sexta-feira, 11 de março de 2022

Marília, terra de oportunidades e bons negócios

 O ano é 1997 e os primeiros dekasseguis que deixaram o Brasil começavam a retornar. Para se ter uma ideia, a cada ano, o grupo de brasileiros que trabalhava lá no Japão poupava em torno de 4 bilhões de dólares e grande parte desejava voltar e se estabelecer. Mas o que fazer, onde, como, será que daria certo?

O balcão de atendimentos do Sebrae/SP era a primeira indicação de contato para quem trazia na mala esperança e muita grana. Tudo que eles mais precisavam era uma orientação segura sobre como investir em uma nova atividade que lhes desse a oportunidade de serem donos do próprio negócio e não precisar deixar a família novamente.

Reprodução foto da revista

O Sebrae Marília se tornou referência nas consultorias e se constituiu na única regional da entidade no Brasil que mantinha um programa de orientação aos dekasseguis.

Com a importante participação da equipe de colegas da regional mapeamos negócios e oportunidades que se tornavam boas opções de investimentos e, assim, o fluxo de atendimentos ganhou visibilidade nacional.

Todo o dinheiro dos trabalhadores era canalizado para o Banco do Brasil, condição da política governamental vigente sobre recebimentos e transferências de valores para o Brasil. Neste mesmo período eu tive outra experiência muito bacana que foi ajudar a montar a estrutura do Balcão Sebrae na agência do banco e cidade de Tóquio. Ajudei no treinamento e capacitação de uma colega atendente japonesa que dominava o idioma português. As relações de Marília com o Japão e toda a história do nosso desenvolvimento, desde as primeiras lavouras de algodão com a chegada dos primeiros imigrantes foram conexões que contribuíram muito para este processo de integração.   

Antes de voltar eles já podiam sondar as oportunidades e o intercâmbio de informações foi muito produtivo. Aqui em Marília ficou uma espécie de central de atendimentos e os demais escritórios do estado enviavam informações sobre oportunidades de negócios nas suas regiões. Tudo era encaminhado para Tóquio e desta forma já era possível uma visão antecipada para tomadas de decisões futuras.


Esta história foi contada em detalhes pela Revista Japão Aqui e mostrou a saga dos brasileiros no exterior e o destino das fortunas. Marília ganhou destaque nacional porque concentrava boa parte dos primeiros descendentes ou cônjuges de japoneses que tomaram destino aos empregos no Oriente. Aqui na cidade várias agências recrutavam trabalhadores e ainda hoje algumas delas continuam atuando.  

Foi um período em que os aluguéis de imóveis para negócios na área central dispararam nos preços, igualmente, a cobrança por “pontos comerciais” que muitas vezes nem eram tão bem localizados. Lei da oferta e da procura.

A foto acima tem um banner que ficava bem na entrada do escritório e no mapa estadual, valorizando a posição geográfica privilegiada e a distância com outros grandes centros. Tivéssemos naquele momento histórico os cursos que hoje trabalhamos na Trilha do Empreendedorismo (Primeiros Passos, Organize seu Negócio, Descomplique seu Negócio)   fariam o maior sucesso.

Isto nos  mostra o quanto o Sebrae é comprometido com o empreendedor brasileiro e mantém constância de atualização e visão para acompanhar todo o movimento dos negócios em nível nacional e internacional.


Mais recente, vimos e acompanhamos em tempo real a participação do empresário mariliense Marcelo Mantelli na Expo Dubai e Gulfood. A feira apresentou um espaço muito interessante e que ilustra bem o seu principal objetivo – The Opportunity Pavilion, Mission Possible.

É por essas e por tantas outras razões que nos mantemos no radar dos investidores. Marília desde o início da sua história sempre foi terra de bons investimentos e de novos negócios.


E aí, gostou de saber destas histórias? Passe no escritório Sebrae e faça sua inscrição para o próximo curso de capacitação empresarial. Com o certificado em mãos você já poderá solicitar o seu primeiro empréstimo no Banco do Povo e ganhar aquela força para transformar seu sonho em realidade. A hora é agora.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Café, pujança e desenvolvimento na Alta Paulista

 Plantadas as primeiras glebas de café na região de Marília foi preciso investir em outras culturas para aguardar o período de produção dos frutos. No conhecimento popular são as chamadas culturas intermediárias que ajudam no sustento das famílias até a primeira colheita.


O algodão foi a lavoura que mais cresceu nos primórdios da cidade e isto levou a construção das primeiras máquinas de beneficiamento de algodão que ocuparam as ruas da cidade menina. O Zillo e a Matarazzo foram as principais indústrias de transformação dos caroços da pluma branca.

Parte deste patrimônio histórico ainda faz parte do contexto urbano. Ao caminhar pelas ruas da cidade podemos observar prédios que movimentaram a economia local. Nas ruas adjacentes se enfileiravam os caminhões com as cargas vindas das lavouras aguardando a vez da descarga que muitas vezes adentravam a noite.


O maior conjunto de prédios históricos está na avenida das Indústrias, hoje, sede dos órgãos Poupa Tempo, Ganha Tempo e parte da garagem do corpo de bombeiros. Logo na frente, do outro lado, na av. Sampaio Vidal outro prédio que integra o roteiro do café.  

Na rua Duque de Caxias, fechada há muitos anos, com o letreiro desbotado teimando em aparecer está a Máquina Montolar, na Rua Bahia e na rua Paraná mais prédios se avizinham da malha ferroviária desativada que corta a cidade no sentido norte – sul. Interessante verificar que as arquiteturas são bem semelhantes o que pode indicar que seria um modelo de construção rápida e que atendia as necessidades.




Famílias e máquinas beneficiadoras de café em Marília

Proprietários: José Froio, Irmãos Buffulim, Aspertti, Sotero de Camargo Barbosa, Mazioti& Queilles, Francisco Martins Junior, Santa Helena de irmãos Maldonado, Francisco Angelo Montolar.

*O Matarazzo chegou a fazer óleo de café, comprava os grãos do Instituto Brasileiro do Café.

Uma multidão de trabalhadores

Os caminhões encostavam a traseira no batedor, nome dado a prancha de madeira instalada rente as bordas das portas dos barracões. Dali em diante entravam em ação os saqueiros, trabalhadores braçais que descarregavam e empilhavam as cargas. Quase nus, vestindo apenas um calção confeccionado com tecido de sacaria de açúcar, trabalhavam até a exaustão porque o ganho era por caminhão descarregado. Na cabeça toucas improvisadas com metades de bolas de capotão (antigas bolas de futebol), ajudavam a proteger o couro cabeludo.

Lá dentro a esteira corria célere e as mãos das catadeiras igualmente ágeis retiravam os grãos imperfeitos, gravetos e pedras, ç. Subiam a esteira e eram despejados nas entranhas da grande máquina que fazia seleção dos grãos. Espessa nuvem de poeira cobria todo o recinto, poeira que se misturava ao suor abundante e grudava nos corpos, um lenço ou pano fino umedecido amarrado no rosto ajudava, ainda que toscamente, a filtrar o ar sempre difícil de se respirar.

Um detalhe da aparência das catadoras era a sobreposição de peças, vestiam geralmente calças compridas cobertas com duas ou mais saias, blusas sobrepostas e um turbante na cabeça em forma de cone para proteger os cabelos. Era uma forma de proteger o corpo da poeira, da terra das lavouras trazidas em cada uma das sacas.

O Edifício Ouro Verde, um marco do ciclo cafeeiro.  


Construído em 1952, o edifício Ouro Verde, – localizado na avenida Sampaio Vidal, próximo à esquina com rua Dom Pedro, é o primeiro prédio de escritórios construído em Marília, conta com 25 salas e ainda conserva elevador da época com destaques e arremates alusivos a lavoura cafeeira.

A idealização e construção foi do pioneiro Jupira Souto, nascido em Conquista, Estado de Minas Gerais em 13 de julho de 1911 que veio para Marília com seus pais no ano de 1927.


Muito ativo dedicou-se ao comércio de compra e venda de arroz e depois ao comércio de café beneficiado, trabalhando para várias firmas de Santos, conquistando assim a sua independência financeira. De 1944 a 1950 assumiu a gerência da Cooperativa Banco de Marília Ltda, período em que realizou a construção do Edifício “Ouro Verde”, cujos escritórios vendeu em menos de oito dias.

Foi comprador de café para a Sociedade Brasileira do Nordeste Brasileiro (SANBRA) e proprietário da Fazenda Santa Mariana, localizada entre Lácio e Vera Cruz. (Fonte: Paulo Corrêa de Lara - Comissão de Registros Históricos, Jornal do Comércio de 05/12/91).

Na mesma época, Souto construiu prédios similares em Garça e em Lins.

*As fotos das fazendas são do livro "Homenagens prestadas ao deputado Bento de Abreu Sampaio Vidal, em 23 de maio de 1937.

#históriasdocafé; #cafémarília; #cafépaulista; #altocafezal;rtaltocafezal

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Turismo regional agora tem fórum próprio

Seguindo as orientações das políticas de desenvolvimento do turismo regional estabelecidas pelo Ministério do Turismo brasileiro, desde o dia 24/02, por meio da realização de reunião virtual com os municípios participantes, foi oficializado o “Fórum Permanente da Região Turística Alto Cafezal”. 


A formação da IGR é critério para que a região Turística faça parte do Mapa do Turismo Brasileiro (http://www.mapa.turismo.gov.br/mapa/init.html#/home) e, na atualidade, são integrantes da região Alto Cafezal as cidades Marília, Garça e Galia. O fórum, como órgão permanente de fomento ao setor terá atenção especial de buscar a integração de mais municípios e atores regionais. Já de algum tempo estão sendo sensibilizados e convidados representantes das cidades de Lupércio, Vera Cruz, Oriente, Álvaro de Carvalho , Ocauçu, Fernão, Júlio Mesquita, Duartina, Getulina, Guarantã, Guaimbê, Alvinlândia, Lucianópolis, Ubirajara .

A primeira condição é que representantes destas comunidades, com o apoio da administração pública, constituam o Conselho Municipal de Turismo (Comtur). O passo seguinte será a elaboração do Plano Diretor de Turismo Municipal que compreende o levantamento das potencialidades turísticas, o resgate da cultural local, o cadastramento dos artesãos em atividade, das propriedades rurais, levantamento das curiosidades e fatos históricos, e toda informação relevante que possa compor a identidade turística local.

A partir deste trabalho os municípios entrantes vão alimentar a plataforma de informações do governo federal e passarão a integrar oficialmente a região Alto Cafezal.


O fórum é um espaço coletivo para alimentar o processo criativo e de autodescoberta das cidades participantes, cada qual com sua identidade e interesses, com a vantagem de poder compartilhar experiências. As disputas e bairrismos regionais devem ser substituídos por alianças voltadas ao interesse comum. Tal ação interativa certamente representa um esforço ponderável na construção de um modelo de desenvolvimento regional, integrado e sustentável.

O mapa é o instrumento instituído no âmbito do Programa de Regionalização do Turismo e orienta a atuação do Ministério do Turismo no desenvolvimento de políticas públicas. É o mapa que define a área – o recorte territorial – a ser trabalhada prioritariamente pelo MTur e pelo Sistema Nacional de Turismo. A Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008 (Lei do Turismo), é o principal marco legal do turismo no país e define como um dos objetivos da Política Nacional de Turismo: promover, descentralizar e regionalizar o turismo, estimulando o envolvimento e a efetiva participação das comunidades receptoras nos benefícios advindos da atividade econômica, que é do que tratam as IGRs.

Durante o encontro para a constituição do Forum Regional ficou decidida por votação a diretoria regional, conforme segue: Presidente: Leonardo Thonarqui, secretário de Turismo de Gália, Vice- presidente: Kleber Carreteiro, membro do Comtur de Garça  e Fernanda Violante, Secretária adjunta da Sec. de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Marília, como secretária.

Participaram representantes da gestão pública, da sociedade civil e da iniciativa privada das cidades de Marília, Garça, Gália, Vera Cruz e Ocauçu. 

Faz parte das ações que competem aos fóruns regionais a articulação de parcerias e negociação de recursos técnicos, normativos e institucionais com as diferentes esferas do poder público, empresários e organismos internacionais, para apoiar a implementação do Programa de Regionalização do Turismo em âmbito regional. 

Na região a vocação turística compreende: a cultura cabocla ou interiorana e a gastronomia típica, o resgate da cultura do café e das propriedades, a exploração sustentável dos recursos naturais (vales, Itambés, trilhas, cachoeiras e paredões) e o turismo de negócios que em Marília responde por mais de 90% do movimento de hospedagem nos hotéis. 

#turismorural; #ruralmarilia; #turismomarilia

A ferrovia Cata-Café na história de Marília

Na linha do desenvolvimento do interior paulista encontramos as ferrovias do cata-café e, se utilizarmos a linguagem moderna, são os primeiros registros de sistemas de logística para escoamento da produção do ouro-verde saindo da roça com destino ao Porto de Santos.

No livro “Marília, Sua Terra, sua Gente, autoria do historiador Paulo Corrêa de Lara, são mencionadas as origens desta história. “Aberto o patrimônio “Alto Cafezal”, em 1924 iniciava-se a venda de suas terras. A primeira data foi vendida por Antonio Nunes e Azarias Celestino, cozinheiro em Cafelândia, custou Rs.50$000 e ficava à rua 24 de dezembro, entre as ruas Prudente de Morais e Nove de Julho. Várias casas foram surgindo, pois a fama das terras adjacentes atraía inúmeros compradores, dada a altitude do lugar, próprio para o plantio de café e, além do mais, os trilhos da Estrada de Ferro já estavam em Duartina...

...Por esse tempo, começaram a derrubada das matas para o plantio de cafeeiros, além dos já plantados por José Amador Leon, onde hoje se localiza a Fazenda Bonfim.
Em outro livro de historiador encontramos registro de fatos que impressionam pelos números: “derrubaram de uma só arrancada mais de 12.000 alqueires de matas e plantaram de um só fôlego, mais de 24 milhões de pés de café”. Para desocupar as terras toda esta mata derrubada foi queimada de uma só vez.
Neste período da história consta que foi registrado grande movimento migratório que perdurou por anos. Vinham do Nordeste com o plano de trabalhar no “Alto Cafezal”, e de 1924 a 1930 a região era vista com um imã de oportunidades e prosperidade.

Por todo lado podia se ver famílias arranchadas embaixo de caminhões de mudança ou em barracas, as serrarias e, os construtores portugueses, não davam conta dos trabalhos e o jeito era improvisar até que as casas de madeira ficassem prontas. Respondendo à lei da demanda e da oferta, neste período, os aluguéis eram altíssimos, mas a esperança de uma vida bem melhor superava os obstáculos e as dificuldades.
Entre idas e vindas fica a lição de que café é paixão. Muitos anos de baixos preços na comercialização e alta constante dos insumos tiraram vários produtores do cenário. Em algumas viagens que fiz vi máquinas tipo esteira juntando pés de café arrancados para a queima e depois dar lugar ao plantio de eucalipto ou pinus.
De Marília até Panorama o que vemos hoje é amendoim. Passando por Pompéia ainda deitamos o olhar em alguns pés de café.

E claro que não podia ser diferente, consultando a cotação, neste exato momento, o valor da saca está em média R$ 1.500.
Fotos sem legenda:
Leandro Moeda, no Espaço Gourmet do Confiança, durante palestra sobre preparo e degustação de cafés (2010)
Caminhão com torrador sobre a carroceria fazendo torra ao vivo para frequentadores da feira livre. Café do Feirante.
#históriadocafé; #cafédemarília; #cafémarília

domingo, 8 de agosto de 2021

Patrimônio Cultural de Marília

Domingo passado encontrei o amigo Ramon Franco na feira livre. Ele é assessor de imprensa da presidência da Câmara Municipal, jornalista, fotógrafo e grande escritor. Sempre bons papos durante estas oportunidades que não são planejadas e aproveitando o dia de folga para por a conversa em dia.

Comentei com ele sobre a feliz iniciativa do vereador Rezende em indicar a feira de domingo como patrimônio cultural da cidade e a aprovação pela Câmara Municipal ( Lei ordinária 8699/2021, de 12/07/2021). O evento dominical é um conjunto que reúne gastronomia popular, cultura, sustentabilidade, diversidade de produtos da terra, curiosidades populares, música e o comércio mais popular que é a feira.


Em apenas uma banca, por exemplo, encontramos quinze variedades de feijão. Isso mesmo, o feijão, iguaria que está presente em todas as mesas brasileiras acompanhado do arroz. Carioquinha, vermelho, bolinha, rajadinho, guandu, branco, preto, feijão de corda e tantas outras qualidades, assim como o arroz Cateto que faz parte da velha culinária cabocla, saudável, bom para risotos e pratos típicos.

Tem a rapadura que nos remete ao tempo dos engenhos, a paçoquinha caseira, o doce de quebra-queixo que lambuza e gruda no céu da boca, tem  comida japonesa, pastel e garapa, tem música de violino, de acordeom, de violão e voz e o tradicional chapéu para arrecadar alguns trocados, a cutelaria rústica, as mudas de frutíferas, queijo de soja, e um cantinho especial para tomar café e ver o domingo passar bem gostoso.


Cada um destes itens mencionados acima, mais outros tanto não listados, são fios condutores de boa pesquisa cultural, de escritos e receitas, de memórias afetivas e paladares brasileiros. Daria um livro de bons capítulos se fossemos explorar sobre cada um e as possibilidades. A feira é um recorte do Brasil que reúne no mesmo espaço uma diversidade rica em saberes e conhecimento popular.

Some a tudo isto a história dos feirantes guerreiros, gente que se põe de pé às duas da manhã para chegar ao ponto e armar a tradicional barraca, gente que colhe hortaliças na madrugada fria para oferecer o diferencial do produto saudável, direto da roça, gente que só vai conseguir almoçar bem mais tarde. Mas eles são felizes e gostam muito do que fazem e por todas estas razões a feira é um patrimônio cultural a ser preservado e explorado.


Experimente viver esta experiência, agende seu próximo café de domingo na feira e leve sua máquina fotográfica e um caderninho de anotações. Surpreenda-se e seja feliz!

Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão de Registros Históricos de Marília, fotógrafo e membro do Comtur Marília