Newton Moura |
A Escola Baltazar de Godoy Moreira foi o berço da educação de
muitos amigos e foi também uma escola modelo; desde as instalações modernas e confortáveis,
a quadra coberta que propiciava a prática de esportes em dias de chuva e também
para as apresentações artísticas, os laboratórios, com aquelas bancadas brancas enormes,
o material para experiências nas aulas de ciências e a limpeza.
Para completar a estrutura física ganhamos um time de
professores de primeira: Sirui, Tamie (matemática),
Miguelzinho (ciências), Ernesta Panetini (história), João de Deus(português)
Amadeu, Rene Paschoalichi (desenho), prof. Edson (educação física), entre
outros, sempre muito lembrados com carinho de todos.
Foi nesta época que conhecemos o Sr. Newton Moura, inspetor de alunos que
chegou para ajudar a equipe que já tomava conta da meninada . Chamou a atenção
pelo porte físico, usava sempre um boné verde no estilo militar, postura física invariavelmente ereta, e a voz de comando sempre firme. Chegou e botou ordem no
pedaço, se impôs com o devido respeito e aos poucos foi ganhando nossa amizade.
Ao chegarmos na escola ele batia continência para os alunos
e nós respondíamos no mesmo gesto. Ficou
nosso amigo e ganhou o apelido carinhoso de “sargento Nilton”, isto porque no
Tiro-de-Guerra havia na mesma época o sargento Raul conhecido pela sua rigidez na formação
dos soldados.
O nosso sargento era firme também, mas era um contador nato de boas histórias, nos ganhou pelo coração e foi assim que nasceu o pelotão Newton Moura.
Durante anos vimos
este senhor andar pelos corredores fazendo
o seu trabalho disciplinador e, ao mesmo tempo, sendo nosso professor fora da sala de aula. Por meio das suas histórias ele
nos ensinava o respeito ao próximo, o respeito à bandeira nacional e às
autoridades constituídas, o amor para com a escola que nos acolheu e aos
mestres. Quando por algum motivo era preciso levar algum aluno na presença da
diretora ele era o condutor. Nós tínhamos mais receio do “pito” dele no caminho do que propriamente
da conversa na diretoria.
Como os bons educadores sabem fazer, eles sempre nos ensinam que a
escola é o segundo lar, um templo sagrado de conhecimento e de oportunidades, lugar para fazer amizades que vão perdurar por toda a vida. Seu Newton tinha o dom para exercer a função de inspetor
de alunos e se tornou um ícone de admiração. Ser amigo do Niltão era um privilégio.
Mais adiante na vida conheci Welington Moura, soldado Boina Azul que serviu nas Forças Especiais de Manutenção da Paz das Nações Unidas, filho de Newton. No início eu não
associei os sobrenomes, mas o jeitão da madeira é o mesmo e a nova amizade me resgatou boas
recordações. Quando descobri o parentesco fiquei mais feliz porque passei a
compartilhar a simpatia do filho de um grande amigo da minha infância.
Hoje eu recebi a notícia que o Sr. Newton Moura faleceu,
aos 91 anos de idade.
Sargento – peço sua permissão para me despedir, em nome dos
colegas e de todos que partilharam sua amizade.
Sargento – o senhor foi um exemplo de vida para toda esta
garotada, obrigado; missão cumprida sargento. Foi uma honra fazer parte do seu
batalhão de amigos.
Sentido! - Permissão para descansar concedida pelo Alto.
Sargento,
siga em paz!
Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão de Registros Históricos de Marília,
e alunos da Escola Estadual Professor Baltazar de Godoy
Moreira e do pelotão de elite “Newton José de Moura”.
Tive o privilégio de ver sua homenagem no dia de hoje, quase 3 anos após o falecimento de meu pai.
ResponderExcluirIvan nesse breve testemunho da sua infância/adolescência você pode sintetizar quem era o meu pai. Um homem simples , patriota, disciplinador mas que tinha um grande coração. O mais incrível é que ele deixou um legado de coisas boas para as pessoas. Obrigado de coração pela homenagem. Newton José de Moura Junior