto de entidades e órgãos colaborativos na implementação do presente projeto. E assim que tivermos a adesão da Prefeitura Municipal e das Secretarias, dos parceiros mencionados e outros que são sempre bem vindos, podemos organizar um grande encontro com a comunidade local e convidados para apresentação da proposta.
Ivan Evangelista Jr, é o presidente do Conselho Municipal de Turismo de Marília, membro da Comissão de Registros Históricos da Câmara Municipal de Marília, fotógrafo e autor do livro Guia Prático do Turismo Rural.
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