sexta-feira, 20 de abril de 2018

As novas jabuticabeiras da Cascata.



Feliz! Resumo em única palavra o início desta sexta-feira. E entre os vários motivos que me faz mais feliz neste dia menciono a matéria do Jornal da Manhã que registra o plantio de mudas de árvores na praça da rotatória da radial Leste-Sul, também conhecida popularmente como a nova Avenida Cascata.  O ato de cidadania é comemorativo aos 89 anos da Santa Casa e nada melhor do que festejar promovendo a sustentabilidade.


foto internet 
Entre as espécies escolhidas está a popular jabuticabeira. Temos que parabenizar a instituição pela iniciativa que se estenderá por 180 dias de parceria com a prefeitura. Praça pública bem cuidada já é bom, praça publica com jabuticabeira é melhor ainda porque esta frutífera tem muitas vantagens. Dá sombra, embeleza o espaço, dá frutos em abundância e atrai uma diversidade de pássaros, como por exemplo: os  Sanhaços, os Sabiás, os Gaturamos, a Cambacica, entre outros,   que buscam alimentos no meio urbano.

Na florada a jabuticabeira exala aroma muito especial e atrai várias espécies de abelhas que vão colher o pólen para a produção de mel. Neste breve relato já da para a gente perceber a diferença que uma frutífera desta espécie faz no meio ambiente, imagine, então, uma série de jabuticabeiras plantadas em toda a extensão da avenida, intercaladas com pitangueiras, com acerolas e goiabeiras.  Seria um privilégio para os freqüentadores, colher frutos fresquinhos em períodos diferentes do ano.
Ação comunitária de limpeza
E não é por acaso que eu estou com exposição fotográfica na biblioteca municipal sobre a Cascata e seus encantos. Comungo desta irmandade que significa a existência de tão importante recurso natural no meio urbano, comungo com as inúmeras pessoas que em algum momento da vida destinaram uma parte do seu tempo para a preservação das suas margens, que participaram de ações de retirada do lixo, que realizaram o plantio de mudas nativas em áreas que sofreram degradação por erosão ou incêndio, que cuidaram da manutenção das nascentes que ainda restam e precisam de atenção.
revoada de andorinhas sobre o lago Cascata
A Cascata e seu entorno formam um belo cartão postal da cidade. Em São Paulo temos o Parque Ibirapuera, em Londrina o lago Igapó, em Garça o lago das Cerejeiras  e aqui em Marília a nobreza da Represa Cascata. Caminhar na avenida pelas manhãs, apreciar o entardecer e o por do sol, sentir o vento que corre livre e traz a vida dos vales ao seu redor, sentar-se às margens da represa e “ver o tempo passar” é estar em plena sintonia com a vida, ver a revoada das andorinhas na entrada do outono, tudo isso faz muito bem aos sentidos e renova energias vitais.
Vou conversar com os amigos da diretoria da Santa Casa e fazer a proposta de dar continuidade na exposição de fotos da Cascata a partir do mês de maio no saguão do hospital. Seria uma forma de apoiar a iniciativa e levar aos seus freqüentadores uma visão colorida da cidade, com o fato de que podemos incrementar a exposição com fotos do plantio das mudas.
Convido os amigos para participarem da cerimônia do plantio das mudas que acontecerá hoje, às 16 horas, com a participação dos alunos da Escola Bento de Abreu Sampaio Vidal e aproveito a oportunidade para cumprimentar  toda equipe da Santa Casa de Marília pelos seus 89 anos e pela visão sustentável para com a nossa comunidade. 
Cascata, água de beber, sede de viver!

Ivan Evangelista Jr
É membro da Comissão de Registros Históricos de Marília, fotógrafo, e coordenador dos Cursos Superiores de Tecnologia do IST/Univem.

sábado, 13 de janeiro de 2018

O Ave Noturna e seu Cadillac voador

A camionete  com placa preta de originalidade
Durante muito tempo a esquina da Rua Bandeirantes com a Rua Feijó foi vitrine de exposição para uma das camionetes mais bonitas produzidas pela Ford no pós-guerra. A F-150 brilhava na cor verde oliva e guarda sob o capô um potente motor de 8 cilindros. Vez ou outra era comum passar pelas imediações e ver o seu orgulhoso proprietário dando um banho para tirar a poeira. Um senhor de estatura mediana, magro, sempre bem vestido, sustentando sobre o nariz um óculo de armação fina que guardava um olhar dócil e acolhedor. 


Simpático e acolhedor ele me recebeu um dia e me convidou para entrar e tomar um café. Foi ali que tivemos um bom diálogo que me levou para o mundo fantástico da aviação e nesta oportunidade ele disse que já estava com dificuldade para renovar o brevê devido a idade já avançada. “Vai ser difícil, voar é a minha vida” disse-me ele com um sorriso de tristeza.
Aeronave está no Rio de Janeiro com novo proprietário
O senhor Bombini era conhecido como “Ave Noturna” pela razão de ser um dos pilotos pioneiros na aviação comercial noturna. Ele trabalhou para Usina Paredão, na cidade de Oriente, nos áureos tempos da produção de açúcar. Neste período de vida os patrões adquiriram uma aeronave Bonanza – F35, fabricação de 1955, cauda em V, equipamento que ele mesmo foi buscar nos Estados Unidos. Quando se aposentou fez questão de ficar com o avião que sugestivamente tem o prefixo PT-AVN, ou seja, as mesmas iniciais do seu apelido de Ave Noturna. Tamanha são a beleza e o acabamento desta aeronave que ganhou o apelido de Cadillac voador.  

Os Bombinis têm tradição na aviação. No Museu da TAM “Asas de um Sonho”, na cidade de São Carlos, tem um belo painel com foto histórica de quatro pilotos marilienses: Rubens Bombini, Renato Zanni, Nelo Ferrioli e Ari Pinheiro.  Este grupo fez muita história na aviação comercial brasileira e tudo começou aqui em Marília.
Renato Zanni e Orlando Bombini (foto: Ivan Evangelista Jr)

Orlando Bombini(o Ave Noturna) é pai do Orlando Bombini Jr que voou por 40 anos para a TAM e se aposentou no dia 2 de janeiro de 2018;  Rubens Bombini que trabalhou na COMTAX e encerrou a carreira oprfissionaL na TAM; Sérgio Bombini é irmão do Rubens Bombini, também foi piloto e atuou na aviação agrícola. Faleceu em 1971 em acidente na cidade de Taciba-SP. Na família Bombini são 11 pilotos ao todo o que mostra a paixão pela aviação.



Tenho o áudio emocionante da conversa entre o piloto e a torre de comando do aeroporto de Guarulhos que balizou o pouso do vôo TAM 8085 procedente de Londres. Em meio as orientaçõespara a aterrissagem o controlador o cumprimenta e diz: “Comandante Bombini Jr? – Sou eu. Prossiga, Bombini na escuta. Bom dia comandante, este é seu último dia voando antes da aposentadoria e quis o destino que ele acontecesse no primeiro dia de um novo ano. Novo ano que se inicia fechando com perfeição uma vida inteira dedicada na aviação. Nós da torre de controle aqui do aeroporto de Guarulhos rendemos a nossa homenagem e desejamos a você que tenha toda felicidade e prosperidade nesta nova etapa de vida. Um grande abraço e sinceros parabéns de todos nós aqui. – Muito obrigado senhores, muito obrigado mesmo e se eu embargar a voz é de emoção, pela gratidão que eu sinto agora, por ter convivido todos estes quarenta anos com a competência de vocês, nos trazendo ao solo com toda segurança, nos retornos à nossa base e a nós todos os aviadores. Especialmente palavras vindas de vocês, do órgão de tamanha envergadura que é o controle São Paulo, a torre, controle de solo,e eu gostaria de agradecer imensamente, do fundo do meu coração, desejando também um feliz ano novo e muita saúde aos seus familiares. Obrigado por estes praticamente quarenta anos, conferidos com profissionalismo e competência de vocês. Obrigado. – É isso comandante, bom dia. Parabéns mais uma vez, aqui o taxi tem outra surpresinha para o senhor ainda. Ok obrigado.”
Neste momento entra a voz de outro comandante de aeronavee pergunta: “o companheiro, a garotada ta contigo aí ou não? Ao que ele responde: Todos os Bombinis.”


Na chegada ao aeroporto o avião foi batizado com a tradicional cortina de água e saudado com sirenes.Neste vôo de despedida o comandante estava acompanhado do seu filho João Carlos Bombini Filho, um dos co-pilotos e, pleno de orgulho, testemunhou o espetáculo derradeiro que corou uma carreira brilhante. A saga dos Bombinis continua. Voar é preciso.



Bombini Jr, de camisa xadrez (foto: Ivan Evangelista Jr)
Esta semana o comandante Bombini Jr veio visitar Marília e participou da tradicional reunião do grupo Velhas Águias que congrega pilotos e comandantes da história da aviação mariliense.



Por Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão de Registros Históricos de Marília e membro convidado do grupo Velhas Águias de Marília.  

*Publicado no Jornal da Manhã, edição de 14/01/2018, Caderno 2

domingo, 7 de janeiro de 2018

A Criatividade do Ócio que gera lucros

Os melhores programas de entretenimento que eu assisti foram produzidos pela National Geographic. Mostrando excelentes imagens e curiosidades deste planeta o canal foi líder por muito tempo neste segmento. São produções que requerem altos investimentos porque além do deslocamento das equipes tem a questão dos investimentos em equipamentos para registrar os vídeos.

Mais recente o Canal OFF, lançado em dezembro de 2011, exibe programas de esportes radicais e viagens com produções igualmente atrativas e que tem por slogan: Sonhe. Explore. Descubra. Neste contexto eu sou fã dos programas produzidos pelo piloto de paramotor Sylvestre Campe.
Com o avanço da tecnologia, aliada a redução dos preços, o acesso a alguns equipamentos de áudio e vídeo vem se tornando mais em conta e isto está possibilitando que muitas pessoas se tornem produtores independentes de conteúdo para as mídias digitais. O melhor de tudo é que eles são remunerados pelas produções e acabam atraindo um número considerável de seguidores que além de curtir seus programas atuam como agentes multiplicadores e a conta crescem em qualidade e rentabilidade. A regra básica é: curta e compartilhe.
Com um computador caseiro que tenha boa capacidade de armazenamento e processamento é possível editar vídeos, inserir legendas e as músicas preferidas e fazer comentários para enriquecer o conteúdo. Depois de pronto é hora de “subir” o vídeo para o Youtube e começar a divulgação.
O depositário Youtube incentiva os produtores na melhoria continuada da sua performance. Quanto mais pessoas visualizarem os vídeos, mais eles ganham em espécie e em reconhecimento. Reconhecimento e recompensa são os gatilhos emocionais que atraem cada vez mais gente para este universo digital. 
Em primeiro vem o reconhecimento pelo bom trabalho realizado, ou seja, a mola propulsora da motivação que vai fazer com que o autor continue a fazer mais e melhor. Em seguida vem a recompensa que é a remuneração tácita pelo trabalho realizado. Ganha quem produz, ganha quem armazena, ganha quem assiste aos vídeos, ganha o(s) anunciante(s), enfim, todos ganham e a roda continua girando porque tem sustentabilidade coletiva.
Aqui já dá para a gente ter uma idéia de como está acontecendo este fenômeno do “fim dos empregos” tema abordado no livro O Ócio Criativo, autoria de Domenico de Masi, publicado no ano de 2000. Numa síntese bem simplista a receita é: trabalhe menos, produza mais e seja feliz.
Não é bem assim porque mesmo fazendo o que se gosta e onde gosta você precisa ter uma disciplina que possa garantir o resultado para as partes envolvidas. Trabalhando em casa ou no escritório é necessário que o produto final chegue ao seu destino para que o processo de retroalimentação não seja interrompido.
Para ilustrar este assunto recorro a dois produtores que acompanho nas redes sociais e que já tocaram nesta importante questão da “liberdade” criativa. Coloquei propositadamente a palavra liberdade entre as aspas porque não é bem assim. O processo envolve, como eu disse anteriormente, pesquisa, gravação, produção/edição, indexação e forte trabalho de divulgação para garantir o acesso e a fidelização dos seguidores.
Vivendo Mundo Afora e Aviões e Músicas são dois exemplos de produtores de videoblogs que exploram assuntos diferentes e são campeões de audiência. Os primeiros protagonistas contam com 203 mil inscritos. É um casal que vive dentro de uma Kombi e decidiram viajar o Brasil conhecendo as riquezas naturais, vencendo inclusive o desafio de cruzar a transamazônica. Já o segundo, com 356 mil inscritos no canal, é um técnico em manutenção aeronáutica que apresenta curiosidades sobre aviões e o mundo da aviação.
Nos dois casos eles falam muito sobre esta experiência de ser o dono do seu próprio negócio sem que necessariamente tenham um endereço físico ou estrutura convencional.
O que é comum entre eles é a disciplina no fazer porque os seguidores esperam ansiosamente a entrega do produto na data e hora marcada e, de preferência, com qualidade superior a tudo que já foi entregue anteriormente. São aulas práticas de empreendedorismo.
 (*) Ivan Evangelista Jr é gestor de Negócios com especialização em Marketing e Negócios Estratégicos  
Publicado também no Jornal da Manhã, edição de 07/01/2018, Caderno 2

domingo, 29 de outubro de 2017

Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, o mais novo cartão de visita da cidade

Não por acaso a avenida que leva ao aeroporto municipal da cidade de Marília leva o nome de um herói e patrono da Força Aérea Brasileira (FAB). O Brigadeiro Eduardo Gomes foi um dos fundadores do Correio Aéreo Nacional que uniu o país pelas asas da FAB. Ele também foi duas vezes Ministro da Aeronáutica e mantinha uma postura impecável e uma vida austera.




Não por acaso a avenida que leva ao aeroporto municipal da cidade de Marília leva o nome de um herói e patrono da Força Aérea Brasileira (FAB). O Brigadeiro Eduardo Gomes foi um dos fundadores do Correio Aéreo Nacional que uniu o país pelas asas da FAB. Ele também foi duas vezes Ministro da Aeronáutica e mantinha uma postura impecável e uma vida austera.


Segundo sua biografia era homem de poucas palavras e não muito afeto a entrevistas para os meios de comunicação. Mas mesmo assim foi alvo de homenagem das mulheres que o admiravam por seu porte elegante e simpatia. Em razão disso ele se tornou o inspirador do docinho mais famoso das festas de aniversário e dos casamentos. Quando da sua primeira candidatura à presidência da República as senhoras correligionárias criaram o doce e vendiam durante os comícios para juntar fundos para a campanha. A oferta da guloseima era seguida do slogan: “vote no brigadeiro, além de bonito é solteiro”.

Bem, agora que já conhecemos um pouco mais sobre o patrono da mais bela avenida da zona leste já podemos falar sobre a principal razão deste artigo. Eu agora acredito que a revitalização da Brigadeiro finalmente vai acontecer. Acompanho regularmente os jornais da cidade e mesmo sem fazer uma pesquisa mais aprofundada, arrisco dizer que ao longo dos anos a manchete sobre a retirada dos trailers de lanche daquela via foi publicada umas dez vezes.
No mês passado quando vi novamente estampada na mídia a mesma chamada eu confesso que desacreditei. Dos seis carrinhos de lanche que ocupavam a via nas proximidades do bosque podemos dizer que três deles funcionavam mais regularmente, os demais abriam nos finais de semana e alguns estavam abandonados ou com placa de venda. Acabou, começa um ciclo novo.


No turismo receptivo dizemos que as entradas e saídas da cidade, as principais vias, e o caminho do aeroporto e o da rodoviária são mais observados do que os demais; pelos próprios moradores, e principalmente pelos visitantes que se utilizam das vias para chegar até estes centros de logística interurbana. Daí o termo “cartão de visitas”, até porque, existe outro jargão bem popular que diz: ”A primeira impressão é a que fica”.

Assim que todos os trailers forem retirados faço a sugestão para que a prefeitura inicie imediatamente um projeto de revitalização do trecho que se inicia na igreja São Pio X, que acaba de passar por uma bela reforma e ganhou jardins com luminárias.
O Bosque Municipal “Rangel Pietraróia” é o pulmão da zona leste e atrai número considerável de visitantes e de praticantes das saudáveis caminhadas por suas vias em meio a maior reserva de Mata Atlântica da nossa região.
Uma curiosidade que os mariliense devem conhecer está registrada em levantamento florístico do estrato arbóreo feito por pesquisadores de um fragmento da floresta remanescente do bosque. O objetivo foi produzir subsídios para a elaboração de um plano de manejo e conservação e o desenvolvimento de programas de educação ambiental.
Foram encontrados 167 indivíduos pertencentes a 17 famílias, 25 gêneros e 26 espécies. A diversidade de espécies, avaliadas pelo índice de Shannon, foi de 2,73 nats/indivíduo. Amostragem feita em dez parcelas de 10m X 10m em áreas sem indícios de perturbação. (fonte: Flora Arbórea do Bosque Municipal Rangel Pitraróia, autores Maria Esmeralda Soares Payão Demattê, Dirceu Lopes Mascarin).
Por essa e por outras razões que só a natureza viva pode nos dar, a exemplo dos parques nacionais, cabe a nova sinalização turística e cultural a ser instalada, como devido cuidado paisagístico e ambiental, na lateral que dá a frente para a Brigadeiro e também para a rua Santa Helena.
A calçada reparada dará mais segurança aos pedestres, aparar os galhos que avançam sobre a via e a rede elétrica proporcionará mais claridade, os postinhos de concreto que sustentam o alambrado podem ser pintados de branco, e pensando na proteção dos ciclistas que são assíduos usuários da mesma via uma faixa vermelha pode ser providenciada em toda a sua extensão, até o condomínio Portal da Serra e o arremate com nova sinalização preventiva no trânsito.
Do outro lado está a cerca da Fazenda Cascata e o gado que pasta tranquilo sobre o campo verde. Coisa de interior mesmo, isso faz parte da nossa raiz. Aqui também a urgente restauração da calçada e o plantio de flores para colorir o trecho, uma boa opção é a crotalária, beleza aliada com a  prevenção da dengue.
Estas e mais uma série de ações simples e eficazes podem contar com os serviços da administração municipal e da comunidade. Bastam ser convidados os clubes de serviço, as ONGS, as associações, as crianças das escolas municipais.
Quando a comunidade participa as coisas tendem a dar mais certo e o engajamento é maior e contagiante. O começo dessa nova história já foi dado é só não perdermos o ritmo e a oportunidade. O Brigadeiro merece e Marília também! 
(*) Ivan Evangelista Jr é membro da Comissão de Registros Históricos de Marília. Autor do primeiro guia de roteiros turísticos de Marília, fotografo, articulista e Chefe de Gabinete da Reitoria do Univem.
Publicado no Jornal da Manhã, Caderno 2, edição de 29/10/2017 

domingo, 15 de outubro de 2017

AS ATVIDADES DOS SPOTTERS EM MARÍLIA

A edição do último dia 5 da  Folha de São Paulo trouxe matéria bem interessante sobre a atividades dos spotters no maior aeroporto de Guarulhos, considerado o maior da América Latina.
Aqui em Marília este hobby já conta com muitos adeptos e a turma vem crescendo a cada dia. Ainda que só conte com os voos da Cia Azul no trecho de ida e vinda Marília-Campinas, o aeroporto é bem movimentado. Além dos hangares particulares que guardam aeronaves de empresários da cidade e da região, conta também com os serviços de uma das mais respeitadas oficinas de aviação do Brasil, a OMA - Oficina Marília de aviação.
A oficina está com pátio sempre lotado. São aviões que se deslocam de todo o território brasileiro para Marília em busca dos serviços altamente especializados da equipe coordenada pelo Tuta, mecânico experiente  e quem  tem muita história na aviação brasileira. Nas sextas-feiras o movimento de decolagem dos pequenos aviões é sempre maior, dia de voltar pra casa, depois da revisão geral ou dos reparos e isso sempre garante boas imagens aos spotters.
As imagens registradas são mostradas em página que o grupo criou no Face Book (www.facebook.com/mariliaspotting) e já soma mais de 600 membros simpatizantes promovendo o intercâmbio com outros grupos brasileiros.
Foto de JoséFerreira
Os pilotos privados já se acostumaram com a presença dos fotógrafos no alambrado e vez ou outra acenam com a mão durante os procedimentos de pouso ou decolagem. José Ferreira é um dos fotógrafos mais assíduos da praia e já fez amizades com vários deles; "eles enviam mensagem pedindo as fotos e eu sempre envio" comenta ele, é bem legal saber que valorizam a nossa atividade.

O que separa os fotógrafos das aeronaves é um alambrado que tem pouco mais de um metro e setenta de altura e permite a visão quase que integral de toda a extensão da pista. Privilégio dos marilienses, uma vez que em outros aeroportos do Brasil as condições nem sempre são muito favoráveis, como é o caso de Guarulhos, onde o ponto ideal para boas fotos é o "morrinho", distante da pista e com alto risco de assaltos por ser área isolada.
As atividades do Aeroclube de Marília,tradicional escola de pilotos fundada em 1940, é outro atrativo que sempre rende bons cliques. Os novos pilotos aprendem primeiro nos planadores que são rebocados por aviões. Depois de alcançarem uma certa altura, instrutor e aprendiz buscam encontrar os bolsões de ar quente, momento em que o cabo de reboque é desconectado e a aeronave inicia um balé colorido e silencioso sobre a cidade . Para quem gosta de voar o aeroclube faz voos panorâmicos que podem ser contratados na sede que fica ao lado da pista. 
Mas não pense que os fotógrafos estão ligados só no movimento local. Lá eles têm uma máxima: "passou sobre Marília, vai ficar registrado!". Com a ajuda de um aplicativo de celular eles ficam atentos e rastreiam as aeronaves que vão cruzar a vertical da cidade. Geralmente as aeronaves estão a mais de 10.000 pés de altitude em relação ao solo, distância vencida pelas poderosas lentes objetivas que buscam o melhor enquadramento e a imagem mais nítida.  
O flightradar (www.flightradar24.com ) é o site que mostra em tempo real os voos em todo o mundo, sendo possível, por exemplo, seguir uma aeronave desde a sua decolagem até o seu destino final, acompanhando a velocidade, a distância já percorrida e a altitude. Clicando sobre o desenho do avião que está aplicado sobre o mapa do Google, abre outra janela onde se pode conferir a foto do mesmo.
Completando a parafernália tecnológica que faz a alegria dos spotters eles contam ainda com rádios scanners que monitoram as frequencias das torres de controle com as quais as aeronaves se comunicam o tempo todo. Pouca gente sabe, mas assim como existe o complexo rodoviário terrestre, no espaço não é diferente, lá em cima também tem estradas, neste caso, compartilhadas  por diferentes companhias aéreas de todo o mundo.
Para os leitores que desejam conhecer este hobby o acesso é pela avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, entrando à direita na rua Antônio Serapilha.

*Artigo publicado no Caderno 2, Jornal da Manhã/Marília, edição 15/10/2017


Ivan Evangelista Jr é membro da Comissão de Registros Históricos de Marília e spotter