sexta-feira, 6 de maio de 2016

TAM, fundada em Marília, não existe mais; virou Latam

Uma empresa criada por dez pilotos de aviões monomotores em 1961 em Marília deixou de existir nesta sexta-feira para tornar-se um grande grupo internacional de aviação. A TAM, que nasceu Transportes Aéreos Marília, passa a ser a partir de hoje a LATAM, uma união com a LAN, uma empresa criada como estatal no Chile em 1929, mesmo ano em que Marília virou cidade.

A união das duas holdings vinha sendo preparada desde 2010. Juntas, as duas marcas contam com mais de 40 mil funcionários, cerca de 280 aviões, 115 destinos em 23 países, além de oferecer serviços de cargas em todo o mundo. Muitos destes funcionários são marilienses, que foram presença em toda a história da companhia.

Segundo as empresas, o novo nome foi escolhido para guardar o nome do grupo e fazer também uma referência a "Latin American" (América Latina). LAN e TAM, deixam de existir para dar lugar a LATAM Airlines.

Quando surgiu em Marília, a TAM trabalhava com transporte de cargas e passageiros Paraná, São Paulo e Mato Grosso. Foi a segunda empresa de transporte aéreo na cidade, depois da Comtax (Companhia Mariliense de Táxi Aéreo), de onde alguns pilotos saíram para criar a TAM no final de 1960,


Painel no Museu da TAM mostra hangar da empresa em Marília; à frente, Zamboni, piloto na cidade - Acervo - Ivan Evangelista Jr

A empresa acompanhava não só desenvolvimento do interior mas uma vocação da cidade, que chegou a abrigar o terceiro maior aeroclube do país em número de pilotos, segundo Pláutio Zani, piloto que iniciou carreira na década de 70 como herança do pai, Renato Zanni, um dos fundadores da TAM.

O vínculo umbilical com a cidade começou a perder força seis anos após a fundação, com a venda para o empresário Orlando Ometto, que transferiu a empresa para São Paulo.

Em 1971, o comandante Rolim Adolfo Amaro, que havia atuado na empresa nos primeiros anos de atividade em Marília, retornou à TAM por convite de Ometto. No ano seguinte assumiu o controle da companhia.

Em 1976 tirou Marília do nome: a TAM virou Transportes Aéreos Regionais. Mas o elo histórico acabou preservado no Museu da TAM, primeiro em Guarulhos e depois em São Carlos, graças à paixão e dedicação de pilotos e representantes da cidade.


R
ubens Bombini, Renato Zanni, Nilo ferrioli e Ari Pinheiro, pilotos de Marília que integravam a TAM na cidade - Acervo Ivan Evangelista Jr


É um resgate histórico que começou por acaso. O voo inaugural do Fokker 100 entre Marília e São Paulo nos anos 2000 levou uma comitiva da cidade para o museu em Guarulhos.

“Chegamos lá e a história contada no museu indicava que a TAM foi fundada ‘em uma cidade do interior’. Aquilo mexeu comigo e com o Wilson Mattos. Dissemos a eles: uma cidade não, é Marília, é o M do nome da empresa”, conta Ivan Evangelista Júnior, hoje gerente de Marketing do Univem, que estava na comitiva.

Membro da Comissão de Registros Históricos de Marília e, mais que isso, integrante por convite do grupo Velhas Águias, que reúne pilotos antigos e histórias da aviação na cidade, Ivan conta que os pedidos renderam. A cidade começou a ganhar mais visibilidade quando o museu mudou.

“Fizemos uma primeira visita na inauguração e já aparecia o nome de Marília, mas só mencionada, uma coisa discreta. Conversamos sobre as origens e um dia recebemos um convite para visitar o painel com a linha do tempo, a história da TAM. E aí sim, Marília já estava lá em informações, imagens e tudo mais, um painel enorme com imagem do hangar da TAM na cidade”, conta.

Plautio Zanni e pilotos de Marília entregam documentos para diretor do Museu da TAM, João Amaro - Acervo Pessoal - Ivan Evangelista Jr

Pláutio Zanni aproveitou a visita e entregou a João Amaro, diretor do museu, documentos e fotos do início da atividade da TAM, memórias da família e do vínculo da companhia com a cidade.

Sem Marília no nome, a TAM manteve voos regulares para a cidade com aparelhos Bandeirantes, da Embraer, depois com o turbo hélice Fokker 27 e chegou a operar na cidade com os jatos Fokker 50 e Fokker 100. Operou diretamente as linhas da cidade até os anos 2000, quando comprou a Pantanal e depois Passaredo, que passaram a responder pela linha. 

Agora nem opera na cidade, que é atendida pela concorrente Azul, e nem é mais TAM. É história, que o Museu da empresa, as Velhas Águias e a internet agora ajudam a guardar, como um vídeo que você pode acessar no Canal de Ivan Evangelista no Youtube gravado durante um dos encontros dos pilotos, com direito a exposição de fotos e muitas memórias.
fonte:  http://www.giromarilia.com.br/noticia/giro-marilia/tam-fundada-em-marilia-nao-existe-mais-virou-latam/5656

sábado, 5 de março de 2016

O Pelotão de Elite “Newton José de Moura”

Newton Moura
A Escola Baltazar de Godoy Moreira foi o berço da educação de muitos amigos e foi também uma escola modelo; desde as instalações modernas e confortáveis, a quadra coberta que propiciava a prática de esportes em dias de chuva e também para as apresentações artísticas, os laboratórios, com aquelas bancadas brancas enormes, o material para experiências nas aulas de ciências e a limpeza.
Para completar a estrutura física ganhamos um time de professores de primeira:  Sirui, Tamie (matemática), Miguelzinho (ciências), Ernesta Panetini (história), João de Deus(português) Amadeu, Rene Paschoalichi (desenho), prof. Edson (educação física), entre outros, sempre muito lembrados com carinho de todos.
Foi nesta época que conhecemos  o Sr. Newton Moura, inspetor de alunos que chegou para ajudar a equipe que já tomava conta da meninada . Chamou a atenção pelo porte físico, usava sempre um boné verde no estilo militar, postura física invariavelmente ereta, e a voz de comando sempre firme. Chegou e botou ordem no pedaço, se impôs com o devido respeito e aos poucos foi ganhando nossa amizade.
Ao chegarmos na escola ele batia continência para os alunos e nós respondíamos  no mesmo gesto. Ficou nosso amigo e ganhou o apelido carinhoso de “sargento Nilton”, isto porque no Tiro-de-Guerra havia na mesma época o sargento  Raul conhecido pela sua rigidez na formação dos soldados. 
O nosso sargento era firme também, mas era um contador nato de boas histórias, nos ganhou pelo coração e foi assim que nasceu o pelotão Newton Moura.
Durante anos  vimos este senhor andar pelos corredores  fazendo o seu trabalho disciplinador e, ao mesmo tempo, sendo nosso professor fora da sala de aula. Por meio das suas histórias ele nos ensinava o respeito ao próximo, o respeito à bandeira nacional e às autoridades constituídas, o amor para com a escola que nos acolheu e aos mestres. Quando por algum motivo era preciso levar algum aluno na presença da diretora ele era o condutor. Nós tínhamos mais receio do “pito” dele no caminho do que propriamente da conversa na diretoria.
Como os bons educadores  sabem fazer, eles sempre nos ensinam que a escola é o segundo lar, um templo sagrado de conhecimento e de oportunidades, lugar para fazer amizades que vão perdurar por toda a vida. Seu Newton  tinha o dom para exercer a função de inspetor de alunos e se tornou um ícone de admiração. Ser amigo do Niltão era um privilégio.  
Mais adiante na vida conheci Welington Moura, soldado  Boina Azul que serviu nas Forças Especiais de Manutenção da Paz  das Nações Unidas, filho de Newton. No início eu não associei os sobrenomes, mas o jeitão da madeira é o mesmo e a nova amizade me resgatou boas recordações. Quando descobri o parentesco fiquei mais feliz porque passei a compartilhar a simpatia do filho de um grande amigo da minha infância.
Hoje eu recebi a notícia que o Sr. Newton Moura faleceu, aos 91 anos de idade.
Sargento – peço sua permissão para me despedir, em nome dos colegas e de todos que partilharam sua amizade.
Sargento – o senhor foi um exemplo de vida para toda esta garotada, obrigado; missão cumprida sargento. Foi uma honra fazer parte do seu batalhão de amigos.
Sentido! - Permissão para descansar concedida pelo Alto. 
Sargento, siga em paz!

Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão de Registros Históricos de Marília,

e alunos da Escola Estadual Professor Baltazar de Godoy Moreira e do pelotão de elite “Newton José de Moura”.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Nos “Lemmytes” da vida


Os extremos sempre me chamaram a atenção, assim como, os seres humanos que fogem das normas consideradas regulares. Explico e dou exemplos.
Tem vários locais aqui em Marília onde encontramos alguns destes casos de pessoas que definitivamente saíram do script. Na rua Olavo Bilac, esquina com Rua Dr. Gelás, tem um barzinho bem simples, estilo “buteco de vila” onde é possível fazer um estudo aprofundado no assunto.
Todos os dias, repito, todos os dias, um velhinho chega mais cedo do que o horário de abertura e fica ali na porta esperando.  Assim que as portas são levantadas, a mesma mesma que ele ocupa há anos é montada no mesmo local da calçada e ali ele bebe sua cerveja ritualisticamente. Tem outro senhor que chega mais tarde e este já prefere a cachaça servida em copo, tá certo que uma dose por vez, mas o ato se repete pelo dia todo.
As roupas, a barba por fazer, a posição corporal e as pernas sempre cruzadas, mais o olhar sempre fugidio e penumbroso  são características marcantes. Se fizéssemos uma foto todos os dias seria possível registrar algumas mudanças, mais precisamente nos personagens ao redor, porque eles são como molduras impregnadas nas paredes do estabelecimento.
Outro personagem é um jovem que já ganhou o apelido de Tarzan porque está sempre quase nu e gosta de utilizar uma camiseta ou um trapo qualquer para esconder as partes baixas. Geralmente fica na esquina da Rua Antônio Prado, próximo ao Tauste, no cruzamento da linha férrea onde pede uma moeda aos que aguardam no semáforo.
Faz tempo que este moço usa os trocados para sustentar o vício do crack. Carrega escondido sob as poucas vestes uma lata de refrigerante amassada que serve de cachimbo para queimar as pedras e aspira o conteúdo com uma ansiedade de fazer dó. Tem olhos claros, tristes e amedrontados, foi consumido pelo vício, mas ao mesmo tempo me chama a atenção pela resistência física. Parece que o corpo “se acostumou” a viver no limite.
Fonte: Folha de São Paulo
Hoje eu li sobre o funeral do Lemmy, a lenda do rock e líder do grupo Motorhead. Diz a matéria que ele sempre foi da pá virada e para ilustrar  sua vida nada convencional mencionaram o bordão: “muito sexo, drogas e rock “n” rol”.
Mesmo assim o cara morreu com 70 anos. O autor nos relata que desde os 30 anos de idade ele bebia uma garrafa de Jack Daniel´s com Coca-Cola todos os dias.  Numa conta rápida  cheguei aos seguintes números : 40 anos bebendo com regularidade, vezes 365 dias, é igual a 14.600 garrafas de uísque e outra quantidade igual de Coca-Cola.
Juntem-se a estes números as drogas que ele ingeriu e vamos ter um exemplar de ser humano que não pode ser simplesmente enterrado, pelo contrário, precisa ser preservado para servir de base de estudos científicos, aliando-se mais o impressionante fato de não ter ficado surdo devido ao volume de suas apresentações musicais. Em um dos seus shows o volume chegou a 130 decibéis e bateu o recorde.
Ironias e brincadeiras à parte o que eu quero de fato ressaltar é que somos seres incríveis, cada um com suas peculiaridades, com suas fortalezas e fraquezas e que a medicina ainda vai descobrir muito sobre nós, sobre o que comemos ou deixamos de comer e sobre o que bebemos.

No caso do guitarrista aqui mencionado penso que talvez seja a música, o rock, que tenha sido o grande antídoto de tanta esbórnia. Será? – que o diga Keith Richards, outra lenda ambulante que insiste em não acreditar em limites.    

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Lojas de presentes

Vista geral da turma 2016
Hoje nós tivemos a entrega dos certificados de dois importantes cursos realizados pelo Univem para a comunidade. O curso tem o nome de Inclusão Digital e atende dois públicos distintos - os alunos da Apae Marília, neste caso já se preparando para ingressar no mercado do trabalho, e os alunos da Melhor Idade, outra turma animada que faz questão de acompanhar as novas tecnologias.
Desde os primeiros passos para utilizar um computador até algumas funções mais avançadas são conteúdos ministrados por alunos monitores como atividades de extensão dos Cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação. A moçada da Apae aprendeu a fazer a página pessoal no Face e agora estão curtindo muito trocar informações com amigos e com os professores.
O pessoal da Melhor Idade, além dos primeiros passos na operação dos computadores tiveram aulas de tecnologias sociais disponíveis nos telefones celulares.
Kaoro e Hidee
E foi no momento da entrega dos certificados que eu observei dois rostos muito conhecidos dos marilienses,  personagens do vibrante comércio da nossa querida Marília. Para nossa alegria as senhoras Kaor Kamakura e Hidee Yamamoto fizeram parte desta nova turma e estavam vibrando com o recebimento de dois certificados.
Dona Kaor mes fez uma revelação: "na verdade o nome correto é Kaoro, que pode ser traduzido para aroma/perfume em português, mas o meu pai não sabia pronunciar  e na hora do registro ficou Kaor mesmo." Outra revelação gostosa de ouvir: "eu  trabalhei alguns anos com na Casa Yamamoto, antes de abrir a minha loja, a Utilar presentes."
E depois de longos anos elas voltam a se encontrar fazendo um curso de tecnologia da informação. A Hidee estava irradiante, aliás, não só ela, como toda a turma da Melhor Idade pelas novas conquistas.
Nos comentários da apresentação fiz questão de registrar lembranças do passado onde a Utilar era o endereço certo para quem desejava comprar um presente de casamento ou os tradicionais faqueiros que tanto agradavam aos noivos. Da Casa Ono, a lembrança do enorme balcão de madeira e das prateleiras que chegavam até o teto com utilidades do lar e presentes diversos. A Casa Ono, se hoje estivesse com as portas abertas, seria comparada as lojas de conveniência que oferecem quase dos os itens da linha doméstica e de presentes.

Desta modalidade resta a Casa Formosa, na rua 9 de julho, onde sempre esteve ao lado do Supermercado Pastorinho. Vou lá vez em quando para me inspirar na construção  de novos textos. No caixa, a dona do negócio,sempre, "um olho no gato e outro no peixe", ou seja, faz os recebimentos mas não descuida do balcão de atendimentos.

sábado, 3 de outubro de 2015

Fotógrafo garimpa ruas de Marília em busca de fotos e boas histórias

A Vida (o Cristo) nos guarda sempre boas surpresas.
Depois de um longo tempo hoje eu consegui levar o meu amigo Wenceslau (Lau) para curtirmos um passeio juntos. Ele está se recuperando bem do avc que nos deu um susto e já consegue andar com o auxílio de uma bengala. O cara é forte, é decidido e teve o mais importante - o amparo e todo carinho da família.
Voltamos ao apiário que ele me ajudou a formar e quando lá chegamos quase nem deu tempo de parar o carro, já foi abrindo a porta e queria ver como tudo estava. Momentos mágicos, tudo verdinho, galinhada solta no terreiro, a mata ao fundo, viva e literalmente respirando vida.
Retornamos felizes para Marília e eu o deixei em sua casa. Passei em alguns lugares , fiz umas compras e tive um bom almoço ao lado dos meus filhos, da esposa e do neto Matheus (Guleo).
A soneca pós almoço é sagrada e como diz um amigo: "faz bem para a pele e para o coração". Tempinho mais fresco, a madorna, que geralmente é no estilo tiro curto, foi um pouquinho mais longa
Assim que acordei, um café...e ligo o computador para passar uma lida nos e-mails do dia. O amigo Ramon Barbosa Francon mandou e-mail com os dizeres: parabéns pela reportagem.
De qual reportagem estaria falando? Fui conferir e vi que hoje, justamente hoje, o dia em que tive novamente a companhia do amigo Lau no apiário, a TV TEM nos presenteou com matéria gravada há algum tempo.
Em uma das boas conversas com meu Tio Dorini, pessoa inteligente e sensível, nós falávamos sobre um tema que explica tudo isso: o Universo conspira a nosso favor, basta deixar que as coisas aconteçam, contribuindo para o conjunto e curtindo as boas amizades. A Vida conspirou novamente, juntando uma série de fatos isolados, em tempos diferentes, mas que tem tudo em comum - a Vida, os amigos, as imagens e as histórias desta terra que tanto amo.
Eu os convido a assistir ao documentário da TV Tem e expresso meus sinceros agradecimentos pelo carinho da equipe em tornar a matéria um documento informativo e poético. Que boa surpresa vocês nos deram hoje. OBRIGADO, de coração!


http://gshow.globo.com/TV-Tem/Revista-de-Sabado/noticia/2015/10/fotografo-garimpa-ruas-de-marilia-em-busca-de-fotos-e-boas-historias.html

Foto reprodução - TV TEM