domingo, 30 de janeiro de 2011

A vaca estrela e o boi fubá


A vida tem dessas coisas. Você menos espera e lá está o quadro, esperando a pintura, neste caso, o clic.
A pancada de chuva foi forte, mas as nuvens estavam bem esparsas, coisa típica do verão mesmo. Assim que a chuva acabou,o segundo ato se abriu em festa.
Eu já estava a caminho de casa e foi quando o registro aconteceu. A primeira coisa que me veio à mente foi a letra desta música, qui é quasi de faze chorá.
Compartihlo com vocês, a foto e a letra do mestre.


Seu dotô me de licença
Pra minha história contá
Hoje eu tô na terra estranha
E é bem triste o meu pená
Mas já fui muito feliz
Vivendo no meiu lugá
Eu tinha cavalo bom
Gostava de campeá
E todo dia aboiava
Na porteira do currá

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Eu sou fio do nordeste
Não nego o meu naturá
Mas uma seca medonha
Me tangeu de lápra cá
Lá eu tinha o meu gadinho
Não é bom nem imaginá
Minha linda vaca Estrela
E o meu belo boi Fubá
Quando era de tardezinha
Eu começava a aboiá

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Aquela seca medonha
Fez tudo se trapaiá
Não nasceu capim no campo
Para o gado sustentá
O sertão esturricô, fez os açude secá
Morreu minha vaca Estrela
Se acabou meu boi Fubá
Perdi tudo quanto eu tinha
Nunca mais pude aboiá

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Hoje nas terra do sul
Longe do torrão natá
Quando eu vejo em minha frente
Uma boiada passá
As água corre dos oios
Começo logo a chorá
Lembro minha vaca Estrela
E o meu lindo boi Fubá
Com sodade do nordeste
Dá vontade de aboiá

Ê, vaca Estrela, ô, boi Fubá

Composição: Patativa do Assaré
(divulgado em: http://www.jornaldamanhamarilia.com.br/noticia/6782/Cabeca-olho-e-coracao--na-mesma-linha-de-mira/)

sábado, 22 de janeiro de 2011

Luz, câmeras e muita ação





No tempo dos festivais de cinema Marília viveu um período de glamour com a presença de astros e estrelas freqüentando os hotéis, clubes sociais, restaurantes e eventos. Creio que este foi o primeiro momento do turismo cultural na cidade.
Nesta época, o amigo Manuel Joaquim Pires fez alguns trabalhos e expôs na vitrine de sua loja de fotografia, o que ele sempre comenta que foi um grande sucesso. Também o nosso patrono “Sebastião Carvalho Leme” fez vários registros neste período e outros para a Companhia Paulista Vera Cruz, empresa brasileira que produziu muitos filmes no passado.
Parece que os bons tempos estão de volta.
A fotoquefala passou hoje pelo Max Plaza Hotel, no centro da cidade e foi conferir de perto uma informação que acabava de chegar. Mais de 100 profissionais da Rede Globo estão em Marília para dar continuidade nas gravações da nova novela que terá por tema os dinossauros.
Na portaria conferimos um número grande de taxistas e de Vans e, mantendo os primeiros contatos confirmamos a informação inicial. Há um primeiro grupo já hospedado no hotel, é a turma da linha de frente (estúdios, operações especiais, iluminação, cenários) . Não consegui registrar, mas há a informação que a atriz principal, Adriana Esteves, já está no hotel também.
As caravanas seguiam para uma fazenda na cidade de Vera Cruz, há 14 Km de Marília, local onde estão sendo gravados os capítulos iniciais.
No mês passado a fotoquefala circulou a informação da presença da equipe de paleontologia do Museu de Paleontologia UFRJ, acompanhada de uma cenógrafa . Eles foram até o afloramento da serra, onde se encontram os mais recentes fósseis encontrados pelo paleontólogo mariliense Wiliam Nava. A assessora de arte fez vários registros fotográficos e nos contou que vão reproduzir o mesmo cenário, com todos os detalhes, na sede do Projac, no Rio de Janeiro.
Nossa expectativa agora é saber se o Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, cujo trabalho e história é a fonte inspiradora desta nova novela, será convidado para acompanhar as gravações e passar mais informações para a equipe de produção.
Enquanto isto o turismo cultural da cidade ganha com a presença dos ilustres personagens que certamente vão circular pelo comércio, restaurantes e pontos noturnos.
Sucesso para todos, é Marília em destaque nacional.

*Confira outras postagens sobre o mesmo assunto clicando em "postagens anteriores"

Fotos:
1)Equipe da Rede Globo, na primeira entrevista com William Nava
2)William Nava, Sergio Alex e Lucilene

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O balaio ecologicamente correto


Meus amigos,
Nada como um bom período de férias para ventilar as idéias e deixar a criatividade correr solta.
Na semana que passou eu ganhei alguns cocos verdes para saborear a água, bebida das mais saudáveis e que substitui tranquilamente o soro fisiológico em casos desidratação ou de reposição de minerais no organismo.
Bebida a água, geralmente abrimos uma tampa na parte superior do coco e, com uma colher, podemos saborear a massa da fruta ainda em formação, mais parecida com um manjar.
Bom, depois disso fica a casca que geralmente jogamos no lixo, ou para quem mora em propriedade rural, joga pelo terreiro mesmo. Aqui em casa é complicado porque deixar na lixeira é quase certo que não será levado.
Pensei em como resolver o assunto e encontrei uma solução bem bacana: o balainho ecologicamente correto.
Fiz um furo maior que atravessa as duas superfícies das cascas para poder escoar o excesso de água que a futura muda vai receber. Nas laterais, fiz furos menores por onde as raízes vão poder absorver os nutrientes da casca em decomposição e já aproveitar o adubo natural.
O bom disso tudo é que levar a muda para o plantio não é mais preciso retirar da embalagem. Basta fazer a cova e plantar como está.
Vou fazer isto com este pé de manga e no futuro conto por aqui o resultado.
Já tinha visto mudas de flores plantadas em balainhos feitos com casca de sapucaia, mas neste caso, ficam suspensos e servem como decoração.
Está lançado o primeiro balaio/coco, o balaio ecologicamente correto.

Foto: feita no estúdio do fundo quintal

Ivan Evangelista Jr

domingo, 9 de janeiro de 2011

No quintal do paraíso

Saber ocupar espaços de forma otimizada é um dom, seja no escritório, no apartamento ou mesmo no quintal da casa onde muitas vezes, a área é bem menor do que os projetos do morador. Tudo é uma questão de organização e eu diria até que é preciso ter uma visão sistêmica da área ao seu redor. É assim que o Sr. Dirceu Manzom , consegue manter quase trinta colméias de abelhas num quintal que não passa de dez metros quadrados, isto somando o pequeno terraço também. Ele conseguiu transformar a casa popular onde mora em seu pequeno paraíso. Além das abelhas, Dirceu tem aquários com sistema de irrigação permanente, plantas ornamentais, irrigadas por uma engenhoca feita com mangueira de jardim, baldes e material para aplicação de soro , um bonito pé de mamão que foi plantado em metade de uma tina de plástico e já está produzindo, parreira de uva, rosas de várias qualidades, samambaias, gerânios e outras espécies. Segundo relatou, mora nesta casa há 36 anos. Do alto do seu pequeno terraço é possível sentar-se em uma espreguiçadeira e apreciar o movimento da praça verde que fica em frente a sua residência, local de onde vem boa parte da alimentação das abelhas. O gosto pela apicultura veio desde criança da convivência com o tio e desde então não parou mais de lidar com as abelhas. Na casa, as colméias mantidas em caixas improvisadas são das espécies sem ferrão. Com gosto ele enumera as qualidades: tem as Jataís, aquelas pequeninas que gostam de fazer casa nos buracos de muro e nos cantos da casa, tem a Marmelada, abelha que produz um visgo e espalha em toda a área ao redor da caixa para evitar a aproximação de intrusos, como as aranhas ou lagartixas, tem a Tataíra, ou caga-fogo, como é conhecida popularmente, a Tubuna, a Borá, a Plebéia, a Mirim Preguiça, que tem este nome por que começa a trabalhar bem mais tarde que as outras, a Mirim Mosquito, que tão pequenina que foi acomodada dentro de um tubo de lâmpada fluorescente, a abelha Cachorro, de cor bem escura, prefere trabalhar mais para o final da tarde e no período noturno e também nos dias nublados quando a incidência do sol é bem menor. Cada espaço disponível na casa acomoda uma caixa, até mesmo os beirais que ficam sobre os telhados já ganharam suportes onde são apoiadas novas colméias. Depois de se aposentar da SUCEN, o senhor Dirceu passa os dias na lida com este pequeno paraíso no meio urbano. Mas ele ainda tem outras colméias espalhadas em sítios e chácaras da região, de onde retira o mel para comercialização. É comum os produtores rurais solicitarem aos apicultores para colocar colméias nas propriedades. As abelhas fazem a polinização das plantas e, quanto mais atividade tiverem, maiores as chances de se aumentar a produção de frutas e flores. Mas é importante registrar que a razão de ser de toda esta atividade do senhor Dirceu não é a comercial, isto é pequeno detalhe. O importante é que ele é um apaixonado pela vida e pela natureza e transmite isso a todos que o visitam.
Publicado também no Jornal da Manhã: http://www.jornaldamanhamarilia.com.br/noticia/6477/Aposentado-mariliense-cria-pequeno-paraiso-no-quintal-de-sua-casa/
video

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

No campo da vida


Seria mais uma, entre outras tantas fotos já feitas. Seria.
Mas quando eu fui descarregar o cartão e passar para as pastas arquivo, esta aqui chamou a atenção. O registro é de uma visita que fiz com o meu amigo Lau (Wenceslau) a um campo próximo de Marília, um local privilegiado pela natureza.
O Lau tem duas profissões: barbeiro e apicultor. Nas vezes em que compareço à barbearia para cortar o(s) cabelo(s) o assunto criação de abelhas vem naturalmente ao centro da conversa. É prazeroso ouvir dele as narrativas sobre as incursões na mata para retirada de enxames, sobre os estudos que faz para alcançar maior produtividade em suas colméias, sobre as colméias de abelhas sem ferrão que mantém em sua residência, sobre as flores que planta para servir de novas fontes de alimento.
Ao som da batida do encontro das lâminas da tesoura as histórias vão se desfiando naturalmente e com requintes interessantes. Tudo isto me levou a gostar do assunto apicultura, tanto que nestas férias estou produzindo algumas caixas para capturar enxames de Jataí ou de Borá, duas espécies sem ferrão que podem ser administradas no meio urbano.
Decidi então procurar um local, para quem sabe no futuro, instalar algumas colméias e, ao mesmo tempo, ter maior contato com a natureza. O quintal de casa já está pequeno para tantos projetos.
Fomos visitar esta propriedade que aparece na foto e aproveitamos o tempo para fazer uma avaliação das espécies de plantas nativas que já existem por lá e que podem fornecer boa alimentação aos apiários. A mais comum é o Alecrim do Campo, mas o importante é que bem próximo do local existe uma mata exuberante, mata nativa, com espécies que na temporada da primavera transformam a tábua de cor verde escuro em tabuleiro multicolorido pelas flores.
Ficamos ali alguns instantes, o suficiente para nos encantarmos com o vento, com o silêncio, com os aromas do Pau-D’alho, trazido nas correntes ascendentes do vale, pelo zumbido dos insetos circulando na área, pelo canto nativo de pássaros que há muito eu não ouvia. Ficamos ali e aproveitamos os instantes.
Li um dia que para se preencher de Deus, o homem, primeiro deve se esvaziar das coisas do mundo para receber o que natureza oferece em abundância.
Creio que conseguimos isto neste passeio e a foto anexa representa exatamente o momento em que estávamos praticando este exercício.
Obrigado Lau pela oportunidade de aprendizagem.

Ivan Evangelista Jr
verão de 2011