quarta-feira, 10 de junho de 2026
segunda-feira, 23 de março de 2026
A pioneira vocação agrícola de Marília
Dia destes me deparei com um senhor empurrando um carrinho de mão e vendendo
verduras no mais antigo modelo de comércio que é o de porta em porta.
Prepara o terreno, semeia, espera germinar, transporta as mudas para os canteiros,
faz a capina, o controle de pragas, colhe, faz os maços, enche o carrinho, cobre com
um tecido velho umedecido para amainar o efeito do sol, e toca sair pelas ruas
oferecendo o fruto do seu árduo trabalho.
As mãos geralmente são grossas, com ranhuras e ainda guardam restos da terra
cultivada debaixo das unhas. Resiliente e resistente é daqueles que dorme pouco e
acorda de madrugada para dar conta de toda essa agenda. É daqueles que reza, e
muito, quando chove e faz frio dias seguidos e a demanda por verduras cai, assim
como cai a sua precária renda com a qual tenteia as despesas da casa.
Foi quando me dei conta que esta é uma geração que está acabando devido ao
trabalho sofrido e exigente, coisa que os descendentes familiares não querem mais
para si nos dias atuais. Porém ainda temos oásis urbanos produtivos, de onde
provavelmente sai parte do meu, do seu e do nosso consumo diário de hortaliças e
legumes.
Pelo Google Earth dá para identificar áreas urbanas com hortas familiares. Já estão
bem escassas e falta mão de obra. Interessante é que conversando com amigos do
segmento eles dizem que produzir até que não é tão difícil assim, o difícil é a
comercialização e a concorrência dos grandes supermercados.
Os grandes se abastecem comprando no atacado do CEASA paulista, ou de outros
centros de distribuição que consegue juntar: volume, qualidade e preço competitivo.
O atacado é a solução para este modelo grande, e mais, geralmente não se perde
nada porque o que não foi vendido, o que estragou na banca, o fornecedor tem que
retirar, contar ou pesar e descontar do que tem a receber.
No passado havia nas bancas plaquinhas com o pedido de “não aperte as frutas”, para
evitar o este péssimo costume, ou o de se cutucar a fruta com a unha do polegar em
vários pontos para saber se está no ponto, porém as que não passavam no teste
ficavam na banca para o próximo cliente.
Na baixada da rua Palmares, quase no final da via, lado direito, ainda podemos
encontrar um destes redutos produtivos. Seu Geraldo Melo, trabalhador e filho forte de
pernambucano, faz valer o modelo antigo e ainda leva a produção para entregar
pessoalmente na casa dos clientes e em alguns pequenos restaurantes.
A propriedade não é dele, a amizade com os proprietários vem de anos. Faz valer o
ditado “da horta para a sua mesa”. Trabalha solitário na horta, não tem carrinho de
mão, leva as hortaliças em sacolas de feira.
No momento em que eu escrevia este arquivo seu Geraldo Melo bateu na porta da
casa da Regina Perpétuo, minha companheira na Comissão dos Registros Históricos
para entregar folhas de almeirão fresquinhas.
Ele fala com alegria: “Quero ver se eu fico sempre trabalhando nessa profissão, estou
desde 1980, porque é muito bom ficar atendendo as pessoas, plantando verdura,
colhendo e vendendo aos fregueses.”
Em publicação no antigo Jornal Correio de Marília (1938), Laercio Barbalho, jornalista
e político, escreveu artigo falando sobre esta vocação da cidade de Marília. Destaco
um trecho interessante da sua percepção naquele tempo: "...O segredo do seu
crescimento, pois, vamos encontrar num factor que tem escapado a todos quantos se
propõem descobrir-lhe a origem. Para nós, elle reside, justamente nessa faina agrícola
que agita a sua vida, e nesta distribuição quase que equitativa que existe da
propriedade entre nós. porque olhando bem, o phenomeno dos latifundios e das
grandes extensões territoriaes foi annullado aqui.”
Ivan Evangelista Jr, é membro da Comissão dos Registros Históricos de Marília,
fotógrafo, e secretário do COMTUR Marília
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Marília abre licitação para construção de espaços de convivência
Prefeitura busca investir em áreas de cultura, esporte e lazer para a população
A Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria de Planejamento Urbano, publicou editais de licitação com objetivo de contratar a execução de três grandes projetos para a cidade: revitalização do Parque do Povo, construção de ciclovia no Parque da Represa Cascata, e construção de mirante e restaurante no Parque da Represa Cascata.
Os investimentos serão feitos por meio de convênios firmados com o Governo de São Paulo, por meio da agência Desenvolve SP. Para o prefeito Vinicius Camarinha, Marília precisa investir em áreas de lazer para a população. “Queremos que as famílias marilienses, que os jovens, os idosos, que todos tenham onde buscar lazer, espaço para esportes ao ar livre, caminhada, enfim, queremos que Marília cresça de forma sustentável e oferecendo qualidade de vida para as pessoas, com lugares de convivência”.
PARQUE DO POVO
O edital 001/2026 trata-se de Concorrência Pública para contratação de empresa especializada em fornecimento de material e mão de obra para implantação do Parque do Povo.
De acordo com a Secretaria de Planejamento Urbano, a implantação do Parque do Povo é necessária para transformar uma área estratégica da cidade em um espaço público qualificado, capaz de atender à crescente demanda por lazer, convivência comunitária e atividades ao ar livre.
Localizado na zona Sul, a região do Parque do Povo carece de um ambiente amplo, acessível e seguro, onde a população possa caminhar, praticar esportes, participar de eventos culturais e simplesmente desfrutar de um espaço verde preservado e bem estruturado.
A criação do parque também atende ao interesse do município em valorizar áreas urbanas ociosas, fortalecer a identidade local por meio de eventos tradicionais e oferecer à comunidade um equipamento público que estimule hábitos saudáveis, promova bem-estar e contribua para o desenvolvimento social, turístico e ambiental do município.
Neste projeto será investido o montante de R$ 5.500.000,00 pela Desenvolve SP, além da contrapartida da Prefeitura no valor de R$ 4.909.306,39.
CICLOVIA NO PARQUE DA REPRESA CASCATA
Já o edital 002/2026 trata-se de Concorrência para contratação de empresa para o desenvolvimento de obra e serviços de engenharia, com execução de todas as etapas e ações necessárias, bem como cumprimento de todas as obrigações e condicionantes, requeridas para a construção de ciclovia e pista de caminhada no complexo turístico do parque da represa cascata.
De acordo com a Secretaria de Planejamento Urbano, a implantação da ciclovia e da pista de caminhada no Complexo Turístico do Parque da Represa Cascata é necessária para organizar e qualificar a circulação interna do parque, criando condições seguras, confortáveis e acessíveis para pedestres e ciclistas que utilizam o espaço diariamente para lazer, prática esportiva e convivência.
A ausência de rotas estruturadas limita o uso adequado do parque, gera conflitos de circulação e impede que moradores e visitantes aproveitem plenamente o potencial turístico e recreativo da área. Com a construção de caminhos planejados, contínuos e integrados à paisagem, o parque passa a oferecer uma experiência mais completa, estimulando hábitos saudáveis, valorizando o ambiente natural e fortalecendo sua função como um dos principais equipamentos públicos da cidade.
Neste projeto será investido o montante de R$ 7.027.172,93 pela Desenvolve SP, além da contrapartida da Prefeitura no valor de R$ 604.722,93.
MIRANTE E RESTAURANTE NO PARQUE DA REPRESA CASCATA
Por fim, o edital 003/2026 trata-se de Concorrência Pública para contratação de empresa especializada em fornecimento de material e mão de obra para construção de mirante e restaurante no complexo turístico do Parque da Represa Cascata.
De acordo com a Secretaria de Planejamento Urbano, a construção do mirante e do restaurante como um conjunto arquitetônico integrado ao Parque da Represa Cascata visa à ampliação das possibilidades de uso público e valorizando a paisagem natural do local.
Neste projeto será investido o montante de R$ 6.102.501,83 pela Desenvolve SP, além da contrapartida da Prefeitura no valor de R$ 524.901,83.
Artes dos projetos: Divulgação--
Diretoria de Divulgação e Comunicação
Prefeitura Municipal de Marília
14-3402-6030
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Você pode visitar e conhecer em Marília
Roteiro de lugares temáticos em Marília. Uma lista de locais para se visitar e ter experiências legais.
Vamos lá:
- Casa do Norte. Rua Paes Leme, 321
- Lojas de artigos e comidas japonesas – Tenryu, rua 24 de dezembro, 1323, Shoubai,rua 15 de novembro,1070;
- "O buraco do rato", uma lojinha de Cards que fica em frente a Santa casa de Marília. No mínimo é curioso;
- A loja de antiguidades, fica na rua 9 de julho com Vicente Ferreira;
- A loja Agro Mineiro (rua Benedito Alves Delfino 365) vende mudas e sementes. Parece um jardim de miniaturas verdes;
- Sebos - rua Prudente de Moraes, 105 centro, outro na rua 21 de abril, 532;
- Chaveiro e sebo - na rua 4 de abril, em frente a padaria Orly, preço bom para copias de chaves e enquanto espera pode bisbilhotar os livros empilhados;
- Casa de chapéus, Sim, Marília tem uma casa que vende chapéus. Chapelaria São Luiz, rua Arco Verde, 252;
- Charcutaria, sinônimo de excelentes curtidos e defumados. Recomendo uma especial, Charcutaria Ambrósio, do amigo Flavinho, fabricação própria esempre tem muitas histórias para contar;
- Cooperativa Sul Brasil, av. das Indústrias. Ainda com aquela pegada de estabelecimento das antigas, com prateleiras altas, pilhas de panelas, ferramentas, utensílios para lavoura, artigos de couro, canivetes e facas, sementes e mudas. Atendimento nota 10;
- Cantinho do colecionismo e a vitrine da Biblioteca Municipal, rua São Luiz. Sempre tem boas novidades por lá e de quebra uma prateleira inteira de livros e autores marilienses. Vale conferir;
- Biblioteca "Rangel Pietraroia" da Câmara Municipal e da Comissão dos Registros Históricos de Marília. av. Carlos Gomes, 213 - centro. Tem acervo legal de jornais antigos da cidade e bons livros que contam a história da nossa gente;
- Galeria de Artes "Braz Alécio", av. Sampaio Vidal, anexa ao Museu de Paleontologia;
- Cutelaria e afiação. O amigo Pátaro é especialista no assunto, além da boa prosa. Fica na rua 15 de novembro, 481.
domingo, 11 de janeiro de 2026
As agências bancárias na história de Marília
Desde os primeiros anos a cidade de Marília contou com a força da economia gerada pelas lavouras e pelo comércio. O café foi o principal produto e, também, o principal motor de geração de lucros para aqueles que investiram na produção.
Antes do café, o algodão e o amendoim, duas culturas que são mais rápidas na colheita de resultados financeiros. Plantadas as lavouras de café e, sabendo que a primeira colheita viria dali 3 anos, o passo seguinte era partir para as chamadas culturas intermediárias.
E em razão de diversos fatores que concorreram de forma positiva as culturas com ciclos mais curtos acabaram transformando a região em um oásis de prosperidade. O fluxo de migrantes e imigrantes foi intenso e todos queiram aproveitar as oportunidades das novas Terras do Alto Cafezal, férteis e produtivas, com a vantagem de contar com a logística da estrada de ferros que levava a produção para a capital do estado.
E foi neste ritmo frenético que as primeiras agências bancárias correram para se instalar na cidade, afinal, onde a economia ferve o dinheiro está sempre presente e abundante. No ato seguinte vem o comércio varejista que supria as principais necessidades da população; maquinas e ferramentas e os chamados secos e molhados que abasteciam as despensas das casas.
Numa rápida pesquisa no livro “Marília – cidade Nova e Bonita” Baltazar de Godoy Moreira e Alcides Lages de Magalhães (1936), encontramos uma linha do tempo que nos dá um panorama da situação temporânea. O Banco de São Paulo instalou sua agência em 1929, em seguida vieram as agências do Banco do Brasil – administrado por Almeida & Cia, e o Banco do Comércio e Indústria de São Paulo (junho 1934); depois o Banco Comercial de São Paulo (fev. 1935), e o Banco Noroeste do Estado de São Paulo (abril 1935).
Foram muitas agências e a avenida Sampaio Vidal sempre foi o principal endereço das instituições financeiras.
O Banco Noroeste do Estado de São Paulo se instalou em prédio próprio, ao lado primeiro Hotel de Alvenaria de Marília, o famoso Hotel São Bento. O banco exibia arquitetura sofisticada e ousada, com colunas frontais que se estendiam do solo ao teto, um a clara alusão ao icônico simbolismo representativo da força, da estabilidade e do poder de sustentar grandes cargas ou ideais.
Mais adiante na história, no início da década de 2000 , por curiosidade, eu percorri a Sampaio Vidal entre as ruas Campos Sales e Cel. Galdino de Almeida e contei 17 agências bancárias instaladas.
E hoje, se percorrermos o mesmo trecho vamos encontrar uma situação inusitada: agora são as farmácias que ocupam a avenida.
Como membros da Comissão dos Registros Históricos nós acompanhamos os fatos e pesquisamos estes fenômenos históricos com vistas a preservar nossa memória, para criar fontes de pesquisa e outras finalidades culturais. Costumamos dizer que ao puxar um fio da meada muita coisa vêm à luz do conhecimento e contribui para entendermos melhor a trajetória da nossa comunidade.
Num destes encontros que acabam levando a novos projetos, conversando com a Regina Perpétuo, integrante da Comissão, ela comentou que guardava valorosa coleção de fotografias dos bancos que tiveram agência na cidade ou que ainda se encontram em plena atividade. São fotos do acervo da Comissão, fotos que circularam nas redes sociais, material que ela teve o precioso cuidado de juntar e guardar para uma futura oportunidade de utilização.
E foi assim que decidimos em criar uma nova pasta no acervo digital da Comissão dos Registros Históricos da Câmara Municipal e da cidade de Marília, hospedado no site oficial da Câmara.
Agora todos podem fazer um tour pela história e conhecer por onde o dinheiro de Marília circulou e conferir que nestas terras de Bento de Abreu, terras do Ouro Verde, do comércio profícuo e da Capital Nacional do Alimento, a economia sempre foi forte e atrativa para novos investidores.
Para acessar este acervo e outras pastas muito interessantes você clica em:
https://www.marilia.sp.leg.br/, em seguida na aba Institucional, rolar a barra para baixo e “Comissão dos Registros Históricos” (clicar), e ao lado direito da tela vai encontrar a pasta “Galeria de fotos”.
Ivan Evangelista Jr, membro da Comissão dos Registros Históricos de Marília e presidente do Comtur Marília. Artigo publicado no Jornal da manhã, edição de 10.01.26, Caderno 2.
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Prefeitura lança 1º Festival do Café de Marília em evento no Ciesp
Marília vive “era de ouro” para o turismo, segundo o presidente do Sinhores, Sinval Gruppo
A Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, realizou na manhã desta sexta-feira (17), na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – Ciesp Marília, o lançamento oficial do Primeiro Festival do Café de Marília, que ocorrerá na histórica Fazenda Cascata no dia 1º de novembro.
Dando as boas-vindas e abrindo a cerimônia, o secretário Vitor Gazola afirmou acreditar no empreendedorismo como motor do setor produtivo para atrair investimentos para cidade, gerando emprego e renda. “O governo do prefeito Vinicius Camarinha tem muita credibilidade com a classe produtiva, e o nosso trabalho é valorizar os produtores, comerciantes e prestadores de serviço locais”.
De acordo com o prefeito Vinicius Camarinha, Marília vive hoje três grandes momentos: celebrar um dos pilares da nossa cultura, valorizando nossa história; promoção de turismo que o café proporciona por ser uma das bebidas mais consumidas do mundo; e o conhecimento e o desenvolvimento que acompanham o café. “Esse festival pode virar um grande evento, uma feira do café, e a Prefeitura estará sempre junto dessa iniciativa”. Ainda de acordo com Vinicius Camarinha, se a cidade dá certo, é porque as pessoas apoiam o desenvolvimento. “Estamos em um momento de reconstrução e estou feliz em saber que o turismo da cidade vai prosperar. A cada R$1 investido em turismo, a cidade recebe R$4 de volta”, afirmou.
Ainda durante o evento, o prefeito anunciou que o governo estadual autorizou e a Prefeitura construirá o maior e mais moderno museu de paleontologia do Brasil. “Vamos virar a chave do desenvolvimento de Marília. A cidade está se desenvolvendo porque as pessoas caminham junto com a gente” pontuou Vinicius Camarinha.
O presidente do Comtur, Ivan Evangelista Junior, afirmou que a Prefeitura está abrindo as portas para novas oportunidades. “Agora entregamos essa nova demanda da sociedade, que é o Festival do Café”.
Para o presidente do Sinhores, Sinval Gruppo, um cafezinho acerta qualquer negócio e conversa. “Marília tem café tão bom quanto o restante do Brasil. O prefeito Vinicius Camarinha acredita no turismo, o secretário Vitor Gazola veste a camisa de verdade do turismo, que sempre retorna em investimentos para Marília. Estamos vivendo uma ‘era de ouro’ para o turismo de Marília”.
Para o proprietário da Fazenda Cascata, Oswaldo Passos de Andrade, é uma alegria e satisfação participar do 1º Festival do Café. “Meu avô, Bento de Abreu, chegou aqui em 1925, e agora temos essa cidade próspera. Parabéns ao prefeito Vinicius Camarinha pelo trabalho que vem fazendo”.
Após a fala da mesa de autoridades, o secretário do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Vitor Gazola, apresentou o projeto do Festival.
A cerimônia contou com a presença do prefeito Vinicius Camarinha, do presidente da Câmara, vereador Danilo Bigeschi, do secretário de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Vitor Gazola, do presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Ivan Evangelista Junior, do presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Marília (Sinhores), Sinval Gruppo, do proprietário da Fazenda Cascata, Oswaldo Passos de Andrade, além de secretários municipais, vereadores, apoiadores do festival e sociedade civil.
Sobre o 1º Festival do Café de Marília
O evento celebra o centenário da Fazenda Cascata, propriedade que teve papel fundamental na fundação e no desenvolvimento de Marília, e marca também a inserção de Marília e região no programa estadual Rotas do Café, valorizando uma das mais importantes cadeias produtivas responsáveis pelo crescimento econômico e cultural local e regional.
Com uma programação completa para toda a família, o Festival do Café terá início às 10h e seguirá até as 18h, reunindo produtores de café, artesãos, baristas, palestrantes e atrações musicais. O público poderá desfrutar de praça de alimentação com food trucks, produtos artesanais, brinquedos infláveis, exposição de tratores e fotos, além de palestras e demonstrações sobre o universo do café.
Segundo o secretário municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, Vitor Gazola, “o Festival valoriza a cadeia produtiva do café, fomenta o turismo e o lazer, difunde conhecimento, história e cultura, além de fortalecer a identidade e o desenvolvimento regional”.
O evento é uma realização da Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal do Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico, com apoio de diversos parceiros: Comtur (Conselho Municipal de Turismo), Sinhores (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares), Apta Regional de Marília (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios / Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo), Ciesp, Sebrae, Fatec Marília, Adipa (Associação para o Desenvolvimento da Indústria de Produção de Alimentos), Secretaria Municipal da Cultura e Secretaria Municipal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
A entrada é gratuita, com doação voluntária de 1 kg de alimento para o Fundo Social de Marília.
Fonte: release da assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
A história do Pão com Ovo do distrito de Avencas
Pratos que representam a identidade da gastronomia local
Boa parte dos pratos típicos mais tradicionais têm sua origem ligada a personagens ou a histórias e fatos que levaram pessoas a ter uma ideia empreendedora e se tornarem ponto de referência no turismo receptivo.
Na rua principal do distrito de Avencas, distante 22 Km de Marília, vamos encontrar um destes casos em que a necessidade, a atitude e o público, se encontraram em uma das esquinas mais famosas do pequeno distrito.
Duas irmãs, Andréia e Silvana, da tradicional família Gambini, há mais de 11 anos decidiram instalar uma pequena padaria. Até então não havia outra opção e num dos cômodos da casa da mãe improvisaram a produção e iniciaram as vendas. Foi sucesso e aos poucos ampliaram as opções com bolos, biscoitos e quitutes. Tudo no estilo bem caseiro, aquela coisa de receita de vó, que vai passando as gerações e mais o incremento da criatividade da dupla.
Avencas tem pouco mais de 1.000 habitantes, é cercada por propriedades rurais que hoje se dedicam a produção do amendoim. Já foi terra da melancia, fruta que levou a realização de grandes festas no distrito, atraindo pessoas de toda a região, com muita música, barracas, e o concurso que desafiava quem conseguia chupar mais melancias.
É também caminho de passagem obrigatória pela história de Marília e de toda a região. Desde os primórdios o movimento de máquinas e de caminhões transportando diferentes produtos agrícolas sempre foi intenso. Ao caminhar pelas ruas vemos nas fachadas marcas dos pioneiros comerciantes, e nos pequenos botecos que ainda guardam características singulares. São construções simples e paisagens que nos transportam para o passado.
Detalhe importante: Avencas é rota de passagem dos praticantes do ciclismo, dos jipeiros e colecionadores de aventuras, adeptos do turismo rural e curtem andar pelas vicinais e de quebra conhecer paisagens incríveis.
É lá que você vai encontrar o famoso PÃO COM OVO que representa a mais típica gastronomia popular local. Contam as irmãs que o sucesso do lanche é um daqueles episódios em que a gente pode dizer que mirou na lua e acertou as estrelas. O negócio principal inicial era vender pães e bolos para a comunidade local nos horários mais rotineiros, o café da manhã e o café da tarde.
Mas como foi que o Pão com ovo chegou neste enredo? – Certo dia encostou na padaria um ciclista que fazia o trecho e pediu um lanche. Não era costume fazer lanche porque a maioria dos habitantes locais comprava o pão, a mortadela fatiada, o queijo, ou outro tipo de frios e levava para casa.
Com a resposta “lanche a gente não faz” o ciclista insistiu e perguntou: mas nem um pão com ovo? - Ah, isso a gente pode fazer! E conta a história que ele comeu o melhor lanche de pão com ovo da sua vida. Foi uma experiência tão boa e um sabor tão especial que ele passou a divulgar para os amigos e a panificadora Gambini passou a ser ponto de parada obrigatória nas pedaladas.
O trecho Marília – Avencas está se tornando uma das principais vias do turismo receptivo local. A sede do automóvel clube de Marília está logo no início do trajeto, depois vem o Mosteiro da Divina Misericórdia que integra o turismo religioso regional e ao lado do Mosteiro foi plantado um vinhedo, que anuncia para breve o início de atividades de uma vinícola e mais a instalação de um resort com praia artificial de água doce.
Seguindo em frente temos a Serra de Avencas com toda sua beleza, ladeada por dois vales imensos e o portal instagramável da Rota das Capelas, trecho que tem mais de 110 Km de percurso na região e finaliza no Mosteiro.
A receita do pão com ovo que levou o Comtur a certificação como Prato Típico de Marília da gastronomia local e integrante da Rota das Capelas é das mais simples: pão produzido na padaria artesanal local, ovo estralado, no ponto e com a consistência que dá o toque especial, valorizando a crocância do pão, mais o queijo derretido e os temperos especiais das irmãs, incluindo a simpatia da acolhida, os sorrisos e a disposição de sempre atender clientes de uma forma toda especial.
*Pesquisa e relato elaborado pelo Comtur-Marília e pela Comissão dos Registros Históricos da Câmara Municipal e da cidade de Marília - COREH, com a finalidade de valorizar e resguardar as tradições culturais e gastronômicas locais. Por Ivan Evangelista Jr, presidente do Comtur Marília e membro da Coreh.
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
A história do “Curto Circuito de Cafés” no Sítio Olho D’Água
EXPERIÊNCIAS GASTRONÔMICAS EM MARÍLIA
Para compor o cheiro, a cor da fumaça e o ponto do café na xícara, guardados na memória da D. Santina, proprietária do Sítio Olho D’Água, seu marido Sr. Maier Pardo (in memoriam) se esforçou muito, estudando, assuntando, calculando, matutando e inventando. Até mesmo o Sr. Belmiro Mendonça, o fazendeiro que viu o moleque Maier correr com os amigos entre cafeeiros para chegar à cachoeira da Faz. Sta. Teresinha, deu orientações valiosas para que o pequeno pedaço de chão, naquele momento já exaurido e coberto de pasto, retomasse seu destino de ser berço de bons grãos de café.
Na porção de terra apontada pelo Mirão existiam duas minas de água, fato animador. No altiplano do sítio, desde 1997, com muito esforço, dedicação, trabalho e planejamento, aos poucos, o casal de aposentados, foi dando forma ao sonho de ter uma propriedade agrícola. Assim, no ano 2000, o solo começou a ser preparado para receber 8 mil mudas de café em plantio adensado.
Foi assim a retomada da atividade da cafeicultura, bem ao lado do distrito de Padre Nóbrega, onde Maier Pardo nasceu e cresceu, e onde eles se casaram. Três anos se passaram e a primeira saca da colheita, premiada até mesmo no Concurso da Câmara Setorial de Cafés em Santos, foi torrada no fogão da cozinha, na casa do Sítio Olho D'Água, sob orientação do Valtinho, o provador de cafés e amigo da família que acreditou em seus discípulos e promoveu D. Santina à função de Torrefadora de Café.
Em 2005, no terreno vizinho aos espaçados 8.000 pés de café inicialmente plantados, Santina e Maier instalaram a sua própria torrefação, ao lado do pequeno terreirão.
Uma torrefação com personalidade, carregada de propósitos e sonhos, frutos de muitas conversas em volta da mesa de refeições com a família reunida. A pequena Casa de Torra, documentada no dia 10 de janeiro de 2005 - dia seguinte ao aniversário de 55 anos da D. Santina - foi a consolidação de toda a personalidade forte e a obstinação que sempre orientaram os projetos da família. Nascia, então, o Café D. Santina, homenagem mais do que merecida a quem sempre foi esteio e companheira, nascia o Café da família Bonini Pardo.
Com o falecimento do pai, em 2017, e com total apoio da mãe, em 2020, os filhos Renata, Victor e Júlio decidiram investir no turismo receptivo e abriram as portas da casa para receber convidados e turistas.
Abriram não somente as portas da casa, mas também o baú de ancestralidades que guarda memórias dos anos 1950-1960, quando a matriarca D. Santina, ajudava a mãe a torrar café no torrador modelo bolinha, no quintal da casa localizada na rua Independência, na cidade de Marília. Ainda que de forma empírica, na melhor tradição das famílias caboclas, Santina-menina aprendeu a “dar o ponto” na torra observando a cor da fumaça que sai do torrador e o aroma característico.
Enquanto o filho Júlio apresenta os cafés para consumidores americanos, a filha Renata e o irmão Victor se dedicaram ao projeto Sítio Olho D´Água e buscaram novas frentes de pesquisa e parcerias com universidades, como a Fatec Marília, a Unesp de Tupã e a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, a Apta Marília. As pesquisas e a constante observação das principais curiosidades dos turistas que chegavam à propriedade, muitos deles estrangeiros, inspiraram o “Curto Circuito de Cafés”.
O circuito se constitui da vivência que os turistas experimentam durante a visita rural. Roteiro de Ciência e Tecnologia, têm início com um passeio entre os pés de café, conhecendo sobre os cuidados da cultura, da colheita no pano para garantir uma boa bebida, seguindo para o terreirão, onde estão vários terreiros suspensos que contêm os grãos em diferentes estágios de secagem e onde acontece o benefício dos cafés ensacados, bem ao lado da Casa de Torra, onde se promovem a seleção e as posteriores torras.
É neste local em que os visitantes aprendem sobre os estágios da torra, temperaturas e detalhes que comporão a bebida final e darão a identidade ao Café D. Santina. Também, os turistas passam por uma oficina prática de seleção de frutos e grãos, aprendem sobre as diferentes espécies e variedades de café que são mais comuns na região de Marília e fazem a prova de degustação.
Só depois de passar por todo este processo de aprendizado de saberes da terra é que os visitantes finalmente experimentarão o café, seja coado em coador de pano, filtrado, prensado, apertado, ou seja, “ao gosto do freguês”. Tudo é servido na mesa da cozinha da família Bonini Pardo sobre a toalha xadrez e acompanhado de bolo e de quitutes feitos no fogão a lenha que enfeita a cozinha e dá um cheiro que é o toque todo especial na experiência sensorial.
O Curto Circuito de Cafés foi adaptado para proporcionar a experiência fora da sede em eventos turísticos da cidade e da região, sendo convidado para representar a gastronomia mariliense nos eventos Agrishow 2025, Mesa São Paulo desde 2021, e no SP Gastronomia desde 2023, dentre outros.
Este é o Curto Circuito de Cafés no Sítio Olho D’Água que levou a cidade de Marília a ser protagonista regional no projeto “Rotas do Café de São Paulo” e, também, da Região Turística do Alto Cafezal (https://www.rotasdocafe.sp.gov.br/rotas-cafe-sp/as_rotas/alta_paulista/sitio%20olho%20d%20agua).
Outra curiosidade que reforça a identidade cultural, gastronômica e de ancestralidades é que o Sítio Olho D’Água está localizado no contexto da Estação de Estudos Ambientais e de Sustentabilidade da região de Padre Nóbrega (https://turismo.marilia.sp.gov.br/arquivos/cmt_-_eeaspen_20230809_09102615.pdf), constituindo-se, hoje, no principal representante da cafeicultura mariliense e símbolo de resistência de preservação do meio ambiente, tendo em vista que a região ao seu redor foi totalmente loteada e ocupada por condomínios e bairros residenciais.
O sítio é o oásis de respiro na teia urbana, é abrigo de espécies nativas, é morada de abelhas que fazem a polinização e produzem mel, tem água pura, e muito verde. Tudo isso a menos de 6 km do centro da cidade de Marília.
Pela atividade comercial do sítio na venda de cafés especiais, consideramos que a formatação e a oferta da experiência do Curto Circuito de Cafés fortalecem o turismo e a economia criativa local e regional.
Pesquisa e relato elaborados pelo Comtur-Marília e pela Comissão dos Registros Históricos da Câmara Municipal e da cidade de Marília - COREH, com a finalidade de valorizar e resguardar as tradições culturais e gastronômicas locais. Por Ivan Evangelista Jr, presidente do Comtur Marília e membro da COREH.
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
A história do “Filé Mignon ao Molho de Café”
Pratos que representam a identidade da gastronomia local
A história do “Filé Mignon ao Molho de Café”
Um bom café é, desde sempre, um motivo para um bom papo, reunir família e amigos. É essa a essência que trazemos e apresentamos no nosso prato, “FILÉ AO MOLHO DE CAFÉ MARÍLIA”. Esta foi a inspiração do empresário Cesar Bettini, proprietário e chef do Pasttini – Restaurante e Pizzaria, para criar o prato que integra e representa Marília na Rota Turística do Alto Cafezal e na Rotas do Café de São Paulo.
O desafio da criação do prato veio da sua participação na 9ª edição do Festival Gastronômico de Marília no ano de 2023. Evento anual promovido pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (SinHoRes) e o Marília e Região Convention & Visitors Bureau, em parceria com a prefeitura da cidade, que visa promover a culinária local, estimular o turismo gastronômico e fortalecer o setor de bares e restaurantes. O festival apresenta pratos exclusivos criados pelos participantes inscritos, fomenta a economia criativa, gera empregos e apoia entidades sociais.
Os participantes podem homenagear personagens históricos ou icônicos da cidade, e podem criar pratos com ingredientes e receitas que remetem a cultura e a história da nossa gente.
Pasttini contou ao Comtur que nesta 9ª edição ele decidiu homenagear o café e toda a sua representatividade na história de Marília. Em suas palavras: “O café exercia um papel fundamental na economia Brasileira, tornando São Paulo o novo centro cafeeiro, impulsionando o crescimento da cidade. Já em 1915, os primeiros cafezais surgiram nas terras da nossa região, depois denominadas de Alto cafezal. Em 1929, a cidade de Marília se tornou um município e o café sempre esteve presente. Esse prato de filé ao molho de café serve para celebrarmos a nossa origem mariliense, homenagear cada trabalhador e família que se dedicaram nesta atividade em Marília e que nos deixaram legados importantes. Na atualidade temos empresas representativas, como a Intercoffe, Café Passaport, Café D.Santina, Café Floriana, Café do Feirante; temos a “Rua do Café”, no bairro Higienópolis, e o edifício Ouro Verde, na av. Sampaio Vidal, construído no ano de 1952, símbolo de uma época. Desejamos que os nossos clientes saboreiem em cada garfada a hospitalidade, a simpatia e tradições que nós Marilienses carregamos, cheios de amor e orgulho por nossa cidade.”
Homenageamos, relembramos e agradecemos a todos os envolvidos na cafeicultura de Marília.
Cesar estudou na escola Bento de Abreu Sampaio Vidal, localizada na rua Cincinatina, ao lado da Fazenda Cascata, que nos primórdios foi grande produtora de café. Quando decidiu instalar seu novo empreendimento escolheu estar bem próximo das suas origens e das memórias afetivas da sua infância e juventude. A nova casa foi construída na rua Liberdade, nº 349, imediações da Fazenda Cascata, onde ainda se pode ver o grande terreirão de secar café, os trilhos e vagões que levavam os grãos até a tulha. Parte da nossa história está preservada neste cenário bucólico e de grande representatividade cultural.
A fachada do Pasttine é toda em tijolos à vista, coberta com uma linda trepadeira verde de Falsa Vinha, o que nos remete aos antigos casarões das fazendas de café. A nova edificação guarda memórias afetivas de outros locais que já foram endereços na história da casa e da gastronomia mariliense. Os tijolos utilizados na construção são reciclados do antigo Barzinho Pé de Manga, as portas da entrada foram da clínica do Dr. Foloni, na rua 4 de abril, centro histórico de Marília, que posteriormente se tornou endereço do Flor Pastel, e do Espelho Mágico, e as vidraças são do antigo Pasttine - Tauste Sul, endereço que consolidou a casa como referência e preferência gastronômica da cidade.
A receita do Filé ao Molho de Café
Composto por filé mignon, servido ao molho de café especialmente desenvolvido pela cozinha da casa, acompanha risoto de parmesão com espinafre. Sabor único e imersivo.
A casa é especializada em massas e tem carta de vinhos especiais que atendem aos mais exigentes paladares. Desde o concurso o filé permanece no cardápio como opção de experiência gastronômica, com identidade, valorização e resgate cultural.
*Pesquisa e relato elaborado pelo Comtur-Marília e pela Comissão dos Registros Históricos da Câmara Municipal e da cidade de Marília - COREH, com a finalidade de valorizar e resguardar as tradições culturais e gastronômicas locais. Por Ivan Evangelista Jr, presidente do Comtur Marília e membro da Coreh.
Assinar:
Postagens (Atom)


















































