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Em homenagem à “Cidade Símbolo de Amor e Liberdade” pelos seus 84 anos, o
Centro Cultural Brasil - Estados Unidos de Marília expõe este mês, em sua
Galeria de Artes / Espaço Cultural Prof. Edmond Atallah, belíssimas fotos feitas
por Ivan Evangelista Jr - imagens que mostram a cidade em diferentes períodos do
ano, incluindo registros da fauna silvestre que frequenta as praças e avenidas
da cidade em busca de alimentos. “Costumo dizer que o fotógrafo é um
colecionador de bons momentos. A fotografia tem a magia de eternizar emoções e
guardar a memória de um fato, de pessoas ou eventos que acontecem em nossas
vidas”, disse Ivan em entrevista ao Caderno 2, falando um pouco de sua grande
paixão pela cidade e pela fotografia. “A primeira câmera fotográfica foi uma
Nikon, modelo F608, adquirida em 1996, oferta de um amigo dekassegui que vendeu
o equipamento para juntar recursos e voltar ao Japão. Numa atitude compulsiva,
passei a fotografar quase tudo que estava ao meu redor, descobri que havia uma
segunda e uma terceira visões, além do olhar rotineiro que utilizamos para nos
locomover pelas ruas e calçadas, quase sempre descuidado ou desatento”, disse,
acrescentando: “O olhar pela lente transforma o cenário que está à nossa frente.
O ato de focar a imagem já é, por si, um despertar desta consciência adormecida
que todos têm, mas que muitas vezes fica escondida entre pensamentos e
preocupações que cercam as nossas vidas. E, assim, perdemos inúmeras
oportunidades de apreciar o belo ou o inusitado. Daí algumas pessoas dizerem que
fotografia é poesia.” Segundo Ivan, a preferência por paisagens nasceu de forma
natural. “Sempre admirei as transformações urbanas e gosto muito de registrar o
dinamismo da nossa cidade. A fotografia acontece, primeiro, na mente do
fotógrafo. Ele faz a leitura do cenário, analisa, interpreta e somente depois é
que aperta o botão da máquina para disparar o diafragma, ou seja, a foto já
aconteceu, foi precedida de um diálogo mental muito profundo e questionador.
Nesta exposição, por exemplo, utilizei alguns recursos de manipulação digital de
imagens para destacar linhas e estruturas geométricas que estão presentes no
conjunto da imagem, mas, se não houver esta intervenção elas ficam
despercebidas. Foi o que eu descobri ao fotografar o bondinho do parque
“Monteiro Lobato”, uma arquitetura de traços que valorizam a temática central. O
bonde já é uma grande atração visual pela informação histórico e cultural que
carrega, mas as suas linhas e contornos, as linhas retas de suas janelas, quando
destacadas, se transformam em molduras para outros cenários subjetivos e
implícitos na mesma foto. No mesmo contexto, estão os ipês brancos registrados
no bosque municipal “Rangel Pietraroia”. A foto original e colorida foi
transformada em preto e branco e ganhou uma nova matização e mais contraste. O
resultado foi um jogo de luzes e sombras que realçou e harmonizou a paisagem, de
forma que as pessoas que visitam a exposição e observam o quadro são
transportadas intuitivamente para o cenário. Mas há também fotos de paisagens,
de serras cobertas de neblinas, fotos feitas durante os períodos de inverno,
onde as furnas e itambés que rodeiam a cidade guardam no fundo das encostas a
massa de ar quente do dia. Nas madrugadas, nos momentos que antecedem o
despertar do sol entre as linhas do horizonte, o choque entre o frio e a umidade
do sereno, com massa de ar quente, produz este fenômeno da neblina branca e
densa, que mais parece um mar de leite descansando em berço esplêndido,”
comentou Ivan, afirmando que “é esta a proposta da exposição: tirar as pessoas
do olhar comum e transportá-las para o mesmo ponto de vista do fotógrafo, de
transportar o visitante da condição de agente passivo, de simples espectador,
para integrante da cena, de despertar sentidos e proporcionar uma viagem até o
local onde a foto foi realizada e chegar ao ponto de sentir toda a energia que
estava ali naquele momento. Parece algo meio que surrealista, mas não é. Na foto
da Avenida Sampaio Vidal, enfeitada para o Natal com luminárias representando
ramos de café e coloridas de verde, é possível entender bem esta proposta de se
deixar levar para um estado de mente criativa e harmonizada. O conjunto de luzes
contrastando com o fundo escuro da noite, as linhas dos prédios, a arquitetura
urbana revelada timidamente, o leito do asfalto e mais uma série de informações
subjetivas presentes na cena, são estímulos visuais e sensoriais que despertam
emoções na observação da cena emoldurada.” Além de fotógrafo, Ivan Evangelista
Jr. é também chefe de gabinete da reitoria e gestor de Marketing no Centro
Universitário Eurípides de Marília - UNIVEM, apicultor, membro da Comissão de
Registros Históricos de Marília e autor do blog www.afotoquefala.
blogspot.com.br Sobre o Espaço Cultural do CCBEU (localizado na rua Cel. José
Braz, 77), o autor das fotos expostas na “Exposição de Emoções...Marília Bela”
afirmou: “é um local privilegiado e eu agradeço aos diretores por esta
oportunidade de expor meu trabalho para os alunos e visitantes. Valorizar o
trabalho artístico é uma atitude que nos incentiva a continuar trazendo novas
exposições para o público mariliense.” A exposição pode ser vista de segunda a
sexta-feira das 8h30 às 11h e das 13h30 às 20h (sábados das 8h30 às 11h), até o
dia 29 deste mês. Mais informações: tel. 3454- 4110.
Fonte: Jornal da Manhã, edição de 10/04/2013