terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Rua Dr. Joaquim de Abreu Sampaio Vidal


Esta pode ser considerada uma das principais vias da nossa cidade, pois é uma das que dá acesso ao Jardim Bandeirantes, Jardim América e também para a rodovia do contorno. Segundo os escritos e registros de Paulo Corrêa de Lara e de Paulo César Colombera, pesquisadores e historiadores da nossa cidade, encontramos as seguintes informações: “Joaquim de Abreu Sampaio Vidal é filho de Bento de Abreu Sampaio Vidal, nascido em São Carlos em 2 de novembro de 1895 e falecido a 2 de maio de 1952, quando em viagem para a Europa. Pioneiro, abriu a Fazenda Marialva na década de 20, quando se fundava o Patrimônio de Marília. Foi um dos fundadores da Liga Nacionalista e, quando da Revolução de 1932, exilado para a Europa. Foi presidente da Sociedade Rural Brasileira, diretor do IDORT - Instituto de Organização Racional do Trabalho, da Bolsa de Mercadorias de São Paulo e ainda da Fábrica de Tecidos Pindorama, e membro do Conselho Nacional do Café”.
Conta ainda a história que a rua antes se chamava Santa Ernestina e teve o nome mudado para homenagear o ilustre cidadão.
A via começa na esquina com a Rua São Luiz, tendo como seu primeiro marco histórico o prédio imponente da antiga Cervejaria Antarctica. Ainda hoje é possível observar um detalhe em tijolos à vista, na parede lateral, onde antes era a porta de acesso ao descarte da cevada já industrializada e que servia de importante fonte de alimento para os criadores de gado leiteiro. Também deste lado da rua, no passado, podia-se ouvir o barulho frenético das garrafas correndo pelas esteiras automáticas seguindo para lavagem e posterior envasamento. Filas de caminhões com engradados de madeira se formavam em toda a área do prédio esperando a vez de carregar.
Mais adiante, ao lado esquerdo, encontramos a sede do Instituto Assistencial Espírita de Marília. Mas um outro registro importante é resgatar que na esquina desta rua com a Vinte e Quatro de Dezembro foi onde funcionou durante alguns anos a nossa querida Ailiram, da família Barion, que desde tempos passados já levava o nome da cidade para outras regiões do Brasil com a venda de doces de qualidade.
Passando a esquina com a Av. Santo Antônio, entramos no quarteirão do HEM-Hospital Espírita de Marília, fundado em 1948 e, sem dúvida alguma, uma das mais importantes instituições de saúde do Brasil, realizando trabalho fantástico na recuperação de pacientes psiquiátricos. Quem já teve a oportunidade de visitar a casa sabe da grandeza de suas instalações, e a boa notícia é que recentemente passou por reformas e novas construções com vistas à ampliação do atendimento.
Anexo ao HEM, está o nosso querido Educandário Dr. Bezerra de Menezes, instituidor da Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha. Interessante é que, ao estudar a história, vemos que personagens ilustres, como Hygino Muzzi Filho, Frediano Giometti, Dr. Antônio Pereira Manhães, Paulo Corrêa de Lara, Eurípides Soares da Rocha, entre tantos outros abnegados cidadãos voluntários, são nomes ligados e comuns em várias diretorias de entidades assistenciais, do passado e do presente, verdadeiros impulsionadores do nosso crescimento e desenvolvimento, dotados de uma visão de futuro e humanista que merece aplausos da comunidade.
O Colégio Bezerra de Menezes, denominação mais curta que adotou há alguns anos, conta com moderna estrutura destinada à educação de crianças e jovens, com a vantagem de ter ampla área verde, ginásio de esportes e centro de convenções, conjunto esportivo com campo de futebol oficial, pista de corrida e brinquedos temáticos. Registro importante: Foi no Bezerra de Menezes que começou a história da maior festa popular de Marília na atualidade, o Japan Fest, sendo que os organizadores, até hoje, prestam justas homenagens pelo impulso e apoio cultural.
Já no final desta via, que passa por cima da rodovia SP 333, a Transbrasiliana, encontramos as instalações da Ferreira da Costa Cia Ltda., empresa que atua no ramo de curtume de couro, realizando importante trabalho que serve à indústria de calçados brasileira.   
Ivan Evangelista Jr. membro da Comissão de Registros Históricos de Marília
Publicado no Jornal Diário de Marília em 19/01/2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

As ruas da nossa cidade


As ruas da nossa cidade é um projeto bem legal. O objetivo é que as pessoas se informem melhor sobre o cidadão ou a cidadã que foi homenageado pela Câmara Municipal e tornou-se nome de rua. Os artigos serão publicados pelo Jornal Diário de Marília, sempre aos domingos, trazendo, além das informações técnicas, curiosidades sobre a rua pautada.

Rua Pedro Altenfelder, bairro Maria Isabel

Está localizada entre a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes e a Rua Cincinatina, contando com 200 metros de extensão. Homenageia a pessoa de Pedro Altenfelder Cintra Silva, que de 1933 a 1938 exerceu a função de 1º Tabelião Interino de Marília, dado que ao ser criada a Comarca de Marília fora nomeado para aquele cargo o cidadão Nelson de Carvalho, que não pode assumir as funções em virtude de impedimento legal, somente fazendo em 1938.
            O cidadão Pedro Altenfelder Cintra era irmão do Deputado Dr. Christiano Altenfelder Silva, genro de Bento de Abreu Sampaio Vidal.
            Durante o exercício interino daquelas funções, teve a seu encargo os trabalhos do Cartório Eleitoral, quando da campanha para a eleição de Armando Sales de Oliveira à presidência da República, eleição essa impedida pelo golpe de 10 de novembro, do Estado Novo, de Getúlio Vargas.
            Deixou Pedro Altenfelder em Marília o conceito de eficiência e honradez. Em São Paulo, para onde regressou, continuou a exercer o trabalho de corretor de imóveis.
            Nasceu em São Carlos em 19 de dezembro de 1898 e, embora residindo em São Paulo, veio a falecer naquela cidade em 21 de junho de 1950.
            Sua filha, Maria Alice Cintra Travitzki, foi casada com o Sr. Rubens Travitzki,  que foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Marília, também foi vereador e cidadão muito atuante em nossa cidade, atualmente residindo no bairro Maria Isabel.
            Uma curiosidade sobre esta rua é a casa do cidadão Leonel Nava, advogado, pai do paleontólogo Wiliam Nava, onde se encontra instalado um dos maiores conjuntos de antenas receptoras e transmissoras de rádio comunicação. Sr. Leonel é radioamador (PY2BMX) e ainda utiliza o sistema de radiotelegrafia para se comunicar com o mundo inteiro. Com altura de 15 metros a antena acaba atraindo pássaros de várias espécies, como por exemplo, as andorinhas que sempre chamam a atenção de quem passa pela rua.

            Outra curiosidade é residência de nº 145, onde atualmente funciona um atelier artístico. O capricho está na utilização de madeira reciclada para decorar a fachada que ganhou detalhes artísticos que relembram as casas de madeira da nossa região.
 
            Devido a proximidade com os limites da Fazenda Cascata, a rua garante aos seus moradores um clima sempre agradável, com brisa amena e cheiro bom de relva. É bem arborizada e tem espécies diversas: Manguba, Ipê, Quaresmeira, Espirradeira, Salgueiro Chorão, e o Alfeneiro do Japão, espécie que foi muita utilizada no passado para o sistema de arborização urbana, mas que hoje é evitada devido ao seu porte e raízes que sempre acabam levantando o calçamento.


            Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão de Registros Históricos de Marília
            Publicado no Jornal Diário de Marília em 12/01/2014

sábado, 12 de outubro de 2013

A fotoquefala e a foto que Sela


“A fotoquefala” é o nome do blog que surgiu a partir da necessidade de escrever sobre assuntos que permeiam os dias, sobre as experiências e a constante observação do meio. Caminhar pelas ruas da cidade é sempre um exercício mental fantástico, pois a paisagem urbana muda todos os dias e esta transformação de cenários é o que me cativa.
É por isto mesmo que a foto fala e ganha uma força de comunicação que não tem fronteiras, agora mais ainda com a ampla utilização da Internet e das redes sociais. Esta memória que a fotografia urbana encerra é algo inestimável, um legado que ficará à disposição das futuras gerações, dos estudantes e pesquisadores e pode ainda servir como moldura para eventos relevantes da cidade.
Em abril de 2001, por exemplo, em comemoração aos festejos de aniversário da cidade, três fotos de minha autoria estamparam bilhetes da Loteria Federal, sendo duas da Fazenda Cascata e uma da fachada da Fundação de Ensino “Eurípides Soares da Rocha”. Da mesma forma, é uma alegria muito grande quando recebo a solicitação de fornecer imagens para ilustrar textos pedagógicos ou para decoração de ambientes residenciais ou comerciais.
Fotos não podem ficar escondidas em caixas, em gavetas, ou mesmo guardadas em alguma pasta do nosso computador. Elas precisam de luz, precisam ganhar mundo.
Foi assim que, na noite de sexta-feira, 11/10, uma das fotos dos vários registros das pesquisas de campo do paleontólogo Wiliam Nava, meu caro amigo, foi apresentada ao público estampando o selo comemorativo aos 20 anos da descoberta do primeiro fóssil em Marília. Em sessão solene, ocorrida no auditório “Octavio Lignelli”, da biblioteca municipal, com a presença de diretores dos Correios, ao som do hino nacional, marilienses se reuniram para prestigiar a justa homenagem ao ilustre pesquisador Wiliam Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília.
Junto com o selo, foi lançado também o carimbo comemorativo, que será utilizado na agência central, na obliteração das correspondências postadas com destinos diversos. Estas correspondências, além dos seus importantes conteúdos, vão levar também a imagem de Marília, como cidade integrante do seleto grupo mundial de pesquisadores da paleontologia. Vão levar, também, a história de Wiliam Nava para novos territórios. É o referendo de uma frase utilizada pelos Correios, na qual se afirma: “Os selos postais desconhecem fronteiras em sua missão de propagar a cultura”. 
Não é a primeira vez que Marília marca presença na filatelia brasileira, mas é certamente um dos fatos mais relevantes para a história da cidade, tendo em vista que este mesmo museu poderá ser o grande diferencial do atrativo local do turismo receptivo e que nos levar a obter do governo estadual a especial condição de Estância Turística.
Parabéns, Wiliam Nava! Sua persistência é inspiradora, seu trabalho nos orgulha e engrandece a nossa comunidade. Marília agradece.
* O vídeo está disponível em http://youtu.be/HRJ9jJnOD6M
 
Ivan Evangelista Jr
Secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo
 
 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Marília, na rota do Turismo de Eventos e Negócios





A postagem de hoje é representativa para mim, é  o momento de compartilhar uma ação que foi motivo de grande satisfação pessoal na sua realização e, agora, de poder oferecer ao público mariliense e aos nossos visitantes mais uma fonte de informsções sobre Marília.
A minha paixão pela cidade e, pelo turismo receptivo, é algo que sempre deixei claro em todos os momentos. Havia um desejo de poder reunir dados sobre os locais para eventos,que mostrasse a cidade por um perfil que poucos conhecem e o quanto nós estamos preparados para receber eventos de grande porte, dos mais diversos segmentos.
Na verdade isto já acontece, pois as faculdades, os médicos, os esportistas,  as empresas em geral, promovem  uma série de eventos (seminários, congressos, workshop,treinamentos) durante o ano todo e movimentam recursos que envolvem desde a gastronomia , a hospedagem, os serviços de apoio, de recepção, o transporte, fotografia, vídeo , comunicação e imprensa, entre outros.
O próximo passo é atrair eventos de grande porte, principalmente aos finais de semana. Durante a semana a rede hoteleira local, que tem hoje 1.100 leitos disponíveis, conta com ocupação na ordem de 65% dos mesmos. Com um trabalho direcionado e sinérgico, com o apoio da Prefeitura, do Contur e do Marília Convention & Visitors Bureau, mais a participação imprescindível da iniciativa privada e da comunidade, podemos canalizar ações e chamar a atenção dos grandes organizadores de eventos para Marília.
É impressionante como estamos crescendo neste setor. Hoje mesmo eu visitei o Hotel Sun Valley e fotografei as obras de ampliação do salão para eventos que já estão bem avançadas. Eles vão dobrar a capacidade de recepção do salão e poderão receber eventos para até 2.000 pessoas. É claro que a visão empreendedora está orientada pelo movimento local, mas também pelo contexto geográfico que abrange mais de 1.500.000 pessoas, gente que vem das cidades vizinhas para fazer compras no comércio e nos shoppings, para passear, se alimentar, curtir as salas de cinema e também fazer negócios com as empresas locais. Pensou negócios, pensou turismo.
É assim que apresento a todos a mais nova publicação, pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo: o Roteiro para o Turismo de Eventos e Negócios, com informações bem legais para quem atua no setor e para quem deseja conhecer melhor a cidade que nos acolhe. A publicação tem a introdução que conta um pouco da história da fundação de Marília, dados estatísticos e sugestões de roteiros de lazer e cultura.
Quero registrar e agradecer o grande apoio da administração municipal, e de toda a equipe gráfica da prefeitura que fez o possível e o impossível para que o material pudesse ser distribuído no evento gastronômico em São Paulo, ocorrido na semana passada. Nossa "Galinhada de Panela", prato do Restaurante Cupim, foi eleita representante da gastronomia local e fez mais do que bonito no evento, o sucesso foi tanto que formou fila para degustar o prato. Parabéns ao empresário Roberto.
Estamos no circuito, estamos no jogo como se diz no jargão popular. Este material eu levei pessoalmente aos taxistas da cidade, nas recepções dos hotéis e em locais onde o fluxo de pessoas que podem ser potenciais organizadores de eventos é constante. A mensagem está sendo divulgada, é um período de plantar, para juntos, colhermos os frutos no futuro.]

domingo, 5 de maio de 2013

Histórias dos nossos pioneiros e do transporte em Marília


E foi ela quem me contou que o pai chegou a Marília por volta de 1925. Era um homem acostumado a lida dura, atendia a Cia Paulista de Estrada de Ferro, transportando toras tiradas por desbravadores do sertão paulista para fazer os dormentes onde se deitavam os trilhos. Coisa de homem bruto mesmo, para poucos e fortes, pois a malária e o tifo campeavam a região e levaram muitos pioneiros e seus sonhos para o fundo da cova.
Numa época de poucos recursos da medicina cabia aos curandeiros e raizeiros a receita para tentar driblar os malefícios. Era comum encontrar nas cabines dos fordinhos uma garrafada, mistura de quinino com vinho branco ou conhaque e salsaparrilha, ente outras raízes milagrosas, ainda hoje encontradas em feiras livres e casas do ramo.
Mas não foi a febre que tirou nosso personagem central, o Sr. Jacomo Zangarini, do ramo de transportes de tora, conforme nos contou sua filha Sylvia Garbelini.
Numa das viagens, depois de um dia de trabalho intenso, se acomodou como pode na cabine do caminhão enquanto o companheiro dirigia.Em determinado momento ele viu uma luz forte à sua frente, acordou assustado e confuso.
Não sabia se tinha batido a mão por acaso em um dos botões dos faróis, ou se havia outro veículo vindo na direção contrária, mas logo percebeu que não era nada disso. Foi um aviso do alto, nos conta Sylvia emocionada; “o caminhão perdeu o freio e desceu a serra de ré, se ele continuasse dormindo seria morte certa. Num ato rápido, ele abriu a porta e se atirou como pode para fora do veículo, caindo na beira da estrada de pedra e terra e com isto sofreu ferimentos graves.”
O acidente foi a gota d’água para uma decisão mais dura da sua genitora, a Sra. Joinse Molinari Zangarini, para sentenciar que não tiraria mais o pé de Marília. Ela estava cansada de tanta mudança, afinal, eles acompanhavam o percurso da estrada de ferro há bom tempo. “Era tanta mudança que ao começar arrumar a tralha, as galinhas já se deitavam no terreiro com os pezinhos pra cima e ficavam esperando a amarra dos pés para entrar no bambu e seguir novo destino.”
Foi assim que a família se estabeleceu definitivamente na Rua São Luiz, 264, em casa já construída em alvenaria. Ainda em recuperação do acidente, seu Jacomo recebeu a visita do amigo Pedro Sola e também uma nova proposta desafiadora – instalar uma linha de ônibus para o transporte de passageiros na cidade. A primeira linha, conta Sylvia, saía da Rua 9 de julho (próximo da antiga rodoviária) com destino ao cemitério da Saudade, ponta de linha. Depois veio a segunda, saindo do mesmo ponto central e com destino a Santa Casa, atendendo ainda os trabalhadores da antiga fiação de seda, na avenida Vicente Ferreira.
Sylvia contou também que nos fundos da casa havia uma garagem onde funcionou uma espécie de oficina, coisa comum até os anos 70, onde o estilo “faça você mesmo” era o remédio para não ficar dependendo de serviços profissionais de terceiros.
Muitos dos objetos da família foram doados ao nosso museu municipal.Ferramentas, máquina de costura tipo canelinha, rádios e vários apitos feitos em madeira, eram usados para chamar pássaros nas caçadas. Todos os objetos são recortes de suas lembranças de menina.
Ela perdeu o pai quando tinha sete anos de idade mas as histórias continuam vivas em sua memória.
O nosso encontro aconteceu na sede da escola/fundação CCBEU – Centro Cultural Brasil Estados Unidos,  rua Cel. José Braz, nº 77, que ela dirige com todo carinho e paixão pela educação de jovens e adultos. Foi lá que aconteceu a minha exposição fotográfica em comemoração ao 84º aniversário de Marília.
Obrigado Sylvia Garbelini por acolher o meu trabalho e as fotos, pela segunda vez. Em nome da Comissão de Registros Históricos de Marília, obrigado por compartilhar parte da sua história com todos nós.
Sylvia nos prometeu garimpar fotos e documentos para numa próxima oportunidade contarmos novas histórias por aqui.

Ivan Evangelista Jr
Membro da Comissão de Registros Históricos de Marília e fotógrafo